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11.10.16

Meus restaurantes no Rio

Tenho a sorte de ter um pai que, talvez por não saber nem fritar um ovo, adora comer fora. Amor esse que deve ter sido transferido para mim já no DNA, pois desde que me entendo por gente me pego procurando por mesas em restaurantes, e bares também, aonde quer que eu vá.
E já passando dos cinquenta vejo que tenho a vida marcada por restaurantes onde meu pai me levou ou eu mesmo escolhi. Não tem nada a ver com a comida que eles serviam, na grande maioria das vezes não se trata de uma marca gastronômica, mas dessa experiência que sempre foi natural e que hoje tantos restaurantes tentam nos impor. São restaurantes que me marcaram menos pelo sabor e mais pelas pessoas, pelas descobertas e pelos momentos que vivi e vivo neles.
A primeira memória de restaurante que tenho é a churrascaria Parque Recreio no Flamengo onde comíamos filé mignon e maminha na brasa acompanhados de muita batata frita e farofa. A casa foi engolida pelas obras do metrô mas espalhou pela cidade garçons e mâitres que me viram crescer em outras mesas. Toninho, Zé, Lima e Chico (que hoje trabalha no Álvaro´s) são tipos que marcaram minha infância. Lembro que um dia o restaurante fechou para que a equipe pudesse servir no casamento do filho de um dos mais antigos e fiéis clientes da casa. Eu estava lá e era como se estivesse em casa com os garçons me chamando pelo nome e vice-versa.
Quando queríamos algo mais sofisticado, meu pai nos levava no falecido Castelo da Lagoa que funcionava numa casa de pedras decorada com gravuras do Juarez Machado pelas paredes. Lembro bem que os pratos eram servidos à francesa e que tinha uma ótima feijoada aos sábados. Sobreviveu durante muitos anos nas mãos do Chico Recarey, o mesmo dono da Pizzaria Guanabara e um dos mais tradicionais donos de restaurantes do Rio no século passado.
Depois que a Parque Recreio fechou, parte da clientela e da equipe migrou para a Carreta em Ipanema que conseguiu manter o espírito da casa do Flamengo. O corredor da entrada terminava na churrasqueira antes do salão onde comíamos as mesmas coisas que eram servidas na Recreio. Na época ainda não existiam cortes como picanha, fraldinha ou cupim. Outra churrascaria que frequentei bastante foi a Jardim na Rua República do Peru em Copacabana. Acho que as três eram tão parecidas em cardápio, atendimento e ambiente que que acabei fazendo um mash-up delas na memória.
Outro restaurante que faz parte da minha história pelas mesas do Rio é o Mistura Fina da Lagoa onde sempre comia a famosa feijoada com feijões branco e preto que o Pedro Paulo promovia aos sábados. De lá saiu o Paulo que hoje é sommelier na Casa Carandaí. O Mistura era o maior alto astral e uma vez promoveu um concurso de Dry Martinis inesquecível.
Eu tinha conta mesmo era no Manolo´s no Leblon, onde hoje está uma hamburgueria.... Do mesmo dono e com o mesmo estilo de comida do Álvaro’s, era onde eu com meus vinte anos batia ponto semanalmente para comer uma deliciosa capa de filé ou o estrogonofe. Sentava e nem precisava pedir ao Chico minha caipivodka de limão, coada com açúcar e um pastel de queijo com cebola. Nessa mesma época de estudante frequentava o Madrugada, do Rodolfo Bottino, na Rua Sorocaba em Botafogo. Ele era uma simpatia – sempre oferecia uma garrafa de espumante nos aniversários - a massa era ótima e a casa fechava tarde. Não precisávamos muito mais do que isso.
Em meados dos anos oitenta tive a sorte de estagiar por três anos num escritório na Rua Rita Ludolf, no Leblon, mesma rua do talvez mais carioca dos restaurantes, o Gula-Gula. Ali foi o primeiro, o Gulinha, que o Fernando de Lamare abriu e onde ele me olhava da cozinha perguntando se a salada de batata frita e a quiche de cebola estavam boas. Hoje continuo vizinho e cliente do Gula que se tornou um grande negócio, com vários endereços, mantendo o espírito e muito da casa original.
