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21.11.08

Alimentando idéias e estômagos

Livrarias para mim sempre foram um ótimo programa. Principalmente depois que descobriram que livraria não precisa, não deve, ser apenas uma loja de livros. Mais do que nunca, livrarias hoje são locais entretenimento tanto quanto o produto que vendem. A coisa ficou ainda melhor depois que colocaram Cafés dentro delas. Então, entre um livro e um pingado, você espera o mundo passar lá fora com toda a paciência e serenidade que a gente parece recuperar quando entra num lugar desses.
Aqui no Rio a Livraria da Travessa foi além instalando mais do que Cafés nas lojas. Primeiro numa parceria com o Bazzar e agora com o Copa Café, separou um espaço no meio das estantes para algo mais do que Cafés, algo mais gastronômico, mas sempre sem perder esse jeitão que deu tão certo aqui. Como não consigo ficar longe de livros e perambulava com fome pelo shopping...
No sábado fui na já tradicional Travessa do Shopping Leblon onde o Bazzar montou a versão Café do seu restaurante de Ipanema e oferece um cardápio de tapas, sanduíches, saladas e grelhados daqueles difíceis de escolher porque tudo parece bom. No mezanino onde está instalado a vista não tem janelas, mas é sensacional. O colorido dos livros, livros e mais livros em balcões e estantes com as pessoas circulando e folheando é das mais entretidas. E arrematada pela trilha sonora sempre muito bem escolhida faz comer lá um dos melhores programas do bairro.
Na terça fui à nova e enorme Travessa do Barrashopping comer no Copa Café que abriu sua primeira filial lá. Ao contrário do Bazzar, o Copa tem janelas que dão para o exterior e iluminam o salão que está muito bem montado com belos móveis e decoração. A vista da livraria é mais acanhada, mas o ambiente é ótimo.
Quem me conhece um pouco já sabe o que pedi para comer nos dois lugares: hambúrguer, claro. Então vamos a eles.
O Copa Café é especializado em hambúrgeres e é sempre bem votado nas eleições da Vejinha. Na casa da Barra encontrei um serviço bastante atencioso e simpático e o cardápio, além dos tradicionais hambúrgeres, traz saladas, alguns grelhados e outros sanduíches. Nota-se a intenção de oferecer algum refinamento em pratos teoricamente simples, mas sem nenhuma afetação. Aqui cabe um parênteses saudosista: um dos donos do Copa foi dono do Rock Dreams, bar que já servia ótimos hambúrgueres nos anos 70 e talvez um dos primeiros lugares onde fui sozinho à noite na vida. Não dá para esquecer de liberdade e hambúrgueres juntos num lugar só, não é?
Não lembro o que eu pedia no Rock Dreams, mas para não fugir à regra, aqui fui no basicão: cheeseburguer com bacon, cebolas e pepino acompanhado de batatas assadas com sal grosso e alecrim. O pão era ótimo e nessas horas é que você vê que ele faz toda a diferença, mas o hambúrguer estava bom, mas não emocionou. Para acompanhar, uma Stella no ponto naquelas tulipas geladas que quase não existem mais por aí.
No Bazzar meu pedido já é um clássico. Se eu fosse assíduo o garçom nem me perguntaria: hambúrger com batata rosti e molho gorgonzola. Como você já deve ter notado não é o que está na foto ao lado que descaradamente roubei da Roberta. Gracias, Beta. Apesar de não ser uma casa especializada nesse tipo de sanduíche – a Constance até diz que o melhor de lá é o croque monsieur – o sabor do hambúrguer do Bazzar é inigualável. Não sei como a turma da Cris tempera a carne, mas até minha mulher que não é fã, achou sensacional. E é mesmo. O serviço também é sempre atento e delicado e as caipirinhas são ótimas.
O resumo da história é que as duas casas se encaixaram muitíssimo bem dentro das livrarias. Ponto para a Travessa por buscar os parceiros certos. Cada uma do seu jeito, mas oferecendo cardápios bem parecidos no conceito, o Bazzar e o Copa são tanto ótimos coadjuvantes para quem vai atrás dos livros como também protagonistas perfeitos para aqueles que estão mais preocupados em alimentar o estômago do que as idéias. Ótimos programas.

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12.11.08

Swiss Army

Não corta, não lixa, não aparafusa, não saca rolhas, não limpa os dentes, nem tira farpas de madeira enfiadas no dedão, mas em certos momentos é a melhor ferramenta que você pode ter no bolso.  Compre seu canivete de chocolate recheado com praliné de amêndoas aqui.
Precisam urgentemente inventar um apetrecho de cozinha útil como esse.

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19.10.08

A esquina e o livo - Final

Esta é a última parte de uma história que começou vinte anos atrás. Uma food-novel de um autor alemão que viaja no tempo.
A história começa aqui.
A terceira parte terminou com a Claudia sentada no sofá da casa dela perguntando para mim:
- Co-mo assim? - Ela se inclinou para frente e franziu a testa - Como você conhece a dona de um livro que está na minha casa há não sei quanto tempo?

A esquina e o livro
Final
Imediatamente, lembrei-me de um filme no qual o Dennis Quaid no passado conversa por um rádio-amador com seu filho nos dias de hoje (não vou entrar no mérito do filme, mas a história é mais ou menos essa, ok?). Na trama, ele bota uma agenda dentro de um sofá (no passado) e o filho, que é policial, a recupera (trinta anos depois, no presente) e resolve um caso.
Naquele momento estava acontecendo mais ou menos a mesma coisa, só que na minha história não há rádios transcendentais nem casos de polícia. Só o sofá onde estávamos e o livro.
- Acorda, Chico! - esse era meu apelido na faculdade. - Como você sabe de quem é esse livro?!
Eu olhava para a primeira página e para o rosto da Cláudia esperando minha resposta.
- Conheci essa Rosa em Angra. - disse isso ainda meio em transe - Era muito simpática e adorava ler na varanda de casa. Esse livro é dela, e fui eu que te emprestei.
O exemplar que tenho na minha mão agora não é só o título que eu estava procurando, mas é exatamente o mesmo livro que li vinte anos atrás. Naquela época, um amigo da Rosa me emprestou, devorei em dois ou três dias e re-re-emprestei para Cláudia, que enfiou-o numa estante com um monte de outros livros, onde ficou até hoje sem nunca mais ter sido lido. Nem devolvido. Eu tinha sido a última pessoa a abrir esse livro.
Para nós, foi como um elo entre o passado e o presente que se fechou. Exatamente como no filme.
- Chico, eu pensei várias vezes em doar esse livro - Ela tinha os olhos cheios d’água - mas acabava sempre colocando ele de volta na estante sem saber exatamente por quê.
Larguei o livro sobre a mesa, afinal era só um livro velho, e abracei-a com um sentimento inédito de que alguma coisa tinha sido definitivamente resolvida, que nós dois juntos tínhamos dado um passo irreversível.
Destino ou coincidência, tanto faz. Mas quem pode negar que os anos todos que passei procurando em vão Nem Só de Caviar Vive o Homem não foram para que eu o encontrasse nas mãos da mulher que amo? Quem pode dizer que, mesmo sem ter o menor interesse nesse tipo de literatura, ela não guardou esse livro por que sabia que eu viria buscá-lo? Quem sabe não foi essa procura que me levou a estar naquela esquina exatamente na hora que ela também estava?
Até esse dia, se eu estivesse preenchendo um formulário que perguntasse se eu sou crente ou cético, marcaria a segunda opção com toda segurança. Mas depois dessa experiência de encontros e reencontros, de histórias de vidas se esbarrando em esquinas e livros ressurgindo intocados do passado, confesso que hesitaria alguns segundos antes de marcar. Continuo cético, mas que alguém está trabalhando muito para mudar minha ficha, não tenho a menor dúvida.

Fim

Se você quiser ler essa história desde o começo clique aqui.

