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24.11.16

Verdes, jovens e maduros

Como todo mundo que compra vinho em supermercado deve ter percebido, de uns anos prá cá houve um aumento significativo na oferta de bons vinhos portugueses a bons preços. As razões podem ser várias, desde a crise na Europa até a melhora na percepção de que vinho português pop pode ser mais do que Dão, Periquita e Mateus. Essa percepção vem sendo (re)construída pelos produtores e importadores, talvez por necessidade, e nós saímos ganhando com isso. Eu já dei a largada.
Nunca entendi por que o brasileiro, e o carioca em especial, nunca foi ávido consumidor de vinhos verdes portugueses. Desconfio que é por causa do péssimo nome dessa denominação de origem que remete, para nós, a um produto que não está pronto, não está maduro. Uma pena, pois tratam-se de vinhos que são tão bons para nosso clima que até a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes percebeu isso e está promovendo sua divulgação por aqui.  Outro dia provei sete deles e saí inebriado com a versatilidade e frescor desse vinho que tem tudo para dar muito certo com os cariocas e sua gastronomia.
O primeiro foi um QM Alvarinho 2015 pouco seco e sem muito daquele pique que a gente tem na memória desses vinhos do Minho. Vinho simples e leve, sem grandes pretensões. Seguimos com um Quinta de Linhares 2014 com muito mais corpo e sem nenhuma nesga de mar tão comum nos verdes. Importado pela Premium chega aqui por um preço final tão bom que poderia estar em qualquer restaurante ou bar português da cidade representando com dignidade os vinhos da terrinha.
Um dos melhores vinhos da tarde foi o Aphros Daphne Loureiro 2011 que apesar do nome difícil é muito fácil de beber e que no primeiro gole pode passar até por um riesling antes de aparecer toda sua mineralidade. A Wine Lovers vende aqui.
O vinho mais próximo de um alvarinho tradicional, pelo menos na minha boca, foi o Ponte de Lima 2015, também de Loureiro, seco, cítrico e vivo como eu gosto. Pena que ninguém ainda traz ele prá cá. O Quinta do Regueiro 2012 que provamos depois é um vinho extremamente versátil, com corpo, acidez e nariz que confirmam que de verde só o nome. Vinho jovem, mas pronto e acabado que a Winemundi importa. Não perca a conta, faltam ainda duas garrafas.
A essa altura eu estava pensando que o Minho só é bom produzindo vinhos jovens e sem poder de guarda, quando a Gabriela apresenta o Portal do Fidalgo 2006. Kapow! Que vinho. Com 13,2% foi mais alcoólico e o melhor verde que provamos. Sem passar por madeira, manteve nesses dez anos todo o frescor dos jovens e ganhou uma complexidade que é ampliada depois de alguns minutos no copo. A Casa Flora tem o 2013 se você tiver paciência para guardar.
Para finalizar o evento na Bottega del Vino, além da companhia do Dionísio Chaves, um dos mais importantes sommeliers do Brasil e dono da casa, a sobremesa foi acompanhada por um espumante Via Latina Rosé 2015 que não faz muito meu tipo. Sem contar o péssimo nome, morango e tutti-frutti não são os aromas e sabores que me fazem felizes num vinho.

Evento mais do que bacana não só para conhecer novos vinhos, mas para confirmar minha percepção sobre portugueses acessíveis depois do tapa na cara que levei provando um Quinta do Cidrô, chardonnay do Douro que está na carta do Bazzar desde sua abertura, há dezoito anos. Definitivamente cariocas precisam amadurecer e conhecer melhor os verdes portugueses.

