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26.6.09

O Bistrô Carioca unplugged

Três anos e 150 posts depois de nascer, o bistrozinho aqui mantém seus ideais intactos e faz mais ou menos o mesmo caminho que prega nas suas páginas on-line.
Exatamente como está acontecendo na gastronomia, retoma valores tradicionais e nada tecnológicos e bota no papel o que antes era só virtual.

É isso mesmo. Fiz um apanhado dos melhores, mais divertidos, gastronômicos e sinceros posts e coloquei em uma versão desconectada, com peso, cheiro e textura, que traz um resumo do que se poderia chamar de linha editorial do Bistrô, onde a observação dos costumes, o humor e o caráter meio ranzinza que marcam sua personalidade podem ser conferidos sem a necessidade de se ligar nada na tomada.

Com um belissimo projeto gráfico do Gabinete de Artes e quase cem páginas, O Bistrô de Papel é um antigo projeto que só agora ganhou corpo e condições para aparecer.

Numa época onde três anos podem ser considerados uma eternidade e o que a gente escreve numa tela de computador pode desaparecer com um clique, colocar tudo no papel impresso não é só um prazer como é a garantia de que todas as nossas idéias e até alguns ideais não vão ser apagados quando faltar luz. Além disso é um ato de amor por um suporte que no final das contas foi onde tudo começou.

Editar um livro no Brasil já foi mais difícil, mas distribuí-lo é ainda praticamente impossível. Por isso, se alguém tiver uma sugestão de como/onde posso fazer a distribuição, será muito bem vinda. Enquanto isso quem quiser um exemplar basta me escrever que vou fazer o possível para atender.


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19.10.08

A esquina e o livo - Final

Esta é a última parte de uma história que começou vinte anos atrás. Uma food-novel de um autor alemão que viaja no tempo.
A história começa aqui.
A terceira parte terminou com a Claudia sentada no sofá da casa dela perguntando para mim:
- Co-mo assim? - Ela se inclinou para frente e franziu a testa - Como você conhece a dona de um livro que está na minha casa há não sei quanto tempo?

A esquina e o livro
Final
Imediatamente, lembrei-me de um filme no qual o Dennis Quaid no passado conversa por um rádio-amador com seu filho nos dias de hoje (não vou entrar no mérito do filme, mas a história é mais ou menos essa, ok?). Na trama, ele bota uma agenda dentro de um sofá (no passado) e o filho, que é policial, a recupera (trinta anos depois, no presente) e resolve um caso.
Naquele momento estava acontecendo mais ou menos a mesma coisa, só que na minha história não há rádios transcendentais nem casos de polícia. Só o sofá onde estávamos e o livro.
- Acorda, Chico! - esse era meu apelido na faculdade. - Como você sabe de quem é esse livro?!
Eu olhava para a primeira página e para o rosto da Cláudia esperando minha resposta.
- Conheci essa Rosa em Angra. - disse isso ainda meio em transe - Era muito simpática e adorava ler na varanda de casa. Esse livro é dela, e fui eu que te emprestei.
O exemplar que tenho na minha mão agora não é só o título que eu estava procurando, mas é exatamente o mesmo livro que li vinte anos atrás. Naquela época, um amigo da Rosa me emprestou, devorei em dois ou três dias e re-re-emprestei para Cláudia, que enfiou-o numa estante com um monte de outros livros, onde ficou até hoje sem nunca mais ter sido lido. Nem devolvido. Eu tinha sido a última pessoa a abrir esse livro.
Para nós, foi como um elo entre o passado e o presente que se fechou. Exatamente como no filme.
- Chico, eu pensei várias vezes em doar esse livro - Ela tinha os olhos cheios d’água - mas acabava sempre colocando ele de volta na estante sem saber exatamente por quê.
Larguei o livro sobre a mesa, afinal era só um livro velho, e abracei-a com um sentimento inédito de que alguma coisa tinha sido definitivamente resolvida, que nós dois juntos tínhamos dado um passo irreversível.
Destino ou coincidência, tanto faz. Mas quem pode negar que os anos todos que passei procurando em vão Nem Só de Caviar Vive o Homem não foram para que eu o encontrasse nas mãos da mulher que amo? Quem pode dizer que, mesmo sem ter o menor interesse nesse tipo de literatura, ela não guardou esse livro por que sabia que eu viria buscá-lo? Quem sabe não foi essa procura que me levou a estar naquela esquina exatamente na hora que ela também estava?
Até esse dia, se eu estivesse preenchendo um formulário que perguntasse se eu sou crente ou cético, marcaria a segunda opção com toda segurança. Mas depois dessa experiência de encontros e reencontros, de histórias de vidas se esbarrando em esquinas e livros ressurgindo intocados do passado, confesso que hesitaria alguns segundos antes de marcar. Continuo cético, mas que alguém está trabalhando muito para mudar minha ficha, não tenho a menor dúvida.

