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25.10.17

Ella, a pizza

É sempre bom entrar em um restaurante e sentir o ambiente renovado, sem nenhum ranço da casa que estava ali pouco tempo atrás. Foi o que aconteceu comigo quando fui conhecer a Ella, a nova pizzaria no Jardim Botânico que abriu onde rapidamente foi o Ró. O lugar mudou pouco, mas a sensação é completamente diferente, principalmente pelo cheiro.

Comandada pelo fera Marcos Cerutti, dono do melhor pão do Rio na SpA Pane, e pelo pessoal do vizinho Puro, a proposta da Ella é fazer uma engenharia que permita oferecer uma percepção perdida por aqui nos últimos tempos, equilíbrio entre qualidade e preço, o famoso bom e barato, no menu e na carta.

A Ella é levemente iluminada com um tom amarelo fogo que combina com o aroma do forno à lenha no fundo do salão. Do bar pedimos um negroni e um boulevardier que, como qualquer drinque, são incomuns de encontrar em pizzarias. Mas a Ella herdou um belo balcão onde serve esses e outros clássicos além de criações próprias, como um bloody mary feito com o molho de tomate da pizza. Genial.

Nos pratos começamos pela burratta cremosa com foccacia de tomates, brotos e pesto de PANCs que estava perfeita. Ligeiramente morna, derrete sobre o pão. A partir de agora só como burratta assim, morninha.

Ao lado tínhamos o que já é um clássico do novíssimo restaurante, bordas para molhar o bico. São palitos grossos da melhor massa de pizza assados individualmente e acompanhados de três molhos: pesto, creme azedo e tomate. Excelente sacada que de tão simples fica óbvio porque ninguém tinha feito antes. Foi quando os drinques terminaram e olhei a carta de vinhos que não chama a atenção pelo tamanho, o que é bom.

Enxuta, chama atenção mesmo pelos preços. O vinho mais caro custa pouco mais de cem reais. Há nacionais, italianos, argentinos e chilenos para todos os gostos. Tomamos um branco espanhol de Toledo bem leve que animou para o prato que chegou junto com ele.

Eram mais pedaços de borda de pizza, dessa vez recheados de queijo e acompanhados de um outro pesto, de ricota, alho e noz moscada, que lembra um alioli bem suave no visual e na boca. O prato não está no menu, mas deveria. Vários sabores bacanas que juntos fazem muito bem ao coração. Classifico fácil como comfort food.

Já íamos pedir um repeteco quando chegou a pizza.

Claro que a escolha foi pela mais básica, pois é no simples que a qualidade tem que aparecer. Borda alta, muçarela de búfala e manjericão sobre um molho de tomate para comer de colher. Deu até vontade de provar o bloody mary da casa. Do tamanho de um prato grande, feita para comer com as mãos, massa leve, mas firme, fina, mas presente e as famosas bordas como arremate, foi a melhor pizza que provei nos últimos tempos e me lembrou a surpresa de quando comi na Capricciosa pela primeira vez quase vinte anos atrás. Quando novo um sabor te remete a outro completamente diferente é sinal de que foram ambos marcantes. É exatamente esse o caso.

A casa traz uma renovação natural e necessária nas pizzarias da cidade, não só pela sua massa e seus sabores, que são absolutamente clássicos por mais paradoxal que isso posse parecer, mas por trazer de volta um prato tradicionalmente acessível ao paladar e ao bolso que vinha sendo abusado por arroubos de criatividade cobrados nos preços.

A Ella conseguiu se diferenciar voltando ao básico, ao simples, trazendo de volta o protagonismo do conjunto redondo e não dos toppings (bleargh!) que domina a oferta de pizzas na cidade. Vida longa pra Ella, que já merece uma filial 😊
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Em 2006 eu já falava sobre novas e velhas pizzas na cidade, leia aqui.

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