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31.8.16

Três Uvas e um Enigma


Beber e comer é um dos meus esportes favoritos, e há décadas bebo cava, o espumante catalão, em quantidades cavalares. Na minha família qualquer motivo é motivo para abrir uma garrafa de Codorniu, Freixenet, Portell, Raventós ou Gramona. A gente simplesmente abre, bebe e celebra. Sem questionamentos.
Mas a maturidade, descobri agora, traz consigo questões profundas sobre os enigmas da vida. A busca de respostas para perguntas fundamentais que você nunca tinha feito antes passam a ser prioridade. E como meus primeiros cinquenta anos foram passados entre muitos pratos e copos, comecei a questionar também o que eu comia e bebia. Acabou sobrando pro cava, coitado.
Xarel.lo, macabeo e parellada
Enquanto todo mundo já provou vinhos feitos com chardonnay e pinot noir, as duas principais uvas do champanhe, pouca gente conhece xarel.lo, macabeo e parellada em outra forma que não seja como cava, e isso me deixou encafifado: Porque as uvas do champanhe fazem ótimos vinhos enquanto as do cava parecem só funcionar quando juntas, cheias das borbulhas de uma segunda fermentação?
Quem ainda acompanha o Bistrô já imaginou que esse tipo de questionamento dá a oportunidade de promover mais uma vez um dos meus eventos favoritos: Bem-vindos à Primeira Degustação Cega de Uvas do Cava do Bistrô Carioca.
As pessoas
Dizem que ter uma boa ideia é fácil, difícil é vender uma boa ideia. Não foi o caso dessa degustação. Mlle. B, que gentilmente cedeu sua mesa, e M. MeS e seu Larousse mental, são maduros como eu para não dormirem à noite com os mesmos tipos de questões fundamentais na cabeça. Compraram a ideia de primeira.
As garrafas
Difícil foi encontrar por aqui aqui três garrafas de varietais de xarel.lo, macabeo e parellada, já que mais de 90% da produção delas vai para o cava. Mas com um pouco de sorte consegui achar um xarel.lo 100% do Club des Somelliers do Pão de Açúcar, um Artero com 75% de macabeo e 25% de verdejo e um Viña Brava da Torres com metade parellada e metade garnacha blanca. Não é o ideal, mas é o que temos para hoje.
Já deu para sentir que a dificuldade de encontrar varietais das três uvas autóctones do Penedès mostra que eu talvez esteja exigido muito delas e das vinícolas e as três uvas não tenham mesmo nascido para uma vinificação simples. A gigante Torres, com sede no terroir do cava, que produz de tudo em matéria de vinhos em três continentes, só tem 100% parellada em um semi-doce. Nada de xarel.lo ou macabeo.
A degustação
Tinhamos quatro copos na mesa, três com os vinhos e um com o cava, e em duas etapas tentamos identificar primeiro qual era cada uma das uvas com base na descrição do vinho feita pela vinícola, e depois encontrá-las no cava, um Gramona espetacular da Mlle. B.
A xarel.lo logo apareceu. Seca, séria, algo untuosa, nada de papelão molhado como afirmavam alguns. Foi a única unanimidade na mesa, os três matamos em qual copo estava. O vinho em si não é grandes coisas, mas mostra que é essa uva que dá o ponto no cava, onde ela aparece bem fácil quando se sabe o que ela traz, claro.
A parellada e a macabeo, misturadas à outras uvas no corte, foram mais difíceis de diferenciar. Mas antes de acabarem as garrafas – degustações sérias como as nossas nunca terminam antes das garrafas – dois de nós acertamos qual era. A diferença entre as duas é muito sutil como também suas presenças no Gramona. Muito difícil encontrá-las mesmo sabendo o que procurar.
Como ninguém é de ferro, depois de quatro brancos, M. MeS sacou da cartola um Ventolera 2014 pinot noir+syrah sensacional. Ele explicou que era com esse corte que se fazia vinho na Borgonha até escolherem ficar apenas com a pinot, numa decisão que deve ter sido tomada pelo marketing de alguma vinícola, com certeza.
Nas degustações às cegas do Bistrô aprende-se tanto quanto se bebe e diverte-se mais do que qualquer coisa. Nessa última, além do aprendizado e da diversão, descobri que produzir cava deve ser muito mais difícil do que champanhe pois as uvas não ajudam. Nenhuma das três que provamos mostrou individualmente o poder e a presença de uma chardonnay ou a leveza quase sem graça da pinot noir. É de impressionar que as três juntas consigam produzir algo tão bacana e importante como a Gramona que bebemos. Palmas para os produtores, pois não é à toa que o cava hoje está presente em qualquer carta, com preço e qualidade muito competitivos.
Mas o mais importante da noite foi que a fila andou, e agora posso dormir com mais um enigma fundamental da vida respondido. Tomara que os outros tragam tanto prazer na busca das respostas quanto este trouxe. 