Fim

Se você quiser ler essa história desde o começo clique aqui.

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13.10.08

A esquina e o livro - Parte 3

Esta é a terceira parte da história de uma food novel que voltou do passado. Se você não leu os capitulos anteriores, clique aqui.
A segunda parte acabou assim:
"Talvez o leitor considere isso tudo um exagero, tratar a procura por um livro que não tem nada demais como uma caçada e valorizar seu achado como se fosse a conquista de uma medalha olímpica, ou uma descoberta arqueológica. Mas ao final dessa história espero que, se essa impressão existe, ela seja completamente eliminada, pois o que aconteceu depois que abri o livro justifica plenamente as expectativas que criei."
E continua assim:

A esquina e o livro
Parte 3
Vinte anos atrás quando me emprestaram, “Nem só de Caviar...”, já era um livro bem usado, com as orelhas rasgadas, a ortografia desatualizada, e que já tinha vendido mais de um milhão de exemplares, coisa que antes dos livros de auto-ajuda e de Paulo Coelho, era uma marca considerável. Lembro vagamente que o livro não era do amigo que me emprestou, era um re-empréstimo, se existe esta expressão, de alguém com quem eu não tinha tanta intimidade assim.
Naquela época Cláudia e eu éramos colegas de faculdade e vivíamos um na casa do outro fazendo trabalhos, estudando e vagabundeando como todo universitário que se preza.
Depois de formado me mudei para o exterior e fiquei com minhas coisas metade lá e metade aqui sendo que geralmente uma coisa que eu precisava aqui estava na metade de lá e vice-versa. Quando voltei para o Brasil, por um tempo tudo continuou meio espalhado entre amigos e parentes. Com Cláudia, já não tinha mais contato algum.
Nesses quase dez anos que passamos separados, nunca nos esbarramos, nunca a vi passar na rua, não sabia o que ela fazia da vida, tampouco tínhamos amigos em comum. Enfim, não tínhamos a menor idéia do que se passava com o outro até o dia em que esbarramos numa esquina. Agora que estamos juntos de novo, podemos ver que se as coisas não tivessem acontecido exatamente assim, não teria a menor graça.
Finalmente me recostei no sofá, abri o livro numa página qualquer para ver se lendo um trecho a trama surgiria automaticamente na minha cabeça. Não aconteceu. Não me lembrava de absolutamente nada. Alguma nesga de história emergiu quando li a primeira receita, mas era muito mais uma memória gastronômica que literária. Mas o melhor de tudo foi que o temido anticlímax não aconteceu. Já me deliciava com a narrativa bem humorada de Simmel (quem disse que alemão não tem bom humor?) e com as histórias do agente secreto Thomas Lieven quando Cláudia entrou em casa e me viu lendo com um sorriso no rosto. E ainda na porta, devolvendo o sorriso, disse:
- Eu já tinha visto gente esperar por um livro, mas um livro esperar por alguém, nunca.
Ela se aproximou, sentou ao meu lado e me abraçou. Nós já achávamos essa história impressionante o suficiente para ser escrita, mas nenhum dos dois sabia que o desfecho era o queainda  faltava para torná-la única.
- Nem sei bem o que esse livro está fazendo aqui. Tem um nome escrito nele, deve ser da dona, mas eu não tenho a menor idéia de quem seja ela.
Curioso, voltei até a primeira página e li as únicas palavras no livro, que não tinham sido escritas pelo autor:
- Rosa de Lourdes de A. Caldeira - Li silenciosamente. Reli em voz alta para que eu mesmo ouvisse: - Rita Caldeira.
- Pois é, não tenho a menor idéia de quem seja essa mulher. - Ela se recostou no sofá enquanto eu me levantava.
- Mas eu sei quem ela é. - Minha voz quase não saiu.
Dizer que eu estava lívido seria um exagero, mas a expressão no meu rosto deixou evidente o que estava acontecendo.
- Co-mo assim? - Ela se inclinou para frente e franziu a testa - Como você conhece a dona de um livro que está na minha casa há não sei quanto tempo?