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13.10.08

A esquina e o livro - Parte 3

Esta é a terceira parte da história de uma food novel que voltou do passado. Se você não leu os capitulos anteriores, clique aqui.
A segunda parte acabou assim:
"Talvez o leitor considere isso tudo um exagero, tratar a procura por um livro que não tem nada demais como uma caçada e valorizar seu achado como se fosse a conquista de uma medalha olímpica, ou uma descoberta arqueológica. Mas ao final dessa história espero que, se essa impressão existe, ela seja completamente eliminada, pois o que aconteceu depois que abri o livro justifica plenamente as expectativas que criei."
E continua assim:

A esquina e o livro
Parte 3
Vinte anos atrás quando me emprestaram, “Nem só de Caviar...”, já era um livro bem usado, com as orelhas rasgadas, a ortografia desatualizada, e que já tinha vendido mais de um milhão de exemplares, coisa que antes dos livros de auto-ajuda e de Paulo Coelho, era uma marca considerável. Lembro vagamente que o livro não era do amigo que me emprestou, era um re-empréstimo, se existe esta expressão, de alguém com quem eu não tinha tanta intimidade assim.
Naquela época Cláudia e eu éramos colegas de faculdade e vivíamos um na casa do outro fazendo trabalhos, estudando e vagabundeando como todo universitário que se preza.
Depois de formado me mudei para o exterior e fiquei com minhas coisas metade lá e metade aqui sendo que geralmente uma coisa que eu precisava aqui estava na metade de lá e vice-versa. Quando voltei para o Brasil, por um tempo tudo continuou meio espalhado entre amigos e parentes. Com Cláudia, já não tinha mais contato algum.
Nesses quase dez anos que passamos separados, nunca nos esbarramos, nunca a vi passar na rua, não sabia o que ela fazia da vida, tampouco tínhamos amigos em comum. Enfim, não tínhamos a menor idéia do que se passava com o outro até o dia em que esbarramos numa esquina. Agora que estamos juntos de novo, podemos ver que se as coisas não tivessem acontecido exatamente assim, não teria a menor graça.
Finalmente me recostei no sofá, abri o livro numa página qualquer para ver se lendo um trecho a trama surgiria automaticamente na minha cabeça. Não aconteceu. Não me lembrava de absolutamente nada. Alguma nesga de história emergiu quando li a primeira receita, mas era muito mais uma memória gastronômica que literária. Mas o melhor de tudo foi que o temido anticlímax não aconteceu. Já me deliciava com a narrativa bem humorada de Simmel (quem disse que alemão não tem bom humor?) e com as histórias do agente secreto Thomas Lieven quando Cláudia entrou em casa e me viu lendo com um sorriso no rosto. E ainda na porta, devolvendo o sorriso, disse:
- Eu já tinha visto gente esperar por um livro, mas um livro esperar por alguém, nunca.
Ela se aproximou, sentou ao meu lado e me abraçou. Nós já achávamos essa história impressionante o suficiente para ser escrita, mas nenhum dos dois sabia que o desfecho era o queainda  faltava para torná-la única.
- Nem sei bem o que esse livro está fazendo aqui. Tem um nome escrito nele, deve ser da dona, mas eu não tenho a menor idéia de quem seja ela.
Curioso, voltei até a primeira página e li as únicas palavras no livro, que não tinham sido escritas pelo autor:
- Rosa de Lourdes de A. Caldeira - Li silenciosamente. Reli em voz alta para que eu mesmo ouvisse: - Rita Caldeira.
- Pois é, não tenho a menor idéia de quem seja essa mulher. - Ela se recostou no sofá enquanto eu me levantava.
- Mas eu sei quem ela é. - Minha voz quase não saiu.
Dizer que eu estava lívido seria um exagero, mas a expressão no meu rosto deixou evidente o que estava acontecendo.
- Co-mo assim? - Ela se inclinou para frente e franziu a testa - Como você conhece a dona de um livro que está na minha casa há não sei quanto tempo?

Continua...
A história começa aqui.

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7.10.08

Eleições 2008 - Calma que não é nada disso!

Pelo segundo ano consecutivo, a Fernanda Thedim comete o que deve ter sido um deslize e de novo me convoca para ser jurado da edição especial Comer & Beber da Veja Rio, agora na versão 2008-2009. Pelo menos ela teve o discernimento de me manter quieto na seção Comidinhas para eu não destoar dos gourmets de verdade na eleição dos melhores restaurantes. Esperta, ela.
Mesmo correndo o risco de brigar com a Fernanda, esse ano não me omito e vou comentar os resultados, mas só das melhores Comidinhas. Não meto a colher em panela alheia.
Começo com uma comparação entre os eleitos e votados do ano passado com esse ano:


A primeira observação é a empada dando lugar ao temaki. Acho saudável a renovação e a atenção aos movimentos do mercado - os marqueteiros chamam de tendência - só não sei se trocaria uma categoria tão carioca e tradicional por outra que pode ser só um modismo. O tempo dirá.
A segunda observação é que alguns dos eleitos no ano passado não tiveram votos em 2008, é caso do café da manhã da Escola do Pão, que esse ano ganhou em Pão sem ter tido nenhum voto nessa categoria em 2007, e da Pavelka que ano passado levou o melhor salgado mas nesse ano nenhum voto sequer. Cervantes, Colher de Pau e Armazem do Café, campeões em 2007 nas suas categorias, só tiveram um voto cada um em 2008. Isso parece bom, mostra que os jurados - quase todos os mesmos do ano passado - deram uma circulada por aí. Foi o que eu fiz, mas nada tanto assim.
Repeti o Due, o BB, o Bazzar e o Kurt porque para mim são imbatíveis mesmo. Na primeira categoria não entendi como puderam eleger o Café Aquim como melhor espresso, pois lá servem o café em cápsulas da Nespresso da Nestlé tirado numa máquina feita só para elas. Um café que qualquer um, com dinheiro, claro, pode ter em casa. Se tivesse sido eleita a loja Nespresso, como aconteceu em SP, tudo bem. Mas com esse critério poderiam ter elegido várias residências da zona sul. Café não é só pó, não é só máquina, não é só barista. Aliás, não sei o que a classe dos baristas achou dessa eleição, mas eu não teria gostado nada.
Também não concordo com o Talho como melhor sanduíche. Lá você monta seu próprio sanduíche com os ótimos pães e recheios oferecidos. Mais um caso onde qualquer residência carioca poderia ter sido eleita. O BB é diferente, faz excelentes os sanduíches de sempre e tem um cheeseburguer que poderia tranquilamente ter sido eleito na categoria Hambúrguer.
O Bazzar só parece um voto estranho nessa categoria para quem nunca provou o hambúrguer que a turma da Cris faz. No Kurt não tem torta mais ou menos, são todas ótimas e no ponto de açúcar. Além disso tem sempre fresquinha minha torta favorita, a Saint Honoré, produto raro por aqui. O que mais precisa para ganhar meu voto?
Para mim, votar na Colher de Pau ou no Chez Anne é a mesma coisa. Antigas lojinhas que fazem doces bem feitos e sem grandes invenções há anos, o que é muito difícil. Até fui nesse Le Pain du Lapin e pedi um croissant - quem acompanha a gente aqui sabe que na primeira vez vamos sempre no básico - e não gostei. Uma padaria tipo francesa com um croissant fraco não é um bom começo. É mais ou menos o mesmo caso da Casa do Alemão e da Pavelka, o croquete de carne dos dois é tão bom quanto o de camarão do Braca. Aqui em casa a categoria Salgado daria empate triplo.
O café da manhã da Táta é realmente sensacional, tem meu voto também. Mas preferi votar no Lavoura porque lá é super relax, a cara do Jardim Botânico - e de cara para o parque - mesinhas na calçada, pães do Talho (tá explicado meu voto no pão de lá), bolo de fubá tão bom quanto o formigueiro da Táta e espumante para começar bem o domingo. Se ainda não foi, vá.
Saco nada de chocolates, mas não há vez que passe no Rio Design e não pague pedágio no quiosque da Cacau Noir. Nunca provei os da Envídia porque acho o nariz da loja muito empinado até para a Dias Ferreira. Mas quem sabe para o ano que vem?
Troquei meu voto de melhor sorvete para o Itália porque acho o preço do Mil Frutas um abuso. O sorevete é muito bom, mas R$ 7,00 por uma bola de sorvete de côco? A Sorveteria Itália tem sorvetes tão bons e variados quanto os do Mil, pela metade do preço. Era o caso de fazer uma degustação cega de sorvetes para comprovar. Pena que a loja da Itália que abriu aqui no JB feche cedo.
Para encerrar, as temakerias. Fui o único jurado que não pediu uma dupla Koni/Popfish, sem dúvida as temakerias mais cool da zona sul. A Pop não conheço, mas provei outras várias e a Maki Maki foi a que melhor me surpreendeu em sabor e criatividade sem afetação. Vale provar também a Pe'ahi. Vamos ver quantas dessas vão estar por aqui no ano que vem.
Mas acho que no final das contas ganharam todos. Só ser lembrado por meia dúzia de cariocas que andam por aí provando de café a temakis nessa bagunça que a nossa cidade se tornou, é uma enorme vitória. Só sinto falta de ver opções além do Rebouças - todos os vencedores estão em apenas três bairros e os votados em outros cinco. Talvez fosse o caso de regionalizar a eleição, com certeza seriam descobertas algumas pérolas.
O que importa é que agora começa a pesquisa para 2009. Ano passado, das doze categorias eu concordei com três vencedores, esse ano apenas dois. Um dia eu chego lá, vamos ver se a paciência da Thedim aguenta.