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18.3.13

Raventós i Blanc no Bazzar

Ouvi dizer que agora tem uma moda de beber espumantes em taça de vinho borgonha, aquelas gordas. Idiotice dupla. 
Se o borgonha é bom, é bom até em copo americano, se o espumante é bom, não vai ficar melhor numa taça feita para vinho.... 
Esse foi um dos assuntos na degustação da Raventós i Blanc hoje no Bazzar: o nível de afetação na enogastronomia chegou ao insuportável. 
Para começar a degustação promovida pela Decanter provamos um cava L'Hereu Reserva 2008 bem honesto, suave, acima da média dos cavas que conhecemos por aqui, como era de se esperar de uma vinícola artesanal como a Raventós. Esse cava foi acompanhado pelo mais-que-famoso-e-meu-favorito carpaccio de pato com queijo de cabra do Bazzar. 
Depois nos foi servido uma das estrela do dia, o cava Brut Rose de Nit 2009, um rosé seco, isso mesmo, seco, nada mulherzinha, muito diferente do que estamos acostumados a provar por aqui. Uma cor rosada, nada daquele vermelho pirulito, que até engana o paladar pois o sabor é muito mais vivo do que sua coloração pálida. Esse foi acompanhado por um feijão de santarém com caju, tomate e broto de beterraba servido em uma taça de martini. Esse prato ficaria bom até em copo de papel.... 
O terceiro cava foi o melhor de todos, um La Finca 2006 - todos os cavas da Raventòs são safrados - que era um espetáculo. Altamente recomendado. Nariz rico, muito corpo e uma boca sem fim. Sensa. 
Antes dos vinhos e dos pratos principais provamos um Elisabet Raventós 2005 que não se mostrou tão rico como o anterior, embora seja o mais exclusivo produto da vinícola, ainda que fosse ótimo. É que a boca estava mal acostumada.
Mas até aqui foi só uma degustação de cavas.....ainda tinham o almoço e os vinhos.
O almoço em si começou com um bacalhau com azeite, alho confit e três pestos servido no copo - de vidro, claro - acompanhado do Silenci 2010, um branco picante, quase como um Albarinho, fresco, algo mineral, ácido, com algum corpo mas sem potência. Um vinho com muitos concorrentes e pouco diferencial. Depois comemos uma cavaquinha com purê de aipim e alho poró naquele padrão de excelência de sabor e criatividade do Bazzar. Foi quando bebemos outro branco beeeem mais importante, embora mais barato, o Perfum de Vi Blanc 2009. Esse sim com mais personalidade, corpo e perfume. Erá só o que faltava um vinho com esse nome não ter um belo nariz.
Ainda teve sobremesas e café, mas aí a gente já não dava para prestar mais muita atenção em nada como vocês podem perceber pela imagem acima.
Nas mesas ao lado, onde estavam ícones da enologia carioca, não sei qual foi o resultado se é que houve algum. Mas na minha opinião o bacalhau, o carpaccio, o rosé e o La Finca formaram o menu perfeito, com os cavas num patamar acima dos vinhos apresentados. Mas minha opinião é baseada em conhecimentos mais rasos do que uma taça de cava ou de vinho, seja borgonha, cabernet ou qualquer outra moda que venham a inventar.