Continua...
A história começa aqui.

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4.10.08

A esquina e o livro - 2

Nessa segunda parte, Nem Só de Caviar aparece pelo telefone, mas a história só está na metade.
Se você não leu a primeira parte, clique aqui  e leia antes de continuar.

A esquina e o livro
Parte 2
Eu continuava sentado na beirada do sofá na casa da Cláudia com o livro ainda fechado, pensando todas essas coisas e lembrando que, no dia anterior mesmo, tinha visitado um sebo e procurado por ele. Durante pelo menos cinco anos fiz isso insistentemente. Não era uma busca insana, mas sempre que tinha uma oportunidade eu procurava o Nem só de Caviar. Algumas vezes encontrei a edição nova, que nem revisada foi depois de 1965 quando foi lançado pela primeira vez em português, ou então encontrava outros livros de Johannes Mario Simmel que eu não tinha a menor vontade de ler. Um exemplar de Nem Só De Caviar Vive o Homem velhinho só para curar minha expectativa, nunca.
No fundo eu até gostava dessa busca infrutífera, gostava de ter um motivo para entrar nos sebos e ficar catando o livro (comprei muitos outros assim), gostava de perguntar para as pessoas se haviam lido e se tinham para me emprestar. Enfim, era uma caçada saudável. Mesmo porque a qualquer momento eu poderia comprar uma edição nova e resolver de vez meu problema. Ainda bem que não fiz isso.
Pela Cláudia eu nunca procurei, nosso reencontro foi absolutamente casual, virando uma esquina demos de cara um com o outro e não nos separamos mais. Passamos dias e noites contando o que tínhamos feito nesses últimos dez anos, de como tínhamos mudado pouco fisicamente, e como nossas histórias pareciam terem sido escritas para que estivéssemos juntos ali, daquela maneira, naquele momento.
E foi numa dessas conversas pelo telefone que, falando dos livros que tínhamos ou não lido, ela inocentemente escreveu essa história.

- Tenho outro livro aqui, acho que vc também vai gostar - estávamos falando de um livro que eu tinha acabado de ler na casa dela e gostado muito. - Tem o mesmo jeitão desse que você leu agora.
- Qual é esse outro livro? - perguntei sem nunca imaginar a resposta que ela me daria meio segundo depois.
- “Nem Só De Caviar Vive o Homem”, conhece? - Ela não ouviu meu queixo caindo.
- Você está me dizendo que tem esse livro aí? - Definitivamente não estava preparado para encerrar minha busca dessa maneira, pelo telefone.
- Tenho, estou olhando para ele.

Cláudia só percebeu o impacto das suas palavras depois que soltei vários palavrões de felicidade e contei a ela - que, claro, não estava entendendo minha reação - a história da caçada que acabava de terminar. Confesso que só no dia seguinte com o livro nas mãos, consegui garantir que ela tinha mesmo acabado. Cheguei a pensar que tudo tivesse sido só um delírio meu.
Talvez a leitora considere isso tudo um exagero, tratar a procura por um livro que não tem nada demais como uma caçada e valorizar seu achado como se fosse a conquista de uma medalha olímpica, ou uma descoberta arqueológica. Mas ao final dessa história espero que, se essa impressão existe, ela seja completamente eliminada, pois o que aconteceu depois que abri o livro justifica plenamente as expectativas que criei.

Continua...

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24.9.08

A esquina e o livro - 1

Embora livros de culinária e gastronomia pipoquem quase mais do que os de auto-ajuda, há um tipo - que os americanos chamam de food-novel - que não é muito encontrado por aqui.
Food-novels são ótimos tanto para quem já gosta de comida como para incentivar os tímidos a começar a gostar. Em geral são romances ao redor de um prato, uma região produtora de algum vinho, de um produto, chef ou restaurante. Juntam duas das coisas que eu mais gosto, o que é fabuloso. Acho até que comecei a me interessar por comida lendo um romance desses, talvez antes mesmo de existir essa classificação.
Mesmo fugindo um pouco, só um pouco, da linha editorial do Bistrô e lançando o primeiro post em capítulos daqui deste humilde espaço, quero contar para vocêss a história desse livro. Não a história que o livro conta, mas a minha história com esse livro. Começa assim:

A esquina e o livro
Parte 1

Toquei nele com mãos de felicidade. Sorriso nos lábios, antes de abrí-lo fiquei pensando quanto tempo tinha investido na procura daquele título pelos sebos, feiras e amigos nos últimos anos.
Hoje, de uma maneira que eu nunca poderia imaginar, caiu nas minhas mãos esse livro que há pelo menos uma década queria tanto reler. Mal sabia eu que além da trama escrita, de um agente secreto gourmet durante a segunda guerra, aquele monte de páginas amareladas tinha a sua própria história e eu como um dos protagonistas.
A primeira vez que o li tinha uns vinte e poucos anos, quase vinte anos atrás. Apesar de não ser um daqueles clássicos, vendeu e continua vendendo bem até hoje. Lembro-me que gostei muito da história que mistura ação, viagens e gastronomia. “Nem Só de Caviar Vive o Homem” não é um livro fundamental, mas reúne muitos elementos que dão prazer ao leitor e, para um projeto de escritor como eu, analisar a técnica de um best seller é um ótimo exercício. Melhor ainda quando trata de assuntos como viagens e gastronomia que me interessam independente de estarem dentro de um bom livro ou numa revista de banca de jornal. Foi a lembrança de um texto que amarrava tão bem esses temas, que me fez tentar reencontrá-lo durante tanto tempo.
Um aspecto interessante da minha busca foi que eu não queria encontrar uma edição nova, mas sim um livro usado por um motivo muito simples: não queria gastar dinheiro num livro que era só uma grande expectativa pessoal; e se ela não fosse correspondida, se eu, na terceira página, me perguntasse o que estava fazendo com aquele monte de papel na mão? Seria o próprio anticlímax, total frustração. Muito mais divertido continuar procurando em sebos, com a memória não muito clara de um bom livro. Hoje vejo que ter mantido esses princípios valeu muito à pena. Vocês vão concordar.
Pensava nisso tudo com o livro nas mãos, sentado no sofá da casa da minha namorada. Nós dois estamos juntos há pouco mais de cinco meses, mas nos conhecemos há mais de vinte anos. Naquela época fomos algo mais que simples amigos, éramos os melhores amigos, unha-e-carne. Depois de anos de amizade intensa, algum motivo nos separou e nos manteve assim por quase dez anos.
É apenas uma coincidência que eu a tenha conhecido na mesma época que li o "Nem Só...", como é apenas coincidência eu estar aqui sentado na casa dela com um exemplar usado do livro que procurei por tantos anos. Mas esta é uma história onde a coincidência, ou o destino, é outro protagonista.
A verdade é que eu tinha apenas uma vaga idéia de como o livro havia chegado pela primeira vez nas minhas mãos e da história que ele contava. Lembrava apenas que era sobre um elegante agente secreto que, entre uma missão e outra, prepara pratos elaborados, descritos com detalhes, e que de alguma maneira lhe ajudam a resolver seus problemas. Isso bastava para eu querer tanto relê-lo.
Com Cláudia, minha namorada, foi um pouco diferente. Eu me lembrava muito bem dela, de como éramos amigos e confidentes. De como anos atrás vivemos um romance curto, mas intenso e de como eu sentia falta da minha grande amiga. E da mesma forma que o livro, imaginava que ela também poderia ter mudado muito nesses anos, mas como não tinha expectativa nenhuma de encontrá-la, o pior que poderia acontecer nesse caso seria um simples desapontamento. Eu poderia olhar para ela e só reconhecê-la fisicamente sem ver nenhum traço do nosso passado. Felizmente, o que aconteceu não foi nada disso...

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14.4.08

Guia Destemperados Serra Gaúcha ‘08

A dupla destemperada Diego Fabris e Diogo Carvalho, além de serem gente finíssima e referência para quem vai à Porto Alegre e está afim de saber onde e o que comer, lançam mais um guia pocket que o Bistrô não poderia deixar de indicar. Depois do sucesso do Guia de Punta del Este Verano ’08, agora é a vez da Serra Gaúcha ser lembrada, com mais de 30 dicas das experiências preferidas da dupla.
Pra entender melhor o que a dupla faz e o que encontrar no Guia da Serra Gaúcha, preparamos algumas perguntas que você certamente vai se fazer. E, claro, suas devidas respostas.