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4.10.08

A esquina e o livro - 2

Nessa segunda parte, Nem Só de Caviar aparece pelo telefone, mas a história só está na metade.
Se você não leu a primeira parte, clique aqui  e leia antes de continuar.

A esquina e o livro
Parte 2
Eu continuava sentado na beirada do sofá na casa da Cláudia com o livro ainda fechado, pensando todas essas coisas e lembrando que, no dia anterior mesmo, tinha visitado um sebo e procurado por ele. Durante pelo menos cinco anos fiz isso insistentemente. Não era uma busca insana, mas sempre que tinha uma oportunidade eu procurava o Nem só de Caviar. Algumas vezes encontrei a edição nova, que nem revisada foi depois de 1965 quando foi lançado pela primeira vez em português, ou então encontrava outros livros de Johannes Mario Simmel que eu não tinha a menor vontade de ler. Um exemplar de Nem Só De Caviar Vive o Homem velhinho só para curar minha expectativa, nunca.
No fundo eu até gostava dessa busca infrutífera, gostava de ter um motivo para entrar nos sebos e ficar catando o livro (comprei muitos outros assim), gostava de perguntar para as pessoas se haviam lido e se tinham para me emprestar. Enfim, era uma caçada saudável. Mesmo porque a qualquer momento eu poderia comprar uma edição nova e resolver de vez meu problema. Ainda bem que não fiz isso.
Pela Cláudia eu nunca procurei, nosso reencontro foi absolutamente casual, virando uma esquina demos de cara um com o outro e não nos separamos mais. Passamos dias e noites contando o que tínhamos feito nesses últimos dez anos, de como tínhamos mudado pouco fisicamente, e como nossas histórias pareciam terem sido escritas para que estivéssemos juntos ali, daquela maneira, naquele momento.
E foi numa dessas conversas pelo telefone que, falando dos livros que tínhamos ou não lido, ela inocentemente escreveu essa história.

- Tenho outro livro aqui, acho que vc também vai gostar - estávamos falando de um livro que eu tinha acabado de ler na casa dela e gostado muito. - Tem o mesmo jeitão desse que você leu agora.
- Qual é esse outro livro? - perguntei sem nunca imaginar a resposta que ela me daria meio segundo depois.
- “Nem Só De Caviar Vive o Homem”, conhece? - Ela não ouviu meu queixo caindo.
- Você está me dizendo que tem esse livro aí? - Definitivamente não estava preparado para encerrar minha busca dessa maneira, pelo telefone.
- Tenho, estou olhando para ele.

Cláudia só percebeu o impacto das suas palavras depois que soltei vários palavrões de felicidade e contei a ela - que, claro, não estava entendendo minha reação - a história da caçada que acabava de terminar. Confesso que só no dia seguinte com o livro nas mãos, consegui garantir que ela tinha mesmo acabado. Cheguei a pensar que tudo tivesse sido só um delírio meu.
Talvez a leitora considere isso tudo um exagero, tratar a procura por um livro que não tem nada demais como uma caçada e valorizar seu achado como se fosse a conquista de uma medalha olímpica, ou uma descoberta arqueológica. Mas ao final dessa história espero que, se essa impressão existe, ela seja completamente eliminada, pois o que aconteceu depois que abri o livro justifica plenamente as expectativas que criei.

Continua...

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29.9.08

Os Malfeitores

O Bistrozinho aqui não é conhecido exatamente por defender uma alimentação natural, equilibrada e sem excessos. Até diria que se tivesse que escolher algum lado, escolheria o oposto. Mas, ao mesmo tempo, a gente não é idiota e da mesma maneira que detesta ser enganado por empulhações gastronômicas, adora quando alguém usa seus dois neurônios para esculhambar com o que merece ser esculhambado. Principalmente quando isso acontece com um ícone da comida moderna.

Karen Hanrahan é uma professora de nutrição que ensina os pais a fazer seus filhos comerem melhor. Nessas aulas ela leva como exemplo - mau exemplo, claro - um hambúrger do Mc Donald`s para mostrar que ali não há nada nutritivo, que é pura química, que não acrescenta nada à saúde de ninguém e aquele blá-blá-blá que todos nós conhecemos. Até aí, vocês dirão, nada de novo. O ponto interessante é que o hambúrguer que ela leva para suas aulas foi comprado em 1996 e é um desses dois aí da foto. O outro é fresquinho. Alguém sabe dizer qual deles tem 12 anos?
Pois é, contra fatos não há argumentos.

Embora pareça presunçoso querer juntar num mesmo post, boa alimentação e Anthony Bourdain (quem acompanha a carreira dele sabe do que estou falando) reproduzo aqui um parágrafo do seu último livro, Maus Bocados, de onde tirei o título desse post:

Da próxima vez que se encontrar parado, de queixo caído e faminto diante de um balcão de fast-food - e se houver um palhaço por perto -, simplesmente gire os calcanhares e se dirija para o operador independente, o lobo solitário mais adiante na mesma rua: uma casa de tortas, de fritas, de kebab, ou, em Nova York, um "carrinho de cachorro quente" em qualquer lugar que o proprietário tenha um nome. Mesmo essa amada instituição britânica, a chippie, é preferível ao negócio do palhaço; pelo menos você está estimulando o negócio local, individual, um empresário sensível às necessidades de vizinhança, em vez de um sistema ditatorial em que algum grupo de discussão num parque industrial em Iowa decide por você o que você vai ou deveria querer comer. Bacalhau frito ou linguado com vinagre, haggis com molho de curry; eles podem não ser o ápice da alimentação saudável, mas ao menos são nativos de algum lugar - e, se engolidos com bastante cerveja ou Irn-Bru, são bastante saborosos. A casa de kebab faz comida que é, ao menos, fresca, e um shawarma de carne bovina não requer adição de aroma de carne para ter gosto de comida.
Sempre que possível, tente comer comidas que vêm de algum lugar, de alguém. e pare de comer demais.

Anthony Bourdain não é exatamente o exemplo de alimentação saudável, ele até faz questão de se apresentar assim e nem acredito que ele faça tudo o que diz, mas que ele escreve e come bem, isso ele faz.

PS: O hamburger mais velho que do que o meu sobrinho é o da esquerda. Parece até mais apetitoso que o da direita, não?