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4.6.09

Três meses depois, três Tempranillos

Se alguém acha que vou começar explicando porque faz tanto tempo que não posto nada aqui está muito enganado. Então vamos começar logo a recuperar o tempo perdido.

A segunda degustação cega do Bistrô, como vocês vão ver, exigiu muito mais dos degustadores do que a primeira. Ao contrário da degustação de cervejas, quando o importante eram as opiniões dos supostos experts, nessa aqui tinhamos que "descobrir" o que estávamos bebendo.
Tudo bem que descobrir é um pouco forte porque não foi exatamente uma degustação cega, era no máximo míope, o que não tira seu valor.
Juntei na mesa de casa três casais amigos e três Tempranillos espanhóis de regiões diferentes, inclusive os casais pois um deles era semi-paulistano. Arrumei os seis lugares e coloquei dezoito taças na mesa já seguro que de que talvez nem todas voltariam para o armário. Com mais os copos e jarras de água e as cestas de pão já dá para imaginar como ficou a mesa.

Comecei apresentando a uva da noite, uma típica espanhola que tem esse nome exatamente por poder ser colhida mais cedo, mais "temprano". Ela não é uma grande estrela no showbiz do vinho, mas casa muito bem com diversos tipos de comidas, o que para mim é um grande atributo. E por algum motivo que desconheço, começou a aparecer bastante em diversos supermercados por aqui.

Depois apresentei os três cavalheiros. Um Clos Torribas 2004 recém comprado, um Rioja Campillo Reserva 2002 e um Raimat Costers del Segre 2001 que tinha guardados em casa. Nada de decantador nem filtro. Botei eles na geladeira por quinze minutos e quando abri estavam todos a dezesseis civilizados graus.

No impresso que preparei para cada um na mesa, além de um pouco de história e da tabela para a degustação havia três descrições que não identificavam o vinho aos quais ser referiam. Por exemplo:

Vinho 3 – 100% Tempranillo. Cor vermelho cereja profundo. Sedutores aromas de pimenta preta, cedro, cereja e ameixa preta com especiarias no palato. Aveludado, potente e equilibrado acabado. Elegante na boca desenvolvendo tons de café e licor.

A brincadeira consistia em casar corretamente o vinho com alguma das descrições. Não é cega, é só míope, sacaram? Posso garantir agora que a degustação míope é tão boa quanto a cega.

Servi o primeiro vinho mas ninguém foi capaz de provando apenas um reconhecer a qual descrição se referia. E como nenhum de nós nem de longe entende alguma coisa do assunto, para chegar à conclusão de quem era quem foi preciso provar os três vinhos e encontrar em algum deles algum traço de uma das descrições apresentadas. Bebe-se muito mais assim. Discute-se muito mais também, com cada um verbalizando aromas e sabores e relendo cada descrição em busca de uma indicação qualquer que diferencie cada vinho na boca.

Quando abri o envelope que identificava cada vinho, quatro de nós tinham acertado todos, ficando os dois mais entendidos com apenas uma resposta certa.
Os que acertamos usamos a mesma estratégia: buscar uma característica única em cada vinho, que só existisse nele e que, claro, fosse de fácil identificação. Não adiantavam aromas de cedro e cereja, mas um aroma de pimenta preta que pica o nariz foi o que casou o Vinho 3 com o Raimat.

Mesmo sem a condução segura de um Célio Alzer como fizemos no Bazzar, conseguimos de forma caseira e totalmente empírica - e que consome uma quantidade de vinho muito maior - identificar características de cada garrafa e unanimemente escolher o Clos Torribas como o melhor vinho da noite mostrando que um pouquinho de Cabernet Sauvignon não faz mal a ninguém.

Forramos o estômago com tortilhas de batata e sobrassada e sorvete com calda de chocolate quente.