Outro que frequento há quase trinta anos e que recentemente mudou de endereço é o Botequim que agora está no começo da mesma Rua Visconde de Caravelas em Botafogo. Outro dia fui me despedir do antigo endereço e encontrei o Ivan Oest, um dos donos da casa hoje tocada pelos filhos e meu professor na Santa Úrsula.
Vivíssimo também está o Luigi’s perto da Praça São Salvador, outro que frequento desde o tempo em que o Alessandro Cucco, hoje sócio da Osteria del Angolo, tirava as pizzas do forno e servia as mesas. Meus pratos favoritos, o filetto pepe verde e o capeletti de gorgonzola, nunca saíram do cardápio. Restaurante super familiar, sem nenhuma afetação, há mais de três décadas por aqui praticamente sem nenhuma mudança.
Todo mundo sabe que eu detesto filas, principalmente para comer. Por isso alguns podem estranhar que o Galeto do Leblon seja um dos restaurantes da minha vida no Rio, pois sábados e domingos está sempre cheio no almoço. Frequento a casa desde que as janelas de madeira não fechavam e continuei frequentando depois que uma longa reforma a deixou parecendo um McDonald’s. É verdade que eventualmente enfrento uma fila, mas se é para comer galeto e picanha num almoço de final de semana, prefiro essa fila, o ambiente e a comida às do Braseiro no Baixo Gávea. Perdi a conta de quantas vezes sentei e o Itamar já tinha botado uma caipivodka e um par de linguiças na mesa. Além das carnes, a farofa de ovos, a batata frita e o pudim de leite são inigualáveis. Em frente ao La Mole são os jurássicos da rua.
Eu devia ter uns doze anos na primeira vez que fui no Garden, em Ipanema e o restaurante era um pouco mais velho do que isso. Não imaginava que décadas depois eu ainda frequentaria não só seus salões, mas também sua cozinha e seu cardápio. Há mais de uma década a casa é administrada por um grupo liderado pelo Jorge Renato que um dia depois de tanto falarmos da culinária catalã, me convocou para treinar seu chef a fazer dois ou três pratos que entrariam no cardápio. Apesar disso o Garden continua sendo um dos mais tradicionais restaurantes do bairro e aquele tipo de lugar onde é difícil escolher o que comer pois o cardápio parece ter sido feito para mim.
O caçula da minha lista faz dezoito anos agora em dezembro. Já foi na Lagoa onde eu conheci, mas há muitos anos está na Barão da Torre em Ipanema. O Bazzar é aquele tipo de restaurante muitas coisas em uma só. É talvez o melhor restaurante de comida brasileira do país, tem um dos melhores bares da cidade, uma carta de vinhos invejável e um ambiente que deixa confortável do executivo engravatado ao carioca-que-só-sai-de-bermuda-e-camiseta. Apesar de frequentar a casa desde o começo, só há dez anos fui conhecer a Cristiana Beltrão que ficou surpresa quando eu recitei os pratos do seu cardápio de memória. Pratos que ao lado de muitas novidades, estão lá desde sempre. O Bazzar é hoje meu lugar para tomar um goró no meio da tarde, jantar bacana ou almoçar com amigos.
Essa dúzia de restaurantes que lembrei não são só os lugares onde eu cresci, também representam um viés carioca da cada época. Além disso, alguns deles nunca se preocuparam em mudar seus cardápios mostrando que o gosto pela mesa é sim transmitido de pai para filho, senão pelo DNA, pela experiência de levar a família numa casa e ela ser acolhida pelo ambiente, pelo atendimento e pelo cardápio certo. E, para quem gosta de comer, quando esse conjunto funciona, deixa marcas.
Claro que não esqueci de lugares como Esquilos, Fox, Alt Munchen, Pantagruel, Quadrifoglio, Guimas, Alho e Óleo, Majórica, Ettore, Cantina Bolognesa, Mama Rosa, Tarantella, Bozó e Lamas que também fazem parte não só da minha história entre mesas e pratos, mas também da história dessa cidade onde, dizem, come-se mal. Pfffff.