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24.9.08

A esquina e o livro - 1

Embora livros de culinária e gastronomia pipoquem quase mais do que os de auto-ajuda, há um tipo - que os americanos chamam de food-novel - que não é muito encontrado por aqui.
Food-novels são ótimos tanto para quem já gosta de comida como para incentivar os tímidos a começar a gostar. Em geral são romances ao redor de um prato, uma região produtora de algum vinho, de um produto, chef ou restaurante. Juntam duas das coisas que eu mais gosto, o que é fabuloso. Acho até que comecei a me interessar por comida lendo um romance desses, talvez antes mesmo de existir essa classificação.
Mesmo fugindo um pouco, só um pouco, da linha editorial do Bistrô e lançando o primeiro post em capítulos daqui deste humilde espaço, quero contar para vocêss a história desse livro. Não a história que o livro conta, mas a minha história com esse livro. Começa assim:

A esquina e o livro
Parte 1

Toquei nele com mãos de felicidade. Sorriso nos lábios, antes de abrí-lo fiquei pensando quanto tempo tinha investido na procura daquele título pelos sebos, feiras e amigos nos últimos anos.
Hoje, de uma maneira que eu nunca poderia imaginar, caiu nas minhas mãos esse livro que há pelo menos uma década queria tanto reler. Mal sabia eu que além da trama escrita, de um agente secreto gourmet durante a segunda guerra, aquele monte de páginas amareladas tinha a sua própria história e eu como um dos protagonistas.
A primeira vez que o li tinha uns vinte e poucos anos, quase vinte anos atrás. Apesar de não ser um daqueles clássicos, vendeu e continua vendendo bem até hoje. Lembro-me que gostei muito da história que mistura ação, viagens e gastronomia. “Nem Só de Caviar Vive o Homem” não é um livro fundamental, mas reúne muitos elementos que dão prazer ao leitor e, para um projeto de escritor como eu, analisar a técnica de um best seller é um ótimo exercício. Melhor ainda quando trata de assuntos como viagens e gastronomia que me interessam independente de estarem dentro de um bom livro ou numa revista de banca de jornal. Foi a lembrança de um texto que amarrava tão bem esses temas, que me fez tentar reencontrá-lo durante tanto tempo.
Um aspecto interessante da minha busca foi que eu não queria encontrar uma edição nova, mas sim um livro usado por um motivo muito simples: não queria gastar dinheiro num livro que era só uma grande expectativa pessoal; e se ela não fosse correspondida, se eu, na terceira página, me perguntasse o que estava fazendo com aquele monte de papel na mão? Seria o próprio anticlímax, total frustração. Muito mais divertido continuar procurando em sebos, com a memória não muito clara de um bom livro. Hoje vejo que ter mantido esses princípios valeu muito à pena. Vocês vão concordar.
Pensava nisso tudo com o livro nas mãos, sentado no sofá da casa da minha namorada. Nós dois estamos juntos há pouco mais de cinco meses, mas nos conhecemos há mais de vinte anos. Naquela época fomos algo mais que simples amigos, éramos os melhores amigos, unha-e-carne. Depois de anos de amizade intensa, algum motivo nos separou e nos manteve assim por quase dez anos.
É apenas uma coincidência que eu a tenha conhecido na mesma época que li o "Nem Só...", como é apenas coincidência eu estar aqui sentado na casa dela com um exemplar usado do livro que procurei por tantos anos. Mas esta é uma história onde a coincidência, ou o destino, é outro protagonista.
A verdade é que eu tinha apenas uma vaga idéia de como o livro havia chegado pela primeira vez nas minhas mãos e da história que ele contava. Lembrava apenas que era sobre um elegante agente secreto que, entre uma missão e outra, prepara pratos elaborados, descritos com detalhes, e que de alguma maneira lhe ajudam a resolver seus problemas. Isso bastava para eu querer tanto relê-lo.
Com Cláudia, minha namorada, foi um pouco diferente. Eu me lembrava muito bem dela, de como éramos amigos e confidentes. De como anos atrás vivemos um romance curto, mas intenso e de como eu sentia falta da minha grande amiga. E da mesma forma que o livro, imaginava que ela também poderia ter mudado muito nesses anos, mas como não tinha expectativa nenhuma de encontrá-la, o pior que poderia acontecer nesse caso seria um simples desapontamento. Eu poderia olhar para ela e só reconhecê-la fisicamente sem ver nenhum traço do nosso passado. Felizmente, o que aconteceu não foi nada disso...

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24.8.08

Yakisoba dos Bee Gees

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28.7.08

K, de Ketchup

Enquanto a Luciana - como sempre muito mais chique que nós - fala de Kaiseki, a gente aqui vai no popular mesmo. Para retomar o ABC do Bistrô em grande estilo, escolhi um tema internacional, presente em praticamente todas as geladeiras do mundo e amado por adultos e crianças, gourmets ou não. Mas o melhor de tudo é que é um assunto controverso ainda mais quando tratado em um ambiente gastronômico como supostamente pensam que é o Bistrô Carioca. Então, exatamente por isso, o ketchup está no lugar certo.
Assim, de cara, ketchup é um molho a base de tomate e condimentos que misturados trazem aquele sabor temperado/doce característico seu. Mas hoje ketchup é um produto que, apesar de tipicamente americano, ganhou o mundo todo e tem uma infinidade de versões e sabores diferentes sendo apresentadas com o mesmo nome. Nessa linha de pensamento ele estaria no mesmo grupo da pizza e do hambúrger, comidas globalizadas, que ganharam cores próprias em cada região do mundo. Mas antes de falar das varições, temos que conhecer o básico, o original.
Não é estranho que o ketchup tenha vindo da China, ainda sem tomate, no século XVII trazido por marinheiros ingleses que, bem no estilo inglês de temperar a comida, acrescentaram nozes e cogumelos na sua receita que continha molho de peixe, condimentos e vinagre. Só cem anos depois, quando já tinha chegado nos Estados Unidos, é que ele ganhou tomates na composição e o mundo. Hoje, há desde versões com banana, curry e manga até receitas criadas por chefs como a que o Claude Troisgros fez com goiabada para temperar camarões grelhados. Dilícia.
Mas não dá para negar que sua alma é popular e que o ketchup está fortemente ligado à comida de rua e ao fast-food. Ele é fiel escudeiro da mostarda e da maionese em sanduíches, salgados e até pizzas. Para mim, mesmo com o nosso Cesar Maia tirando o prazer de espalhar o tempero com aquelas bisnagas coloridas que foram banidas em nome de uma suposta higiene (e possivelmente em nome dos fabricantes de sachês), cachorro quente sem ketchup não existe. Pratos de verdade que harmonizam muito bem com ketchup em geral são carnes grelhadas de porco e galinha que pedem aquele picante adocicado que puxa o sabor. Ketchup também já puxou muitos sabores de estrogonofes, coquetéis de camarão e molhos diversos que sem sua ajuda definitivamente não seriam tão populares.
Esse sabor todo vem de mais de uma dezena de ingredientes que entram na sua composição. Numa receita "normal", além dos tomates há alho, vinagre, cebola, pimenta, cebolinha, canela, aipo, mostarda e açúcar branco e mascavo. Impossível não ficar bom.
Mas como tudo na vida, é importante ter opções. Sinônimo de ketchup é Heinz. A marca americana, com 130 anos, é a maior fabricante do mundo e além dos mais de cinquenta sabores diferentes tem versões low carb, low fat, low sugar, kosher e orgânico para acompanhar aquelas batatas fritas, hot-dogs e hambúrgueres tão saudáveis.
Sabe-se lá como, o ketchup ainda não sofreu o fenômeno típico de gourmetização, quando produtos populares de um momento para o outro ganham status de iguaria e, consequentemente, grandes especialistas que vão dizer que o que comemos felizes até agora nunca foi ketchup. Enquanto esses caras não aparecem, fico de olho na minha geladeira para garantir que meu ketchup está lá no lugar de sempre.

