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22.5.06

Dezoito. Mas é rápido.

Em geral quando saímos para comer fora, gostamos de provar coisas novas, conhecer o que um ou outro restaurante está fazendo ou apenas comer aqueles pratos favoritos de sempre. Buscamos também um ambiente agradável, bom serviço e, de preferência, tudo isso com um preço justo.

Mas quanto sacrifício estamos dispostos a fazer para realizar esses desejos? Bom, dependendo da situação, quase qualquer um. Então vamos falar daquele mais básico, aquele que pode ser necessário fazer tanto em um McDonald’s como no melhor francês da cidade: enfrentar uma fila para comer.

Para mim, o efeito imediato de ver uma fila na porta de um restaurante é a diminuição instantânea, tendendo para zero, do meu desejo de entrar naquele lugar. Se for um local novo, daqueles em as filas se formam mais pela novidade do que por qualquer outro motivo, minha primeira reação é voltar em outro dia ou hora quando a porta de entrada estiver mais acessível. Fazer fila sem saber para quê, só criança ainda faz. Eu só entro em fila, e muito a contragosto, sabendo exatamente o que posso esperar. De bom ou de ruim.

Fujo de casas novas que já têm filas na porta sejam quais forem os motivos que as fizeram concorridas e por melhores que sejam as indicações. Para quê a pressa? Porque não esperar mais um pouquinho para provar a comida e o ambiente sem ter que tomar sereno? Se for boa mesmo, vai estar lá mês que vem e no outro também.Toda a paciência que tenho para esperar que a fila deixe de existir, não tenho para entrar nela. Não tenho paciência para esperar pouco.

Mas devo ser minoria já que alguns restaurantes preferiram se especializar em atender melhor quem está na fila do que a evitá-las, as filas, servindo bebidinhas e pasteizinhos para aqueles que se dispõem a esperar. Tô fora.

A coisa degringolou tanto que tamanho de fila quase se confunde com medida de qualidade:
- Menina, esperei uma hora na fila para comer naquele japonês do Leblon! Tava uma delícia.
- E nós que ficamos um tempão na calçada prá sentar no novo do Claude. Foi maravilhoso!

Mas às vezes é inevitável e vale a pena. Naquele restaurante super bem indicado por amigos, ou numa viagem para provar o prato pelo qual você saliva desde que entrou no avião, são situações em que a fila, por mais indesejada, não incomoda tanto. Torna-se apenas um pequeno empecilho.

Talvez você esteja pensando que isso tudo não existiria se a gente fizesse reservas antes de sair de casa, não é? Eu já fui ingênuo assim também. Brasileiros, clientes e restaurantes, não têm costume de fazer reservas, isso é um fato. Clientes acham que vão chegar lá e dar um jeitinho e restaurantes que não faz mal o cliente esperar um “pouquinho” lá fora. É como o overbooking de avião, eles acham que faz parte.

Já fiz muita fila para comer. Mais vezes em lugares que gosto e freqüento do que em restaurantes desconhecidos para provar alguma coisa nova, por isso me arrependo pouco de ter entrado nelas. Talvez chamar fila de sacrifício seja um pouco exagerado. Sacrifício não é chegar em um restaurante sabendo que vai ter que encarar uma espera, sacrifício mesmo é resistir ao bom humor de quem está organizando a fila:
- Quantas mesas têm na nossa frente?
- Dezoito. Mas é rápido.

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