Como vocês estão vendo, posso passar três meses sem aparecer por aqui, mas de jeito nenhum deixo de comer e beber bem e de principalmente me divertir com isso.


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2.7.08

Dois programas imperdíveis

Degustações de vinhos e jantares com menus especiais viraram figuras fáceis no calendário gastronômico carioca. Mas a verdade é poucos desses eventos valem à pena. São raras as degustações de vinhos que não tem o objetivo de vender garrafas e mais raros aindas os jantares diferentes, com novos sabores, sem firulas e que não custem os olhos da cara. Por isso, este humilde blog cumpre o dever de recomendar dois programas desses que entregam mais do que prometem, divertem muito e cabem no bolso com prazer.

Terças Catalanas no Garden - o simpático restaurante do Jardim de Alah promove todas as terças um jantar com pratos catalães de verdade. De entrada você vai poder escolher entre Ovos com Sobrassada e Mungetes amb Butifarra, eu ia querer os dois. De prato principal, o Fideuá de frutos do mar ou o Fricandò de Vitela, e de sobremesa Mel i Matò ou Crema Catalana. Tudo por mais do que honestos R$ 49,00. Nem vou explicar o que é cada um aqui para não estragar a surpresa, mas posso garantir que esses pratos fazem uma verdadeira fotografia da tradicional comida da catalunha, aquela que os catalães comem todos os dias e que faz os turistas voltarem para provar mais. Façam já uma reserva.
O Garden fica na Rua Visconde de Pirajá, 631 - Ipanema. Tel/Fax: (21) 2259-3455.

Degustação cega do sul da Itália no Bazzar - É de longe o melhor evento de degustação de vinhos para leigos da cidade. Primeiro porque é às cegas, o que torna tudo muito mais divertido e educativo. Segundo porque o Bazzar não é uma loja de vinhos e o objetivo da degustação é exatamente descobrir o paladar dos clientes para ajudar a montar a carta do restaurante. Quem comanda tudo é o craque Célio Alzer que com enorme simpatia e conhecimento faz do evento uma verdadeira aula sobre vinhos. Claro que além dos vinhos a Cristiana organiza tudo e prepara sempre um comidinha deliciosa para forrar o estômago.
Ontem estive lá provando às cegas tintos argentinos, chilenos e uruguaios. Foi como sempre muito divertido com todos tentando justificar suas adivinhações sobre qual vinho estavamos provando. Para vocês verem como o Célio é bom na explicação, eu acertei todos os cinco vinhos da noite :)
A degustação de vinhos do sul da Itália vai ser dia 19 de agosto e as reservas podem ser feitas pelo email bazzar@bazzar.com.br. Não perca. O Bazzar fica na Barão da Torre, 538 em Ipanema.

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31.10.07

Circuito RioShow de Gastronomia 2007

Começa dia 13 e vai até dia 18 de novembro um dos eventos mais bacanas, senão o único, da gastronomia carioca, a alta e a baixa.
Como nos últimos dois anos, essa terceira edição do circuito vai juntar o que há de melhor na comida carioca numa mistura prá lá de interessante. Entre as tradicionais aulas com vários chefs renomados e o concurso Novos Chefs, a Luciana Fróes programou duas mesas redondas super interessantes: No dia 14 acontece a "Invasão Paulista" - Mesa redonda com degustação e representantes dos restaurantes Braz, Fiametta, Nakombi, Sushi Leblon e Fasano que vão discutir o sucesso dos restaurantes paulistas que aportaram por aqui. No dia seguinte outra mesa bacana: "Arquitetura na Gastronomia" onde os arquitetos Bel Lobo, Ivan Rezende, Chicô Gouveia, Ricardo Campos, Antonio Paulo Cordeiro e Suzette Aché vão mostrar que nem só com comida se faz um restaurante.
A terceira edição do Circuito Rio Show de Gastronomia acontece no MAM e as inscrições para as aulas, mesas e degustações começam na próxima segunda feira. Para ver a programação completa clique aqui.