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19.7.08

Saudades, Lulu

Quem acompanha o movimento dos restaurantes cariocas já sabe que o Lulu no Jardim Botânico mudou. Sabe também que agilidade não é o forte do Bistrô e que aqui a proximidade de um restaurante é em geral inversamente proporcional ao meu movimento de ir até lá. O que não quer dizer de jeito nenhum que tenho uma atração especial por restaurantes longe de casa, muito pelo contrário, quanto mais perto melhor. Se você entendeu essa (in)coerência minha, vai entender direitinho o que tenho a dizer sobre o ex-Lulu.
Lulu era um restaurante bastante bom em vários aspectos: bom menu, boa comida sem afetação, serviço legal, fácil acesso e, apesar de tudo isso, sem filas. Aí entraram novos sócios, fizeram uma reforma que mudou a porta de entrada e deu uma ótima varanda de esquina, diminuiu o bar, aumentou a quantidade de mesas no segundo andar e cobriu um pedaço do terraço no terceiro. Alguns pratos ficaram no cardápio ao lado de outros novos e, então, um belo dia, Lulu renasceu de nome novo. Lulu agora é Lorenzo.
Terça-feira estivemos lá para conhecer a nova casa, e mesmo antes de entrar tivemos uma boa e uma má impressão. A boa é que a varanda ficou ótima, impensável uma esquininha daquelas sem varanda. Pode até virar point do bairro para uma bebidinha. A má impressão foi que tinha fila mesmo com mesas vazias lá dentro como descobrimos logo depois. Esse desencontro se repetiu ainda duas vezes na noite.
Desacostumados a ver o Lulu cheio como estava, já de cara bateu aquela decepção de não ser mais um restaurante tranquilo, mas agora Lulu é Lorenzo e tínhamos que lembrar disso, embora o cardapio não ajudasse muito. Nem o carápio nem o couvert que continua ótimo com foccaccia, grissinis, azeite, alho assado inteiro e rabanetes. Pedimos duas taças de espumante como sempre fazíamos mas, ao invés de voltar com a bebida, o garçom voltou com a carta de vinhos para dizer que não havia mais espumante em taça mas tinha uma mini garrafa que servia dois copos. O mesmo aconteceu logo depois com o copo de Cabernet que tinha mas depois não tinha. Acabamos jantando só com espumante argentino mesmo. Aqui cabe um parêntese grave: Na carta de vinhos do Lorenzo não tem nenhum, repito, nenhum vinho nem espumante nacionais. Muito triste, quase vergonhoso só oferecer importados quando temos aqui vinhos e principalmente espumantes melhores em qualidade e preço do que muitos dos oferecidos na carta. Dá vontade de jantar com cerveja só para protestar.
O cardápio do Lorenzo ainda tem aquele jeitão de “comida italiana moderna mas nem tanto" do Lulu agora ao lado de pratos típicos de bistrô francês. Uma incoerência apoiada na simplicdade das duas cozinhas regionais, que para mim faz todo o sentido. O menu é muito bom, estão lá destacados vários pratos remanescentes do Lulu como o confit de pato, risotos, o cabrito e algumas sobremesas. Mas o tartar de legumes com queijo de cabra que fazia enorme sucesso na nossa mesa, sumiu.
Eu acabei escolhendo o mais básico dos pratos de bistrô francês, medalhão de filé com molho bernaise e batatas fritas, pois acredito que é na simplicidade que reconhecemos um bom restaurante. A madame, com seu talharim com camarões e rúcula, não foi muito mais longe do que eu. Mesmo assim, sem querer abusar, sem buscar nada além de uma comida básica na linha que a casa se propôs, chegamos juntos à mesma opinião sobre os pratos: sem graça.
O dela ainda tinha mais oportunidades para os sabores que acabaram por não aparecer. No meu o filé e o molho estavam corretos mas as batatas fritas eram quase um desastre. O prato mal arrumado e sem nenhuma decoração não era nem um pouco apetitoso. Não me lembro de ter pedido sal ultimamente em nenhum bom restaurante, mas no Lorenzo não deu para escapar. Batata sem sal é demais.
A sobremesa tampouco agradou. A torta de limão siciliano era muito forte para ser servida à sêco no final de uma refeição. Dividimos mas não conseguimos terminar. O serviço, apesar de simpático, foi um pouco confuso e desatento. E a conta de R$160,00 acabou sendo alta para a experiência.
No final ficou parecendo que Lorenzo não quer largar Lulu mas ao mesmo tempo quer mudar de vida, se abrir para a rua, experimentar coisas novas. Esse dilema, evidente no cardápio e na reforma que a casa sofreu, parece agradar à clientela, eu incluído, mas na cozinha Lulu e Lorenzo têm que se entender melhor.
Até cogito voltar ao Lorenzo para comer na varanda umas ostras com um chablis - ou uma cerveja se eu estiver num dia patriótico - mas, no fim da noite, o que ficou foi mesmo foi a saudade do Lulu.

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2.7.08

Dois programas imperdíveis

Degustações de vinhos e jantares com menus especiais viraram figuras fáceis no calendário gastronômico carioca. Mas a verdade é poucos desses eventos valem à pena. São raras as degustações de vinhos que não tem o objetivo de vender garrafas e mais raros aindas os jantares diferentes, com novos sabores, sem firulas e que não custem os olhos da cara. Por isso, este humilde blog cumpre o dever de recomendar dois programas desses que entregam mais do que prometem, divertem muito e cabem no bolso com prazer.

Terças Catalanas no Garden - o simpático restaurante do Jardim de Alah promove todas as terças um jantar com pratos catalães de verdade. De entrada você vai poder escolher entre Ovos com Sobrassada e Mungetes amb Butifarra, eu ia querer os dois. De prato principal, o Fideuá de frutos do mar ou o Fricandò de Vitela, e de sobremesa Mel i Matò ou Crema Catalana. Tudo por mais do que honestos R$ 49,00. Nem vou explicar o que é cada um aqui para não estragar a surpresa, mas posso garantir que esses pratos fazem uma verdadeira fotografia da tradicional comida da catalunha, aquela que os catalães comem todos os dias e que faz os turistas voltarem para provar mais. Façam já uma reserva.
O Garden fica na Rua Visconde de Pirajá, 631 - Ipanema. Tel/Fax: (21) 2259-3455.

Degustação cega do sul da Itália no Bazzar - É de longe o melhor evento de degustação de vinhos para leigos da cidade. Primeiro porque é às cegas, o que torna tudo muito mais divertido e educativo. Segundo porque o Bazzar não é uma loja de vinhos e o objetivo da degustação é exatamente descobrir o paladar dos clientes para ajudar a montar a carta do restaurante. Quem comanda tudo é o craque Célio Alzer que com enorme simpatia e conhecimento faz do evento uma verdadeira aula sobre vinhos. Claro que além dos vinhos a Cristiana organiza tudo e prepara sempre um comidinha deliciosa para forrar o estômago.
Ontem estive lá provando às cegas tintos argentinos, chilenos e uruguaios. Foi como sempre muito divertido com todos tentando justificar suas adivinhações sobre qual vinho estavamos provando. Para vocês verem como o Célio é bom na explicação, eu acertei todos os cinco vinhos da noite :)
A degustação de vinhos do sul da Itália vai ser dia 19 de agosto e as reservas podem ser feitas pelo email bazzar@bazzar.com.br. Não perca. O Bazzar fica na Barão da Torre, 538 em Ipanema.

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22.6.08

A Senhora de Toses

Uma fábula infantil, que tem tudo a ver com o que a gente pensa e discute aqui, retoma as atividades do Bistrô que andou meio em banho-maria nos últimos tempos.

Diz a lenda, que em um país muito distante, do outro lado do oceano atlântico, no topo de uma linda montanha, ao lado de um pequeno vilarejo cercado de parreiras, havia o belo Castelo de Toses. Sua dona era uma rica senhora para quem, de tão acostumada ao luxo e à boa vida, qualquer refinamento lhe parecia pequeno.
Muito gulosa, a boa mesa era sua perdição. A Senhora de Toses só gostava dos acepipes mais raros, dos pratos mais elaborados, dos preparos mais complexos. Poucos cozinheiros suportavam suas exigências por ingredientes cada vez mais incomuns para satisfazer seu exigente paladar. Os grandes banquetes que promovia eram conhecidos em toda a região pela fartura e riqueza dos pratos servidos. Parecia que a fortuna da Senhora de Toses era sem fim.
Certa vez, um dos cozinheiros, exausto de tentar agradar sua senhora, a convenceu que cérebros de canários eram uma iguaria finíssima e muito apreciada na realeza do país. A Senhora de Toses deliciou-se com o prato até que seu principal ingrediente não mais pudesse ser encontrado. O cozinheiro também não foi mais visto nas cozinhas do castelo.
Veio outro que serviu um ensopado que a Senhora achou magistral. Perguntado sobre o que dava aquele paladar tão único ao prato, o cozinheiro disse que o sabor apreciado vinha das carnes especialmente selecionadas de carneiros negros, mas somente os negros, usadas no seu preparo. Desde esse dia a Senhora não aceitava comer nada diferente do delicioso ensopado. Em pouco tempo acabaram-se os carneiros negros do seu rebanho e depois os dos rebanhos vizinhos.
O ingrediente ficou tão raro e caro que a Senhora de Toses começou a vender suas posses para poder trazer de longe os carneiros negros necessários e assim satisfazer a sua interminável gula. Acabou por arruinar-se completamente. Seus credores e fornecedores ficaram com os poucos bens que restaram. Inclusive o seu castelo.
Pobre e sem nada para comer, a antiga Senhora de Toses teve que mendigar pelo vilarejo que um dia foi todo seu. Em uma das casas onde pediu comida lhe deram um pedaço de pão e um punhado de nozes.
Enquanto comia aquele simples pão com nozes as lágrimas corriam pelo seu rosto. Quando alguém passou e lhe perguntou o que estava acontecendo, ela respondeu lembrando-se do seu infortúnio: “Se eu soubesse que era tão bom pão com nozes, eu ainda seria a Senhora de Toses”.
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Esta é uma fábula tradicional na região do Alt Penedés na Catalunha - onde o castelo e a família Tous existem, eu já estive lá - e foi livremente adaptada para o português. Se quiser conhecê-la no original, clique aqui.
A ilustração é da Manu.