Mas afinal, o que é “Destemperados”?
É uma multi-plataforma de experiências gastronômicas que traz dicas de restaurantes, bares e afins do mundo todo, em 3 meios de comunicação diferentes: no blog destemperados.com, em guias pocket regionais (como o de Punta del Este, lançado no último verão), e na rádio Itapema Fm, com dicas diárias ao meio-dia.
Qual é o foco dos Destemperados?
Cool food experiences. Isso é o que a gente tenta trazer todo o dia para as pessoas. De uma forma próxima e verdadeira, contamos nossas experiências gastronômicas ao redor do mundo.
Vocês avaliam os restaurantes e bares? É isso?
Não. A gente não avalia os lugares porque não somos especialistas em nada. Somos dois consumidores que, sentindo falta de um conteúdo atraente e verdadeiro, resolveram contar suas experiências.
E por que fazer um guia pocket da Serra Gaúcha?
Da mesma forma que o de Punta, o guia pocket foi criado para facilitar o acesso das pessoas à boa mesa. E agora, com a chegada do frio, todas as atenções se voltam à serra, essa região fantástica que tem na gastronomia um dos seus maiores atrativos.
Que diabos vocês dois meninos fizeram então?
Ué, nós experimentamos todos os restaurantes e clicamos os pratos, ambientes e detalhes de cada lugar. Só assim, depois dessa maratona, é que nos sentimos à vontade para apontar as experiências mais interessantes, na nossa opinião.
Quem banca esse projeto?
São marcas de produtos e serviços do Brasil todo que têm interesse no público apaixonado pela gastronomia. É importante ressaltar que os restaurantes que estão sendo indicados não guardam qualquer relação comercial com o guia. Estão ali porque merecem. Este guia foi apoiado pelas marcas: Casa da Montanha, Cave de Amadeu, Datelli, Giardino di Pietra Hotel, Vinícola Perini, Vinícola Pizzato, Savarauto, Sexton, Spirito Santo, Studio Posturale, Vallontano Vinhos Nobres, Varanda das Bromélias Boutique Hotel, Villa Europa & Spa do Vinho Caudalie, e Vinhos do Mundo.
Com quantas dicas o guia conta?
São 34 dicas relatadas com fotos e textos, além de informações de contato para outras 12 boas dicas. No blog destemperados.com, você encontra muitas outras da região.
E como essas dicas estão divididas?
Pelas cidades onde se situam, como: Canela, Caxias do Sul, Gramado, Nova Petrópolis e Vale dos Vinhedos. E ainda contam com sugestões de como aproveitá-las melhor: pra ir à dois, pra ir com família ou pra ir com a galera. Mas são apenas sugestões, não as leve tão a sério.
Como eu faço pra conseguir um guia desses?
Os 20.000 exemplares dos guias serão distribuídos gratuitamente em diversos locais estratégicos, de diferentes cidades como Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Gramado. Todos os pontos de distribuição estão no blog http://www.destemperados.com/ . Mas se você não tem acesso a um desses locais, nos mande um email que a gente dá um jeito. No Rio, o guia está disponível no Carlota e no Esch Café, por enquanto.
Se você quiser mais informações a respeito do Guia da Serra Gaúcha ou dos Destemperados, escreva pra o Diego e Diogo no destemperados@gmail.com.

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16.5.07

Recapitulando

Depois de um ano e quase cem posts, está na hora de entrar de leve no túnel do tempo e relembrar aqueles posts que se destacam por um ou outro motivo segundo critérios técnicos e pessoais. Alguns deles, por serem bem antigos, talvez não tenham sido lidos pela maioria de vocês, o que torna esse post ótima oportunidade de conhecer melhor o Bistrô.

O mais comentado:
Degustação cega. And the winner is...
Os mais polêmicos:
Três cafés e Três baristas
O mais ranzinza:
Moda e mídia
O mais crítico:
Jovens e chefs
O mais divertido:
Em viagem - O dissidente gourmet
O mais poético:
Pão perdido
Os favoritos:
Comer e comemorar
Dezoito. Mas é rápido
Calçotada

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15.2.07

Calvin gourmet

O Calvin não precisa de palavras nem expressões elaboradas para descrever aparência, textura e sabor da comida. Se fosse sommelier, morria de fome...