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27.12.06

Enoblogueiros, uni-vos!

Para vocês verem o poder que os blogs estão ganhando na cozinha e na mesa. O pingasnocopo.blogspot.com é um blog sobre vinhos portugueses editado pelo Rui desde abril de 2006. O Rui gosta de degustar suas "pingas" sem nenhuma prentensão além de se divertir e dividir experiências e taças de brancos, rosados e tintos portugueses. E faz isso muito bem.
Nestes meses de blog ele conheceu outros enobloguistas portugueses - e alguns brasileiros também - e agora, dia 12 de janeiro, vai promover o primeiro encontro de EnoBlogs da terrinha. Já são treze participantes confirmados - o Robert Parker já deve ter avisado que não vai - que irão encontrar-se para beber, bater-papo e comer em um restaurante de Lisboa, o York House. Cada um leva seu vinho para ser dividido, provado e comentado. Nada de críticos, importadores nem distribuidores querendo vender vinho. Depois da degustação um jantar, claro, com uma ementa bem interessante:
Iscas de pato sobre folhado com molho de vinagre balsâmico;
Lombinhos de linguado com molho de amêndoas e chantereles;
Costeletas de borrego com molho de azeite de hortelã;
Tarte Tatin com gelado de canela.
Parabéns ao Rui e aos outros enoblogueiros portugueses pela iniciativa. Tomara que este encontro seja só o primeiro de muitos. Se você estiver por Lisboa e quiser ir representando o Bistrô Carioca, inscreva-se no blog do Rui.

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24.11.06

Harmonizando idéias

Harmonizar está na moda, e não é só comida com vinho. No Rio estão acontecendo eventos propondo a harmonização de "idéias e sensações". Cada encontro começa com a palestra de um especialista no tema proposto, acompanhada de um breve debate. Logo após se segue uma degustação com pratos e vinhos alinhados ao tema.
Para mim é uma proposta bastante arrojada. Não imagino o resultado, mas pode ser interessante, principalmente porque acontecem no restaurante Olivier Cozan, um dos melhores bistrôs cariocas. Os próximos eventos serão dias 28/11 e 4/12. Os temas, pratos e vinhos estão logo abaixo.
Quem quiser participar, me mande um email que eu respondo com o contato.

28/11- Márcio Scalerico - As trocas culturais entre a Cristandade e o Islã durante as Cruzadas
Prato Principal: Perdiz com purê de trigo sarraceno ou ravioli de queijo de cabra com molho de manjericão.
Sobremesa: Crepe de maçã
Espumante: Louis Perdrier Brut – França
Vinho: Carpe Diem – Cabernet Sauvignon 2004 - Chile
Vinho de sobremesa: Carpe Diem Ambrosia (Late Harvest) 2005 - Chile

04/12 Carmem Hanning - Alegria: a terceira margem de João Guimarães Rosa
Prato Principal: Coq au vin com batatas gratinadas ou ravioli de lagostim
Sobremesa: Nougat glacé com framboesa
Espumante: Chandon Brut
Vinho: Torres Coronas 2004 Vilafranca de Penedès - Catalunha, Espanha
Vinho de sobremesa: Miguel Torres Riesling Vendimia Tardia

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8.11.06

Degustação cega. And the winner is...