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23.4.08

Prazeres destrutivos

Um dos grandes prazeres que o Bistrô me dá é poder presenciar, às vezes até participar, da derrocada de paradigmas gastronômicos de qualquer tipo e tamanho. Tudo bem que de vez em quando eu dou um empurrãozinho, mas é sempre pelo prazer das minhas leitoras.

Por isso mesmo poucos assuntos me dão mais prazer do que falar de vinhos, mais precisamente dos quase sempre ridículos conceitos, rituais, harmonizações, regras e demais preceitos que pautam tão rigidamente o mundo dos vinhos. Acho mesmo que existem pessoas influentes que tentam solidificar essas regras para manter seu mundinho de cabernets e bourgognes intocado e a salvo de curiosos ignorantes como eu. Ainda bem que tem gente que faz o contrário.

A empresa francesa, sim, francesa, WineSide resolveu "engarrafar" bons vinhos de forma diferente. Um tubo de ensaio com tampa de rosca - só pela tampa alguns já diriam que é uma heresia - guarda vinhos como Chateneuf du Pape, Pomerol e outros clássicos em volumes de 60 e 100ml perfeitos para quem quer apenas provar um vinho sem ter que comprar a garrafa. Fácil de levar, refrescar e usar, eles oferecem caixas com tubos de vinhos diferentes de um mesmo tipo de uva, safra ou região. É amostra grátis de vinho sim, porque não. Só que não é gratis e por enquanto só vende na Colette em Paris. Chique pacas.


Outro desmonte foi feito por uma empresa americana que, indo na direção contrária de algumas vinícolas que passaram a oferecer seus vinhos em embalagem tipo tetra pack como acontece com os sucos de frutas, passou a engarrafar, em garrafas de vidro mesmo, sucos de uva como os vinhos. Acontece que esses sucos são de uvas varietais tradicionalmente usadas para fazer vinho. São sucos de Merlot, Cabernet e Chardonnay. Além de ter todas as propriedades anti-oxidantes do vinho, esses sucos da First Blush podem e devem ser consumidos por crianças numa primeira aproximação das esquisitices que elas conhecerão quando trocarem para as garrafas de rolha. O problema vai ser a precocidade:
- Pô mãe, esse chardonnay não combina com meu bifinho! Quero merlot!

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14.4.08

Guia Destemperados Serra Gaúcha ‘08

A dupla destemperada Diego Fabris e Diogo Carvalho, além de serem gente finíssima e referência para quem vai à Porto Alegre e está afim de saber onde e o que comer, lançam mais um guia pocket que o Bistrô não poderia deixar de indicar. Depois do sucesso do Guia de Punta del Este Verano ’08, agora é a vez da Serra Gaúcha ser lembrada, com mais de 30 dicas das experiências preferidas da dupla.
Pra entender melhor o que a dupla faz e o que encontrar no Guia da Serra Gaúcha, preparamos algumas perguntas que você certamente vai se fazer. E, claro, suas devidas respostas.

Mas afinal, o que é “Destemperados”?
É uma multi-plataforma de experiências gastronômicas que traz dicas de restaurantes, bares e afins do mundo todo, em 3 meios de comunicação diferentes: no blog destemperados.com, em guias pocket regionais (como o de Punta del Este, lançado no último verão), e na rádio Itapema Fm, com dicas diárias ao meio-dia.
Qual é o foco dos Destemperados?
Cool food experiences. Isso é o que a gente tenta trazer todo o dia para as pessoas. De uma forma próxima e verdadeira, contamos nossas experiências gastronômicas ao redor do mundo.
Vocês avaliam os restaurantes e bares? É isso?
Não. A gente não avalia os lugares porque não somos especialistas em nada. Somos dois consumidores que, sentindo falta de um conteúdo atraente e verdadeiro, resolveram contar suas experiências.
E por que fazer um guia pocket da Serra Gaúcha?
Da mesma forma que o de Punta, o guia pocket foi criado para facilitar o acesso das pessoas à boa mesa. E agora, com a chegada do frio, todas as atenções se voltam à serra, essa região fantástica que tem na gastronomia um dos seus maiores atrativos.
Que diabos vocês dois meninos fizeram então?
Ué, nós experimentamos todos os restaurantes e clicamos os pratos, ambientes e detalhes de cada lugar. Só assim, depois dessa maratona, é que nos sentimos à vontade para apontar as experiências mais interessantes, na nossa opinião.
Quem banca esse projeto?
São marcas de produtos e serviços do Brasil todo que têm interesse no público apaixonado pela gastronomia. É importante ressaltar que os restaurantes que estão sendo indicados não guardam qualquer relação comercial com o guia. Estão ali porque merecem. Este guia foi apoiado pelas marcas: Casa da Montanha, Cave de Amadeu, Datelli, Giardino di Pietra Hotel, Vinícola Perini, Vinícola Pizzato, Savarauto, Sexton, Spirito Santo, Studio Posturale, Vallontano Vinhos Nobres, Varanda das Bromélias Boutique Hotel, Villa Europa & Spa do Vinho Caudalie, e Vinhos do Mundo.
Com quantas dicas o guia conta?
São 34 dicas relatadas com fotos e textos, além de informações de contato para outras 12 boas dicas. No blog destemperados.com, você encontra muitas outras da região.
E como essas dicas estão divididas?
Pelas cidades onde se situam, como: Canela, Caxias do Sul, Gramado, Nova Petrópolis e Vale dos Vinhedos. E ainda contam com sugestões de como aproveitá-las melhor: pra ir à dois, pra ir com família ou pra ir com a galera. Mas são apenas sugestões, não as leve tão a sério.
Como eu faço pra conseguir um guia desses?
Os 20.000 exemplares dos guias serão distribuídos gratuitamente em diversos locais estratégicos, de diferentes cidades como Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Gramado. Todos os pontos de distribuição estão no blog http://www.destemperados.com/ . Mas se você não tem acesso a um desses locais, nos mande um email que a gente dá um jeito. No Rio, o guia está disponível no Carlota e no Esch Café, por enquanto.
Se você quiser mais informações a respeito do Guia da Serra Gaúcha ou dos Destemperados, escreva pra o Diego e Diogo no destemperados@gmail.com.

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30.3.08

Nada a ver, mas tudo a ver

Eu acredito piamente que se cada um fizer pequenos gestos e tomar atitudes simples mas consistentes no seu dia-a-dia, podemos mudar o o bairro onde vivemos e mundo.
Eu não estaciono em cima de calçada, não faço aquele retorno fácil, mas proibido, para pegar a Lagoa aqui perto de casa e não sou sócio da Light como meu pai cansou de me ensinar na infância. São pequenas bobagens mas, se fazem diferença para mim, devem fazer diferença para mais um monte de gente.
Esse anúncio foi criado pela Y&R Wellington, da Nova Zelândia, para a ONG We Are What We Do promover o livro 'Change The World For Fifteen Bucks' (Mude o mundo por 15 pratas) foi uma dica do Blue Bus e resume bem o que penso e tento fazer.
Sei que por aqui temos coisas mais básicas e imediatas por resolver mas se cada um de nós não fizer um pequeno gesto que seja para ser mais civilizado no sentido coletivo da palavra - não basta ser civilizado dentro de casa - amanhã teremos muito mais coisas básicas e imediatas por resolver.