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23.9.14

Sete Hamburguers e um pudim

Quando me propus a comer sete hamburgers em sete lugares diferentes por sete dias consecutivos, não tinha outro objetivo a não ser divertir os amigos que me acompanharam nessa odisséia. Esses amigos esperavam um veredito ou no mínimo um ranking dos melhores hamburgers, coisa que eu não tinha planejado fazer.

Para tentar satisfazer as expectativas, acho que dá para separar os sete cheeseburgers que comi em três categorias diferentes. Vamos lá.
Os Surfistas - são aqueles que estão aí para aproveitar a onda do hambúrguer. Onda que não foi criada por eles e à qual eles pouco têm a acrescentar. Nessa categoria estão o TT Burger, Brothers' Burgers e o Pub Escondido. Não que os sanduíches sejam ruins, pelo contrário, mas não brilham e apesar de criativos, não se destacam em nenhum quesito. Sobrenome, hypeness e arte culinária não são quesitos nesse caso. Se ano que vem eles não estiverem aqui, ninguém vai sentir falta. Outros virão. Mas pode ser que eu esteja enganado, que o hambúrguer seja o novo sushi, veremos.
Os Táticos - São também recém chegados mas que se descolaram da onda. Parecem ter um projeto, uma direção mais clara, que não necessariamente é fixa mas que ajuda a mostrar aos clientes para onde a casa quer ir. Coloco nessa categoria o Boteco D.O.C. e o Delirium Café que, cada um da sua maneira, entregam algo mais sem abusar de ingredientes mirabolantes ou receitas secretas. Apenas ótimos sanduíches com personalidade, o que é muito diferente de ter um sobrenome ou uma assinatura.
Por fim os dois últimos, que para quem não os conhece de perto poderia pensar que de tão diferentes deveriam estar em categorias separadas. Tolinhos.

Os Craques - A diferença maior entre o BB Lanches e o Bazzar Lado B é que num se come em pé e no outro sentado. No resto eles são praticamente iguais. Estão aí a mais tempo do que a gente se lembra, quando você vai lá sabe exatamente o que vai encontrar, os donos estão sempre de olho na cozinha e nos clientes, prezam pelos ingredientes e pela qualidade do que entregam e são das casas mais cariocas da cidade. Não é á toa que, apesar de serem experiências completamente diferentes, em matéria de cheeseburguer eu coloco esses dois, juntos, num patamar acima dos demais.
O sanduíche do BB é delicioso e de uma simplicidade quase espartana, tem o mínimo necessário para dar certo. Less is more  ao quadrado. No Bazzar Lado B o sanduíche é tão bom quanto e nem bacon tem. Pois é. Para completar, o alho assado e os molhos ao lado, longe de serem invencionices, são complementos de sabores que só fazem o cheeseburguer melhor do que ele já é. Mas o Bazzar guarda uma carta na manga que seria considerada dopping se estivéssemos em uma competição: o pudim. Ele é o arremate perfeito para o sanduíche. Não dá para deixá-lo de fora dessa odisséia só porque não tem carne ou queijo.
Depois desses sete dias, meu amor pelo hambúrguer não ficou abalado, mas acho conveniente darmos um tempo, comer atum ou pizza. Vários parceiros diferentes, foi tudo muito intenso, sabe?
Foi uma semana cansativa, e apesar de me sentir satisfeito a maior parte do tempo, não engordei nada. É certo que esse projeto atrapalhou um pouco meus treinos de corrida mas nada que meu treinador não resolva em uma semana ou duas. Quem sabe três.
Obrigado a todos que comentaram, participaram, acompanharam e deram sugestões. Foi um prazer dividir essa semana com vocês.

Veja aqui como foi cada um desses sete dias, sete hamburgers.

Dia 1 - TT Burger, Leblon
Dia 2 - BB Lanches
Dia 3 - Brothers Burgers
Dia 4 - Boteco D.O.C.
Dia 5 - Delirium Café
Dia 6 - Bazzar Lado B
Dia 7 - Pub Escondido