Para quem não leu o post anterior, o Bistrô Carioca promoveu na semana passada sua primeira degustação cega de cervejas. Analisamos sem preconceitos, afinal não sabíamos quais marcas estávamos provando, e tendo como única referência nossa larga experiência em beber cerveja, a cor, o colarinho e o sabor – que foi usado como critério de desempate - de nove louras nacionais escolhidas entre as consideradas premium no mercado.
Antes dos resultados posso adiantar que todas as propostas iniciais da degustação foram alcançadas. Provavelmente mudamos a nossa cerveja de todo dia, derrubamos alguns tabus e uma marca em especial, confirmamos claramente uma suspeita, aprendemos bastante comparando as amostras e principalmente nos divertimos muito mesmo. É um programa que recomendo com veemência.
Então vamos ao que interessa. And the winner is:
1º Lugar
Eisenbahn Natural - 69/80
2º Lugar
Devassa Loura – 56/80
3º Lugar
Skol – 51/80
Essas três realmente se destacaram e a Skol, para mim, surpreendeu. As duas primeiras são daquelas quase artesanais sendo que a Eisenbahn deu de goleada nas outras, sua superioridade em todos os quesitos foi de chamar a atenção, bem como seu preço acima dos R$ 5,00. Junto com a Devassa mostrou que esta forma que parece mais cuidada de fazer cerveja produz ótimos resultados. O terceiro lugar da Skol foi a confirmação que brasileiro entende de cerveja. A mais vendida ficou na frente das premium fabricadas pela mesma empresa. Além disso, é a mais barata, não chega a R$ 1,00. Em seu favor pesa também que das três é a mais leve e a que, em nossa opinião, seria a escolhida para ser degustada em grandes quantidades.
4º Lugar
Heineken – 48/80
5º Lugar
Stella Artois – 48/80
6º Lugar
Kaiser Gold – 44/80
Este grupo parece o samba-do-crioulo-doido pois junta cervejas com sabores marcantes – embora só uma tenha sido reconhecida – mas diametralmente opostos. A Kaiser Gold foi para mim a grande surpresa positiva do evento. Encorpada, tem personalidade na cor e no sabor e só não ficou melhor colocada porque um dos jurados não gosta deste tipo de cerveja. Vale a pena esquecer qualquer cicatriz que a Kaiser tenha deixado, o que não é difícil, e provar. A Stella e a Heineken não foram capazes de suplantar o sabor corretíssimo e sem surpresas da Skol.
7º Lugar
Bohemia – 44/80
8º Lugar
Brahma Extra – 44/80
9º Lugar
Sol Mexicana – 41/80
A Bohemia foi a grande perdedora da noite. Colocar-se neste último grupo não condiz com a fama e a história desta cerveja que tão bons serviços prestou. Uma pena. A Brahma mostrou que de extra só o nome e a Sol, bem, a Sol sem um limão enfiado no gargalo está no lugar certo.
Depois de conhecidos os resultados, comparamos algumas cervejas duas a duas e em nenhuma das provas repensamos a posição de qualquer amostra. A Brahma Extra é muito inferior a Stella e a Heineken. A Bohemia poderia ter tomado o lugar da Kaiser mas não seria merecido. Sua fama não condiz com seu sabor atual e merece esse castigo.Para finalizar acho que posso dizer que a Skol é a mais vendida do país porque ela não pretende ser nada mais que um cerveja correta, não tem um sabor diferente que prevaleça, tem um suave amargor característico da boa cerveja e o corpo necessário para agradar quem gosta de cervejas leves e não tão leves.
Tenho certeza que outro grupo de cervejeiros chegaria a alguns resultados diferentes pelo meio da tabela, mas duvido que a Eisenbahn não fosse a vencedora, ela é muito superior às outras e vale a pena ser provada, e que a Sol sem o limão, não ficasse lá para baixo, ainda mais quando comparada mano a mano com a Skol e até com a Bohemia.
O próximo passo é pegar essas três ou quatro primeiras e comparar com as importadas tipo Sapporo, Paulaner, Chimay e Duvel, que apesar de excelentes cervejas talvez não casem muito bem com o paladar brasileiro, ou pelo menos com o paladar aqui do Jardim Botânico.
Mas a próxima degustação do Bistrô vai ser parecida no conceito mas bem diferente no produto: chocolates degustados por quem tem o assunto no DNA, as mulheres.