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15.3.08

Sushi Kin, SP

Quando o PF e a Mia me disseram aonde iríamos, cariocamente achei que o nome do restaurante era Sushiquim – tem um com esse nome no Rio – e como os paulistas tiveram a mania de copiar os botequins cariocas, achei que o restaurante poderia ser uma versão nissei dos botecos daqui. Na minha cabeça fazia todo sentido. Mas o que encontrei no Kin não tem nenhum elemento que nem de longe lembre o mais paulista dos quins cariocas.
O Sushi Kin é considerado por alguns como um dos melhores japoneses de São Paulo, fica no final da Rua Amaury, a Dias Ferreira paulistana, e é chique. Um belo jardim externo e duas recepcionistas nos recebem ao lado do chef no grande hall com iluminação e tons suaves de materiais naturais como madeiras e pedra que também funciona como um lounge com cadeiras e sofás confortáveis. A casa tem mais dois ambientes, um sushi bar e o salão principal onde cabem umas 70 pessoas. Ambos com a mesma ambientação natural e suave da entrada.
O serviço é nível paulista, muito atencioso, simpático no ponto e principalmente conhecedor que está servindo. Carioca até estranha.
Começamos com harumakis de pato confit com gengibre, com pouco gengibre, mas bem bonzinhos. Acho que essa massa de harumaki é uma das mais versáteis invenções da cozinha. Combina muito bem com legumes, camarão e, dessa vez, pato confitado.
No cardápio chamam a atenção as “Pizzas do Gordo”, que eu preferi imaginar que foi um erro de impressão, pois pizza e gordo são palavras estranhas a qualquer menu japonês. Mas deixei a curiosidade para uma próxima visita.
Depois dos harumakis escolhemos pelo que não conhecíamos; Batterá de atum: são com um sushi de arroz prensado no formato de um dado retangular coberto com atum cru e cebolinha. Saboroso, leve e fresco. Apoiados nesse sucesso, pedimos também o batterá de salmão que foi amplamente reprovado pelo excesso de maionese e pelo sabor de atum em lata. Média dos batterás: quatro e meio.
Os uramakis – enrolados com o arroz por fora – de salmão skin e camarão estavam frescos, um pouco soltos demais para o meu gosto, mas saborosos. O fiasco foi o sushi de atum com foie, uma mania relativamente nova nos japas chics – combinação que acho que foi inventada aqui no Sushi Leblon pelo Felipe Bronze – que no caso do Kin usa patê de foie e não o verdadeiro gras. Verdadeira decepção. A Mia, por pura gula, ainda comeu um temaki de atum para finalizar.
Acompanhamos tudo com umas ótimas Baden-Baden servidas no balde de gelo, como sempre deveria ser servida uma boa cerveja, e arrematamos com cafés. A conta de R$ 240,00 para três pessoas não assustou. O que assustou foi na saída encontrar nada menos que quatro Porsches pretos novos estacionados na porta do restaurante. Foi ali que eu tive certeza que estava em São Paulo.
O Kin paulista me pareceu um bom japa, muito bem instalado, com alguma criatividade na cozinha, um pouco pretensioso como deve ser quem se instala na Rua Amaury, mas sem nada demais. A todo o momento comentávamos como o Shushi Leblon é melhor.
No final das contas, para quem pensava que ia num botequim nissei, o programa foi bom, mas o mistério sobre o que faz a tal Pizza do Gordo no menu de um japa chique da Amaury vai continuar.

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28.2.08

Design e gastronomia

Ano passado a Carolina e a Juliana, da Malagueta Comunicação, me convidaram para participar de uma mesa redonda com um tema muito diferente: Design e gastronomia. Fui muito pela curiosidade de saber como esses dois assuntos poderiam se unir num debate entre sociólogos, enólogos, chefs, gourmets e até um blogueiro. Mas no final foi um dos eventos gastronômicos mais interessantes que participei em 2007.
Com a moderação do professor Enrique Rentería, discutimos os papéis e caminhos de pratos, receitas e embalagens de comida e bebida do nosso dia-a-dia com cada participante contando sua experiência no assunto seja como profissional ou apenas como curioso.
O Enrique, além de uma grande figura, é uma verdadeira enciclopédia de técnicas, histórias e sabores da gastronomia mundial.
A mesa foi o encerramento de um curso com o mesmo nome que volta a ser oferecido esse ano na PUC-Rio.
Segundo o professor, o curso, que dura três meses, é destinado a designers, sociólogos, antropólogos, jornalistas ,fabricante de alimentos e interessados em compreender o fenômeno da alimentação contemporânea.
"Tendo como ponto de partida que o consumidor desenvolve uma relação de afeto e necessidade com a comida, o design reconcilia-o com o alimento industrializado. Em nossa abordagem, Food Design compreende todas as etapas de produção, que a partir da especificação inicial de sabor e textura, leva o designer, através de uma receita regular, a disponibilizar o alimento numa embalagem em condições de armazenar e exibir".
Como buscar pontos de vista diferentes sobre a comida é uma das missões do Bistrô, a dica está dada e recomendada.
Design e Tradição na Gastronomia
Início: 17/03/2008, às segundas e quartas, das 19h às 22h
Inscrições: pelo site http://www.cce.puc-rio.br/ ou 0800 970 9556
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea
Valor: 4 parcelas de R$ 335,00

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24.2.08

Estômago 2.0

Enquanto chefs estrelados e outros nem tanto investem seu tempo criando, inventando e copiando na tentativa de encontrar a próxima modinha da gastronomia, mortais que gostam de comer e beber bem andam por caminhos muito diferentes.
O título desse post foi inspirado no termo WEB 2.0 criado para diferenciar este novo momento da internet onde a colaboração e a personalização tomaram o lugar da pasteurização reinante até então. Os blogs e redes sociais como o Orkut e o LinkedIn são os exemplos mais próximos da 2.0.
Ao contrário dos seus primórdios, onde a internet se espelhava no mundo real para ser construída, hoje é esse mundo que usa conceitos típicos da web para criar negócios e serviços. Até com comida, vejam só:
Minha pizza primeiro: A Domino's americana criou um serviço onde você pode montar sua pizza personalizada de acordo com os componentes e tipos de massas oferecidos no site ou por telefone. Até aí nada de mais. O bacana é que o cliente pode dar um nome à sua criação e deixá-la disponível no site da pizzaria para qualquer outro cliente mais preguiçoso, mas também em busca de novidades, pedir. Mais bacana ainda é que a empresa cria um ranking das invençoões mais pedidas confirmando o sucesso de algumas combinações inesperadas. Colaboração, personalização e socialização, tudo acabou em pizza.

Chocolate com feedback: Imagine ter o poder de interferir na composição de um chocolate de primeira linha fazendo-o cada vez melhor? Essa é a idéia da TCHO que produz chocolates premium - produz mesmo, não apenas derrete e molda chocolates feitos por outros - em São Francisco.
A TCHO traz a web no seu DNA, foi criada por um dos fundadores da revista Wired, a bíblia de quem gosta de tecnologia e inovação (não é a primeira vez que cito a revista aqui), e além de convidar seus clientes a opinar sobre seus chocolates, é capaz de usar essas opiniões para lançar novas composições e blends a cada 36 horas. Colaboração, personalização e velocidade de atualização numa empresa que produz chocolates. Quem teria imaginado isso antes da internet?