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23.1.07

A Chef e o chato

Não dá para negar que a vida moderna nos tirou certos prazeres.Talvez um dos maiores era receber dos amigos pelo correio cartas e cartões daqueles de papel com selos e carimbos, lembra? Mas ao mesmo tempo em que esse prazer praticamente acabou, a mesma vida moderna traz agora pelo mesmo correio outras coisa tão interessantes quanto: livros do Submarino, Amazon e dessas livrarias virtuais todas. Você vai ao site, escolhe o livro, vê a capa, lê a resenha e às vezes até um pedaço do texto, clica em comprar, senta e espera chegar. Só não é melhor do que fazer isso na livraria de verdade, mas tem muitas vantagens. Não é ótimo chegar em casa e ter um pacote com aquele livro te esperando? É tão bom quanto uma carta.
Da última vez que fiz isso, chegou um pacote com dois.
Um era o do francês François Simon, apresentado como o crítico gastronômico mais temido da França. Comprei seu último livro, Comer é um Sentimento, querendo descobrir porque ele tem essa fama. Pensei que ia encontrar textos cheios de verve e crítica dos melhores restaurantes e chefs franceses, mas fui enganado. O livro é uma coleção de Lições (assim mesmo com maíscula), que estão até numeradas e seguem uma ordem lógica, começando por “Olhe-se” passando por “Abra os ouvidos” e indo até “Acolha a doçura”. O livro é chato. Em nenhum momento Simon mostra qualquer motivo nem atitude para que os chefs franceses tenham medo dele. Ao contrário, tem um texto doce, quase afetado, e que parece estar falando para crianças. Não gostei. Confesso que a partir de certo ponto fui pulando páginas atrás de alguma coisa que prendesse minha atenção, mas nem as poucas receita perdidas pelo livro são atraentes. Se eu fosse o bonequinho da crítica de cinema do O Globo, estaria dormindo na poltrona.
Já o outro livro do pacote não precisou de três páginas para me prender. Ele é a versão encadernada daquele tipo de cardápio em que você fica na dúvida do que escolher porque tudo é bom. Carlota - Balaio de Sabores da Carla Pernambuco é um livro de receitas com ótimo texto e excelentes fotos. Dividido em doze capítulos, Carlota começa mostrando os pratos que fazem sucesso nos seus restaurantes, continua com diversos pratos brasileiros simples como picadinho e cocada, passa por comidas do mundo, exóticas, de regime, responsáveis e rápidas e termina com sobremesas, caldos e molhos. Às vezes parece que ela abusa dando receitas de bife a cavalo, farofa e bolo formigueiro, mas o livro é todo tão coerente que fica perfeito. Em cinco minutos tornou-se o meu livro de receitas favorito da vez. Recomendo com veemência tanto para quem já sabe cozinhar como para quem quer começar por cima.
Apesar de toda modernidade da compra virtual, quando o livro da Carlota chegou pelo correio, foi como receber uma carta daquele amigo de infância que está morando longe e quer dividir as novidades com você. Quase como nos velhos tempos.

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5.12.06

Blog de papel

Achei ontem na Travessa um livrinho muito bacana que foi devorado ontem mesmo. Bacana no visual, no conteúdo e no conceito. A Miscelânea da Boa Mesa de Schott (Intrínseca, 2006) é o que de mais próximo já vi de um blog de papel. O autor, Ben Schott, reuniu de tudo um pouco nas bonitas 160 páginas do livro. Tem receitas, dicas, frases, banalidades, histórias, menus, medidas, traduções, curiosidades, bebidas, biografias e o que mais você conseguir pensar sobre comer e beber. Tudo em tamanho coquetel, como está na moda por aqui. Não há uma ordem e nem por isso o livro é caótico. O projeto gráfico, do próprio autor, é bonito, limpo e organizado. A proposta é de entreter e não se comprometer, então os “assuntos” são sempre vistos pelo lado divertido, como no trecho abaixo.

Pão e expressões idiomáticas
Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. É sabido que pão achado não tem dono só que pão alheio tem bom gosto, por isso, quem estiver sendo tratado a pão e água, deve tomar cuidado para não cair na tentação e ir rente que nem pão quente tirar o pão da boca do vizinho. Se fizer isso, depois, pode comer o pão que o diabo amassou, que é o que muitas vezes acontece com quem gosta de tudo pão, pão, queijo, queijo e, para ganhar o pão de cada dia, é obrigado a lidar com uma pessoa ambígua. Mas, no mundo de hoje, quem é bom como pão às vezes não se dá bem.

Paguei R$ 34,00 na Travessa :-( , mas na Saraiva está por R$ 24,30+frete. Recomendo.