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22.9.14

Sete dias, sete hamburgers - Dia 7, Ufa! - Pub Escondido

Para finalizar a semana de carne, bacon, queijo, pão e cerveja, fomos para Copacabana. Nenhum bairro é mais carioca do que ele que com cerca de 150.000 habitantes, sendo 1/3 de idosos, tem de barracos em favelas a apartamentos de 1.000m2, mendigos e turistas à vontade e uma das praias mais bonitas do mundo. Exatamente por essa diversidade enorme, não estranha encontrar por lá uma nova e grande hamburgueria/cervejaria, o Pub Escondido. Nada é estranho em Copacabana.
O nome avisa logo que o lugar não é fácil de achar, recuado numa rua estreita, sem letreiro nem turistas perdidos na porta, tampouco tem jeitão de pub inglês. A casa é ampla e arejada, com dois bares e funciona no esquema de comanda individual, que junto com a música mais alta identifica bem o tipo de público que busca.
No cardápio há quinze opções diferentes de hamburguer, todas com distintas versões de um pão de malte bem bom (preto, vermelho, defumado, com limão....). A carta de chopes também é bem extensa, são vinte e quatro torneiras para todos os gostos. Falar em "carta de chopes" é um pouco de exagero pois o que nos mostram é um papel tipo ofício impresso com a descrição de cada chope, todo dobradinho e rasgadinho como se tivesse saído da carteira do garçom. Bem desleixado e um pouco confuso apesar das descrições serem bem completas.
Como tenho feito essa semana onde havia mais de uma opção de hamburguer, escolhi uma das versões mais simples, o Cheddarburguer que além do queijo tem cebolas caramelizadas, bacon, alface e tomate grelhado e além de onion rings que foram das melhores que já comi e maionese caseira. Para acompanhar fui de Mistura Clássica Vertigem, um Pale Ale muito bom e muito bem tirado.
O sanduíche é legal, sem sabores marcantes mas com um pão acima da média. Marcantes foram os anéis de cebola, perfeitos. Reconheço que depois de comer seis hamburguers diferentes nos últimos seis dias, fiquei mais chato e esperava mais do sanduíche. Quem comeu o Inconfidentes Burguer, com queijo Serra da Canastra e couve frita teve a mesma impressão. Apenas normal.
Dois belos chopes e um cheeseburguer custaram cerca de R$ 65,00, o que considerei alto pelo conjunto.
O Pub Escondido parece estar muito mais para uma cervejaria do que para um pub e feito para um público mais jovem e menos exigente com a comida do que com a bebida. De qualquer maneira, a casa é bem bacana e merece uma segunda visita em breve.

Conheça como isso tudo começou aqui.

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21.9.14

Sete dias, sete hamburgers - Dia 6 - Bazzar Lado B

O Bazzar é um caso único entre os restaurantes do Rio. Primeiro porque não é só um restaurante, mas uma marca. Segundo porque ao contrário de outras marcas que a gente conhece, ele não segue modinha mas está sempre de olho nas tendências mundiais e terceiro, é muito brasileiro sem ser nada, mas nada típico.
Na sua versão Lado B, dentro da Livraria da Travessa em Ipanema eu sempre tento, mas raramente peço outra coisa diferente do pudim de leite. Às vezes peço uma entrada, que quase sempre é o cheeseburguer da casa.
No menu, a descrição do sanduíche é bem simples: 100% picanha e cheddar, acompanha batatas fritas ou salada verde. Só. Definitivamente a descrição não condiz com a realidade do prato. Prato? Não tem nem prato.
O cheeseburguer chega bem apresentado numa placa de cerâmica e acompanhado de dentes de alho assados, folhas de rúcula, molho barbecue e mostarda da casa. As batatinhas são servidas numa concha de metal bem charmosa. Pedi uma Hoegaarden para acompanhar. Pela foto dá para ver que o conjunto promete.
O pão é feito na casa e super macio, o hamburguer veio com uma casquinha crocante, bem rosado e suculento no interior e é diferente de todos os outros hamburgers que comi essa semana.
Como deve ser um hamburguer de verdade, a carne não é humilde e apesar de presentes, nenhum dos outros ingredientes se sobressai além do que deveria. Nem as batatatinhas crocantes e salgadas no ponto. O que destoou foi a cerveja condimentada demais para acompanhar. Culpa minha, há muitas outras para escolher.
O conjunto entrega tudo o que parecia prometer. O queijo é cremoso, o pão fica molhado com os sucos da carne, espalhar um alho assado na mordida muda tudo, a mostarda forte e o molho barbecue te dão várias opções de sabor. Se tenho alguma crítica é que sinto falta de um croc e de uma gordurinha de bacon.
Mas eu fui ao Bazzar comer pudim, certo? Errado. Eu fui comer o melhor pudim de todos. Minha sogra que me desculpe.
Na foto dá para ver que ele é feito com fava de baunilha mas não dá para ver que ele é denso e que o meio vem preenchido com calda de caramelo e flor de sal. O sal faz todo o sentido numa sobremesa tão doce. Dá aquele corte, aquele choque na língua que se abre para a baunilha e o caramelo. O pudim vem imponente num prato fundo de cerâmica que voltou limpo para a cozinha. Cheeseburguer, cerveja e pudim do Bazzar Lado B é das melhores coisas que você pode comer no Rio com R$ 75,00. 
O Bazzar é um caso curioso, pois ao mesmo tempo que entrega um prato rico em sabores, elaborado e pensado nos mínimos detalhes, faz com que tenha um jeito meio caseiro mas sem ser humilde nem tímido, pelo contrário, quase bruto, sem luxo mas como muita personalidade. E isso não vale só para o cheeseburguer ou para o pudim.
Anos atrás o Bistrô fez uma entrevista com a dona do Bazzar, acho que vale a leitura aqui.