Sai prá lá, Michel Rolland: Dizem que o enólogo francês Michel Rolland é o culpado pela padronização dos vinhos no mundo. Parece que por ele um mesmo bom vinho pode ser produzido em qualquer lugar - terroir para quê? - desde que se possua o conhecimento e a tecnologia necessária (que provavelmente são vendidos por ele). Dizem que por isso os vinhos em geral hoje são mais encorpados, alcoólicos e com mais tanino do que antes. Seu melhor amigo é o Robert Parker.
A empresa Crushpad pensa diametralmente oposto e sua missão é transformar consumidores em criadores de vinhos. Para isso criou um kit com meias-garrafas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Malbec and Cabernet Franc produzidas em Napa, pipetas, cartões de aromas e fichas de controle para que qualquer entusiasta possa criar seu próprio vinho. Até aí nada de mais. O bacana é que depois de você criar seu próprio vinho, a empresa pode criar uma marca e um rótulo e produzi-lo em pequenas quantidades para que você tenha em casa, ofereça em seu restaurante ou venda pela internet com a Crushpad cuidando de toda a logística de cobrança e entrega. Não é barato, o pedido mínimo é de 25 caixas e custa de $4.500 a $9.900, por isso muitas vezes grupos de pessoas se unem para criar e ter o seu vinho em casa. Algumas marcas criadas por clientes da Crushpad fizeram bonito em degustações profissionais provando que nem só o Rolland é capaz de fazer bons vinhos :) Personalização, colaboração e viabilização de um negócio real, de vinhos, pela internet. É ou não é muito bacana?

Imagine só: criar sua pizza, seu vinho e sua sobremesa, tudo on-line, mas tudo real. Isso também tem um nome muito ligado à web 2.0: Convergência. Nesse caso convergindo para o nosso estômago, nada mal.


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17.2.08

Dois anos do Bistrô

Hoje o Bistrô Carioca completa dois anos de vida.
Reconheço que nesse último ano diminuí um pouco o ritmo de postagens e por isso mesmo tenho um agradecimento especial aos fiéis leitores e leitoras deste humilde espaço que insistem em aparecer por aqui. Se não fosse por vocês....
Apesar de poucos posts, neste último ano tivemos entrevistas muito bacanas com três mulheres que mandam muito bem na cozinha carioca. Obrigado, Cris, Margarida e Roberta por estarem sempre por aqui. Pela primeira vez defumamos um salmão que fez um sucesso danado e começamos um ABC que não quer alfabetizar ninguém.
Esse ano também foi marcado pela extrema exposição do Bistrô na mídia. Primeiro foi convidado pela Veja Rio para ser um dos jurados da sua premiação anual e depois pelo Rio Show para julgar uma bateria do concurso Novos Chefs. Obrigado Fernanda e Luciana por mais essa!
Bem, o Bistrô entra no seu terceiro ano sem prometer nada além de continuar tentando trazer para vocês um ponto de vista diferente sobre o que vemos, provamos, lemos e comemos.
Saúde!

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13.1.08

Roberta Sudbrack

O restaurante da Roberta Sudbrack é outro daqueles que de tão perto de casa a gente sempre deixa para ira a qualquer hora. Como essa hora qualquer estava demorando a acontecer, a gente foi lá e fez, a reserva, para o penúltimo dia de funcionamento da casinha laranja em 2007. O resultado é que se 2008 for como terminamos 2007 em matéria de comida boa, estamos feitos.
Acompanhados dos queridos Monica e Alexandre, a madame e eu abrimos os trabalhos com as brusquetas de tomate fresco, um poãozinho de gruyere e patê de campagne que já mostravam o sabor verdadeiro e a simplicidade rica que dominaram todo o jantar.
Jantar que começou com vários sabores em uma colher. Lichía recheada de foie gras e gelatina de Tokaj (Tokaj é um vinho doce húngaro). A colherada que começa doce termina sem percalços no sabor denso do foie gras numa combinação que nos fez pensar como alguém consegue imaginar que essa combinação de sabores e produtos tão diferentes pode dar tão certo. Claro que sabores tão opostos numa mesma colher pode não agradar a todos, mas ousadia e confiança no paladar dos clientes são caracteristicas dos grandes chefs.
Depois fomos brindados com um um aspargo cozido no ponto - aquele ponto perfeito que você nunca consegue fazer em casa - com um molho doce e picante com textura na língua e flores de couve que marcou o jantar. O favorito da noite para a Monica.

Uma cumbuquinha de madeira chegou na mesa com uma gema de ovo semi-cozida coberta por flocos que na hora identificamos com algum sabor da infância mas que na verdade era quinoa que nenhum de nós ainda tinha provado. Sucesso total.

A coisa começou a ficar mais séria com o cherne acompanhado de mini cubinhos de tomate fresco, azeite e coberto com flor de sal. Prato que ia ficando mais rico a medida que os sucos do peixe se misturavam ao tomate e ao azeite. A madame e eu limpamos o prato com pão.

O penúltimo prato antes da sobremesa foi um risoto molhado de galinha da angola com sabores tão suaves e familiares que eu sorria a cada garfada lembrando de novo da comida e dos cheiros da cozinha da minha infância. É incrível como um prato simples, sem invencionices, mas bem feito tem muito mais a oferecer do que espumas, sorvetes e essas coisas que a gente vê como alta gastronomia por aí.Até aqui nos acompanhou um senhor Cave Geisse Brut, dos melhores espumantes nacionais. Depois tomei um copo do ótimo branco da casa. A vasta adega privilegia os vinhos nacionais e foi criada pelo Johnatan Nossiter, diretor do documentário Mondovino, que, na minha opinião, como documentarista é um ótimo sommelier. Mas digressiono, voltemos aos pratos.
Um sucesso da casa completou essa primeira etapa do jantar. Leitãozinho preparado de uma maneira que deixa a carne suave e molhada enquanto a pele fica tão crocante que só dá para comer com as mãos. O purê de batatas que acompanha é perfeito na simplicidade total do prato. Cheguei à conclusão que eu nunca tinha comido torresmo na vida pois nenhum dos que supostamente me apresentaram com esse nome sequer chegam aos pés do que provei na Roberta.
Encerramos a noite com duas sobremesas: um bolo/suflê quente de cerejas frescas acompanhado de creme inglês divino, e um prato de docinhos com um eclair de morango, outro de chocolate, brigadeiro de colher e dois sudkri (aquele antiiiigo chocolate Kri recriado pela chef) de chocolate amargo e ao leite acompanhando os cafés e chás.


A Roberta consegue fazer uma cozinha que ao mesmo tempo que é contemporânea, moderna e rica, é simples, familiar e aconchegante. Conhecer os limites entre criatividade e invencionice, tradição e repetição e personalidade e auto-afirmação na comida é muito difícil, ainda mais em tempos tão autorais e marqueteiros como os que estamos vivendo na gastronomia. Mas a chef consegue.
Saí da casinha laranja pensando como era possivel que tantas lembranças saborosas tenham passado pela minha cabeça enquanto eu comia pratos tão simples e tão modernos. Não sei como ela faz, mas, se além dos prêmios de cozinha contemporânea que ela ganha por aí, houvesse um para cozinha tradicional, eu premiava a Roberta também.
Como diz a outra Roberta: vá lá!

Roberta Sudbrack
Av. Lineu de Paula Machado, 916 Jardim Botânico - RJ
Tel.: 21 3874.0139 (O restaurante reabre dia 16/1)


PS: Como dá para notar, as fotos do leitãozinho e dos chocolates destoam das outras porque não foram feitas por mim mas pelo Marcelo Katsuki, que esteve lá uma semana antes de nós. Como o cardápio da Roberta muda todo dia, vale ver o que o Kats provou também. Clique aqui. Arigatô Kats!

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10.1.08

Modinha

Para vocês verem que a gastronomia vive de modinhas: hoje no suplemento Zona Sul do jornal O Globo tem o quê? Reportagem sobre sorvetes nos pratos - não nas sobremesas - dos restaurantes cariocas. Tem lá sorvete de quê? De shoyu, azeitonas pretas e roquefort.....muito criativo, não é? Ovos com bacon já era....
Parece que passou um vendedor de máquinas de sorvete pela porta dos restaurantes, todo mundo comprou e como não dá para competir com o Felicce, Itália, etc. inventam essas coisas para usar o brinquedo novo.
Por favor não digam que isso é comida para o verão carioca porque aí já fica ridículo demais.

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