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26.10.06

Histórias de chefs

Daqui de fora, sentado nessa bela mesa, rodando na taça aquele finalzinho de vinho e satisfeito com o jantar que acabaram de servir, a gente não imagina o que aconteceu para que seus pratos chegassem belos e formosos, além de saborosos, até você. Na maioria das vezes não tem idéia de quem está lá pilotando o fogão, nem como ele ou ela chegou ali. O que a gente vê nas revistas e nos programas de TV é praticamente só imagem. Chefs impecáveis na sua apresentação pessoal, fotos posadas, belos sorrisos, cabelos bem cortados, cara de intelectual, quase uns bonecos de tão perfeitos. Mas será que a vida desses caras é assim como eles se apresentam para nós, mortais?
Dois livros mostram que a realidade pode até ser esta. Eventualmente. Em geral o ambiente desses profissionais que trabalham para que a gente coma bem, em grande parte do tempo é uma selva. E com um leão pronto para te comer todos os dias. São livros com estilos bem diferentes, mas com o mesmo assunto, mostrar os bastidores das cozinhas e salões de restaurantes, badalados ou não, pelo mundo.
O mais radical é Cozinha Confidencial do Anthony Bourdain. É quase uma auto-biografia, uma catarse desse cozinheiro-estrela que já passou por todo tipo de cozinha e hoje trabalha no Les Halles em Nova York. Com muita personalidade, Bourdain desfila um sem fim de histórias desde o dia que entrou numa cozinha pela primeira vez até virar estrela de TV. Apresenta tipos com quem conviveu que poderiam estar num filme ou numa história em quadrinhos, de tão inacreditáveis. Sexo, drogas e sangue não faltam. Mas tem também um lado didático quando lista os equipamentos básicos de uma cozinha profissional, quais as funções de cada um dentro de um restaurante, como é o relacionamento com donos, clientes e fornecedores e a fogueira das vaidades que é o esse mundo dos restaurantes e chefs em NY.
O livro mais novo foi lançado semana passada: Chame o Chef!, uma coletânea de “causos” vividos por grandes cozinheiros e donos de restaurantes. A edição original é americana por isso a maioria das histórias é de lá. Mas a parte brasileira, preparada pela Luciana Fróes, traz gente como Rogério Fasano, Silvana Bianchi e Flávia Quaresma entre outros. O livro também expõe, com um pouco menos de contundência, as agruras por que passaram chefs e donos de restaurantes para poder atender a gente. Há casos de todo tipo, desde vacilos mesmos, daqueles que se tivesse pensado um segundo não tinha feito, até fatos impossíveis de serem previstos. É um livro muito mais ameno, as histórias são na maioria divertidas – exceto a do próprio Bourdain que é bem no seu estilo esse-mundo-é-um-hospício – e algumas têm até uma mensagem. O bacana é que os chefs se expuseram mesmo, contaram coisas que nem os donos dos restaurantes onde trabalhavam, nem seus clientes souberam quando aconteceram. Só quem está em um patamar onde não deve mais nada a ninguém pode fazer isso. São quase quarenta pequenas histórias que parecem escritas pelos próprios protagonistas, o que às vezes faz com que o texto não fique tão interessante quanto poderia ser, mas que assim mostram o estilo, o caráter e a personalidade de cada um. A do Jamie Oliver, por exemplo, parece ter sido escolhida para reforçar sua imagem profissional-rebelde.
Se for para marcar diferenças, o primeiro é um livro masculino, independentemente de ter sido escrito por um homem, que mostra a duríssima realidade do aprendizado de um cozinheiro. É um livro de cozinha. O segundo é definitivamente feminino, as histórias são mais leves, o texto é menos contundente - não lembro de ter lido nenhum palavrão ou xingamento. É um livro de mesa. Mesmo assim os dois têm semelhanças óbvias: primeiro são muito divertidos, daqui de fora as histórias mais duras soam no máximo como pitorescas. Mas a semelhança mais importante é que ambos dão medo. Medo do desconhecido, do que realmente acontece nesse universo paralelo que existe atrás da porta da cozinha.
Se você é um daqueles que gosta tanto de comer fora que pensa em abrir um restaurante perfeito, do seu jeitinho, leia esses dois livros. Garanto que antes da metade você já vai estar achando que é muito melhor continuar a ser só cliente.
O problema, vai ser aprender a conviver com aquela pulga que agora aparece atrás da orelha cada vez que seu prato chega à mesa.

