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24.11.16

Verdes, jovens e maduros

Como todo mundo que compra vinho em supermercado deve ter percebido, de uns anos prá cá houve um aumento significativo na oferta de bons vinhos portugueses a bons preços. As razões podem ser várias, desde a crise na Europa até a melhora na percepção de que vinho português pop pode ser mais do que Dão, Periquita e Mateus. Essa percepção vem sendo (re)construída pelos produtores e importadores, talvez por necessidade, e nós saímos ganhando com isso. Eu já dei a largada.
Nunca entendi por que o brasileiro, e o carioca em especial, nunca foi ávido consumidor de vinhos verdes portugueses. Desconfio que é por causa do péssimo nome dessa denominação de origem que remete, para nós, a um produto que não está pronto, não está maduro. Uma pena, pois tratam-se de vinhos que são tão bons para nosso clima que até a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes percebeu isso e está promovendo sua divulgação por aqui.  Outro dia provei sete deles e saí inebriado com a versatilidade e frescor desse vinho que tem tudo para dar muito certo com os cariocas e sua gastronomia.
O primeiro foi um QM Alvarinho 2015 pouco seco e sem muito daquele pique que a gente tem na memória desses vinhos do Minho. Vinho simples e leve, sem grandes pretensões. Seguimos com um Quinta de Linhares 2014 com muito mais corpo e sem nenhuma nesga de mar tão comum nos verdes. Importado pela Premium chega aqui por um preço final tão bom que poderia estar em qualquer restaurante ou bar português da cidade representando com dignidade os vinhos da terrinha.
Um dos melhores vinhos da tarde foi o Aphros Daphne Loureiro 2011 que apesar do nome difícil é muito fácil de beber e que no primeiro gole pode passar até por um riesling antes de aparecer toda sua mineralidade. A Wine Lovers vende aqui.
O vinho mais próximo de um alvarinho tradicional, pelo menos na minha boca, foi o Ponte de Lima 2015, também de Loureiro, seco, cítrico e vivo como eu gosto. Pena que ninguém ainda traz ele prá cá. O Quinta do Regueiro 2012 que provamos depois é um vinho extremamente versátil, com corpo, acidez e nariz que confirmam que de verde só o nome. Vinho jovem, mas pronto e acabado que a Winemundi importa. Não perca a conta, faltam ainda duas garrafas.
A essa altura eu estava pensando que o Minho só é bom produzindo vinhos jovens e sem poder de guarda, quando a Gabriela apresenta o Portal do Fidalgo 2006. Kapow! Que vinho. Com 13,2% foi mais alcoólico e o melhor verde que provamos. Sem passar por madeira, manteve nesses dez anos todo o frescor dos jovens e ganhou uma complexidade que é ampliada depois de alguns minutos no copo. A Casa Flora tem o 2013 se você tiver paciência para guardar.
Para finalizar o evento na Bottega del Vino, além da companhia do Dionísio Chaves, um dos mais importantes sommeliers do Brasil e dono da casa, a sobremesa foi acompanhada por um espumante Via Latina Rosé 2015 que não faz muito meu tipo. Sem contar o péssimo nome, morango e tutti-frutti não são os aromas e sabores que me fazem felizes num vinho.

Evento mais do que bacana não só para conhecer novos vinhos, mas para confirmar minha percepção sobre portugueses acessíveis depois do tapa na cara que levei provando um Quinta do Cidrô, chardonnay do Douro que está na carta do Bazzar desde sua abertura, há dezoito anos. Definitivamente cariocas precisam amadurecer e conhecer melhor os verdes portugueses.

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