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20.9.14

Sete dias, sete hamburguers - Dia 5 - Delirium Café

Quando comecei esse singelo desafio de comer sete hamburgers em sete lugares diferentes durante sete dias consecutivos eu também estava pensando nas cervejas que iria provar já que nenhuma outra bebida harmoniza tão bem com o sanduíche do que ela. Curiosamente até agora, o nível dos dois tem sido equivalente. Onde tinha um hamburguer mais ou menos, a cerveja não era lá essas coisas. Quando o sanduíche melhorava um pouco, ela acompanhava. Então ir no templo carioca da cerveja - são mais de 2.000 rótulos -  para comer hamburguer foi arriscado, pois a probabilidade da bebida superar a comida não era pequena.
De fora o Delirium Café não impressiona, mas já na porta você entende que os caras ali não estão para brincadeira, pelo menos no quesito cerveja. O bar à esquerda deve ter umas dez torres de chopes diferentes. Mais no fundo estão as mesas e uma parede de cheia de garrafas de cerveja. Aliás tem garrafa de cerveja até no teto. No segundo andar onde sentamos as paredes são cobertas de bolachas de chope. Ali corre o risco de não passar no teste do bafômetro só por respirar.
Fui lá comer hambuguer, mas confesso que lendo o menu, dei uma reteada. Como aconteceu na véspera no Boteco D.O.C., dá vontade de provar um monte de coisas. Tem desde moule et frites até bolinho de feijoada do Aconchego passando por linguiçinhas, pastéis e croquetes. Tudo comida feita para beber cerveja.
De hamburguers há três opções, esses dois da foto são o Delirium no fundo, feito com pão de malte, cheddar, alface e cebolas ao vinho, e o Classic que eu comi na frente. No meio tem uma ótima Noi Avena, feita em Niterói.
No Classic, a carne, alface, queijo, picles e ketchup da casa formam um conjunto tão bom que compensam amplamente o inexplicável pão Plus Vita usado. O sanduíche tem o nível das cervejas da casa. Coisa séria.
Não canso de insistir que pra mim, menos é mais e bom senso é o mínimo. Por isso gosto tanto quando um hamburguer que não tem assinatura, não se considera obra de arte nem é feito por um 'chef", é tão bom, principalmente feito numa casa que não tem pretensão de revolucionar nada nem seguir modinha, apenas fazer simples e bem feito.
O Classic do Delirium é ótimo. Começando pelas 150g de carne bem temperada e cozida - pelo jeito não estou tão defasado assim em relação à importância da carne nesse sanduíche - o queijo no ponto, alface crocante e o ketchup picante dando aquele punch na boca. Quem comeu o Delirium Burger também adorou. as batatinhas deles eram melhores do que as minhas que não estavam de jeito nenhum ruins. Dos hamburguers que eu comi sentado essa semana, este foi de longe o melhor. Ele custa R$ 34,00 e vale cada centavo. Há excelentes cervejas a partir de R$ de 19,00 para para acompanhar. Além da Noi Avena, tomamos o chope da Delirium Tremens, outra Noi de trigo e uma Blue Point de abóbora muito condimentada.
É bacana ver uma casa de origem belga fazendo um ótimo hambuguer, sanduíche tipicamente americano, enquanto serve cervejas americanas inspiradas na tradição cervejeira belga. Globalização perde.
Saí do Delirium Café não só de alma lavada mas pronto para voltar e provar vários outros pratos, petiscos e cervejas da casa. Acho até que dá para pensar num novo desafio de sete dias só indo ao Delirium. Hic!
Sábado e domingo serão dedicados a um clássico e a um novo hamburguer cariocas.