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10.8.06

Dois livros

Apesar de ser mais conhecido pela sua junk-fast-food, os EUA têm uma enorme tradição de ótima gastronomia. Alguns dos melhores restaurantes do mundo estão lá, seja na sua versão original ou com filiais. Cidades como Nova York, Chicago e São Francisco são conhecidas pela sua variedade e inovação na cozinha. Além disso, o país possui um importante legado em comidas regionais muito valorizadas por lá mas que desconhecemos por aqui. Por isso não é de se estranhar que a tradição da crítica gastronômica, que é muito diferente da crítica de restaurantes, tenha grande espaço na mídia e conseqüentemente tenha criado seus ícones. Pelo menos dois deles, dos grandes, tiveram livros lançados aqui, Ruth Reichl e Jeffrey Steingarten. A primeira já trabalhou no New York Times e hoje é editora da revista Gourmet, talvez uma das mais importantes da área no mundo, enquanto o outro, depois de abandonar a advocacia, publica seus ensaios e crônicas na Vogue americana. Ambas curiosamente da mesma editora.

Aqui a Objetiva não perdeu tempo e lançou de uma vez só três livros da Ruth Reichl; Alhos e Safiras, A Parte Mais Tenra e, não ria, Conforte-me com Maçãs. Apesar dos péssimos títulos acabei comprando o último pela resenha na quarta capa. Nele, Reichl conta como foram seus primeiros anos como crítica de comida na Califórnia, suas viagens, sabores, pratos, restaurantes bacanas e, onde achei que o livro escorrega, um pouco demais da sua vida pessoal, marido, amantes, amigos e tudo o que a cercava. Se foi sua intenção mostrar que uma crítica gastronômica pode ser uma pessoa normal que tem problemas e dilemas comuns e uma vida fora de cozinhas e restaurantes ela conseguiu, mas pelo menos por aqui ela não é essa celebridade toda para que a gente queira saber como aquele cara que a pegou na escada e a levou prá cama era bom nisso. Descontando essas passagens íntimas demais, o livro mostra o aprendizado de uma crítica descobrindo não só ingredientes, sabores e pratos, mas também como colocá-los de forma atraente para o leitor. Por ser também uma boa cozinheira, trabalhava em um restaurante comunitário em Berkley, há várias boas receitas descritas da forma tradicional com quantidades e passo-a-passo do preparo. Do restaurante ao lado da sua casa ao mais popular da China e o mais chique de Paris, ela esteve nas melhores mesas do mundo e desfrutou bastante disso.

O outro americano teve dois de seus livros lançados aqui pela Companhia das Letras. O Homem que Comeu de Tudo e Deve Ter Sido Alguma Coisa que Eu Comi – já deu para perceber uma diferença nos títulos, não é? Jeffrey Steingarten têm um foco muito bem definido: Comidas. Exóticas, populares, simples, fáceis ou difíceis, o cara comeu mesmo de tudo, e muito. Seu texto tem um humor fino e ácido, quase afetado. A forma prática e objetiva com que descreve o que come, não impede que sabores e ambientes sejam perfeitamente percebidos. Ele viaja pelo mundo às vezes procurando alguma coisa que muito pouca gente comeu, outras atrás de pratos tradicionais lá na sua origem. Faz experiências com dietas, freqüenta praças de alimentação, fast-foods, concursos e festivais de comida, sai atrás de trufas em Alba e de sorvete na Sicília. Faz pouquíssimas referências a restaurantes ou chefs famosos. O negócio dele é a comida. Mas o melhor é quando ele se propõe a reproduzir em casa receitas e pratos que come por aí. É quando expõe leu lado cozinheiro com método, paciência e jogo de cintura. E é como nós, às vezes da certo, às vezes não.

Fazendo um paralelo com os dois livros, diria que a Ruth Reichl está mais para uma das heroínas dos livros do Sidney Sheldon, inclusive o formato que ela escolheu é mais próximo de um romance do que de um ensaio ou crônica. Já o crítico da Vogue é como o Indiana Jones, com um estilo de texto e de crítica mais ágil e desbravador. De semelhança somente que os dois livros têm maçãs na capa.

Mas acho que no final das contas são dois ótimos livros sobre comer e comida que mostram pontos de vista completamente diferentes ao mesmo tempo em que apresentam para quem gosta do assunto, um pedaço da infinidade de sabores, preparações e ingredientes que esse trabalho chato e sem graça deles os obriga a provar. Inveja, eu? Que isso!
PS: Na edição de Agosto da Vogue americana que está nas bancas, Steingarten escreve do Rio de Janeiro e delira com nossa caipirinha. Êta vidinha.....

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