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6.11.06

Degustação cega [1]

Quando ouço falar em degustação de vinhos, as primeiras coisas que me vêm à mente são folhas secas pisadas, frutas do bosque, baunilha e couro molhado.
Invariavelmente, essas palavras e expressões são usadas por someliers e enólogos que tentam nos fazer perceber os aromas e sabores de um vinho usando este tipo de figuras. Mas quantas pessoas sabem o gosto de couro molhado ou o que são taninos voláteis? Eu não sei e garanto que a maioria das pessoas que compram esses vinhos também não sabe.
Como é de se esperar, e talvez por pura ignorância sobre o assunto, acho tudo isso muito chato. Foi assim que resolvi tomar uma atitude e fazer uma degustação diferente. Uma que pudesse ter resultados práticos, que influenciasse nosso dia-a-dia, que quebrasse paradigmas e confirmasse verdades, e que principalmente, acima de tudo, fosse muito divertida. Então, pensando na bebida mais carioca de todas, semana passada promovi a Primeira Degustação Cega de Cervejas do Bistrô Carioca.
Primeiro, juntei mais três amigos bebedores de cerveja. Nenhum deles um “cervechato”, apenas bons bebedores de cerveja, daqueles que, como eu, passaram metade dos anos oitenta rodando os bares de Botafogo atrás de um Bohemia gelada, coisa rara naqueles tempos de Malt 90.
Depois, fui a dois supermercados e comprei nove cervejas diferentes, todas em embalagem long-neck: Skol, Devassa Loura, Kaiser Gold, Eisenbahn Natural, Heineken, Stella Artois, Sol, Bohemia e Brahma Extra. Optei por essas simplesmente porque são cervejas consideradas populares superiores, as boas cervejas nacionais. No caso da Skol, ela é a mais vendida do país e não poderia ficar de fora. Embalei cada uma em papel alumínio, numerei as amostras e botei para gelar. Não tenho a menor idéia em qual temperatura as louras foram degustadas, mas elas estavam geladas como deve estar qualquer cerveja. Para tornar as coisas mais interessantes, só eu conhecia as marcas que iríamos beber. Os outros sabiam apenas que todas as cervejas eram nacionais e facilmente encontradas nos supermercados.
Defini os critérios e fiz uma tabela que foi distribuída na mesa. As notas deveriam ser de um a cinco e os quesitos de julgamento foram: Cor - apesar de não servir para pintar paredes, não dá para confiar numa cerveja que não tenha um mínimo de personalidade na cor. Colarinho - desnecessário explicar que cerveja se bebe com colarinho, que quanto mais consistente e permanente for, melhor. E com peso dois no julgamento; Sabor - critério obviamente principal e que serviu como desempate.
Todo bebedor de cerveja tem sua marca favorita e sua odiada. Gosta de cervejas mais encorpadas ou leves, doces ou amargas. Por isso, para dar um tempero a mais aos degustadores presentes, mesmo sem saber quais cervejas estavam na mesa, decidimos tentar adivinhar cada marca provada. Adianto que o resultado desse desafio extra foi desanimador.
Como nenhum de nós tinha participado de algo parecido, não conhecemos a etiqueta nem os procedimentos clássicos desses eventos, mas uma coisa ficou definida: a amostra de cerveja seria bebida e não cuspida como fazem os sérios. Afinal estávamos nessa para fazer diferente.
Sei que vocês devem estar curiosos esperando o resultado, mas este post já está enorme e as notas gerais ainda estão sendo tabuladas:-) Mas posso adiantar que só um degustador conseguiu identificar uma única marca, a vencedora ganhou unanimemente e a última colocada não foi surpresa para ninguém. Pessoalmente me surpreendi com meu resultado pois apesar de não conseguir identificar minha cerveja favorita pelo sabor, ela acabou no meu segundo lugar.
Resultados, hic!, depois de amanhã. Alguém quer arriscar as vencedoras e o último lugar?

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