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19.9.14

Sete dias, sete hamburgers - Dia 4 - Boteco D.O.C.

Confesso que quando entrei no Boteco D.O.C. em Laranjeiras eu estava querendo matar um. Além da fome negra das três da tarde, eu tinha levado uma hora no trânsito para andar menos de 10km. Pedi logo um chope para relaxar enquanto esperava uma mesa pois a casa estava cheia.
Casa simples, sem projeto de arquiteto, provavelmente decorada pelos próprios donos com LPs e garrafas de cerveja pelas paredes. Trilha sonora bacana, serviço meio amador, afetação zero, charme abaixo de zero.
Sentei rápido e olhei o menu só por curiosidade. Cardápio enxuto, simples mas com algo mais. O ambiente e o menu pareciam de lugares diferentes. Pratos como Bobó no copinho e Moqueca thay de linguado, não são exatamente comida de boteco. Mas devem ser bons pois eu era o único comendo hamburguer e batatinhas.
Hamburguer é apenas uma forma de dizer, na verdade são três mini-hamburgers no pão de parmesão com ketchup caseiro, cheddar e cebolas caramelizadas. As batatinhas são assadas e fritas e acompanhadas de allioli com manjericão.
Não deixa de ser curioso que uma casa com a cara que tem e o nome de Boteco sirva um hamburguer assim, tipo delicado, bem montado e apresentado. Mas olhando os outros pratos servidos nas mesas, vi que esse é o padrão mesmo. Tudo com boa apresentação, bem melhor do que o visual da casa. O site diz que esse boteco tem um chef que estudou no Lenôtre em Paris e trabalhou em alguns restaurantes bacanas no Rio. Tá explicado.
O que não tem explicação foi servirem meus hamburguers com o pão frio. Imperdoável. Principalmente porque é você que fecha o sanduíche. A segunda impressão do prato não foi boa. Mas a terceira foi. O hambuguer é bem legal. Não tem molho secreto nem ingredientes mirabolantes. É um bom hamburguer caseiro bem feito. Mas de novo a carne  não é protagonista do sanduíche. Embora com algum tempero e bem feita, o ketchup e a cebola dominam os sabores. Estou começando a achar que o meu entendimento sobre o que é um bom hamburguer está defasado já que as novas hamburguerias parecem valorizar muito mais o que vai em cima da carne do que ela própria. Acho esquisito isso.
As batatinhas são ótimas, vieram quentinhas e crocantes, e com o allioli de manjericão acompanharam muito bem os mini-hamburguers.
Passei o almoço inteiro pensando no motivo de se optar por fazer um modelo mini e não um de tamanho normal. No lado da cozinha talvez complique um pouco montar três peças pequenas, mas do lado do cliente facilita comer e fica bonito no prato.
Esse foi o mais caro dos hamburguers até agora. Puxado pelas batatinhas que custam os mesmos R$ 19,00 dos mini-hamburguers, com dois bons chopes da casa e café, o almoço saiu por R$ 64,00. É caro, mas descontando o ambiente totalmente sem charme, é bom. Até quero voltar para provar outros pratos já que ninguém vive só de hamburguer, nem eu, nem o Boteco D.O.C.

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18.9.14

Sete dias, sete hambugers - Dia 3 - Brothers' Burgers

O site do Brothers' Burgers diz que a "casa preza pela arte da culinária". Fiquei meio cabreiro. "Arte da culinária" numa hamburgeria de um produto só? Quem escreveu isso é quem vai preparar meu hamburguer? A boa notícia é que não encontrei arte nenhuma no que comi. Sim, essa é a boa notícia. O que eu encontrei foi um clone do TT Burger onde fui na segunda-feira.
A lanchonete é pequena, tem no máximo 25 lugares sendo meia duzia numa mesa-balcão no corredor do Shopping da Gávea. A ambiente é bacaninha, iluminação certa, tudo direitinho. No horário que eu fui, 15hs, tinha mais gente atrás do balcão do que clientes do lado de cá. Seis lá, três aqui. achei estranho, mas cada um sabe do seu negócio, certo?
A clonagem começa no menu que só não é idêntico no formato e conteúdo porque não cobra extra pelo bacon. Os preços também são um pouquinho melhores, Meu Monster Burger com fritas e cerveja custou R$ 36,00. Falando em fritas, não me foram oferecidas as batatas da casa que diz o site serem "como um tempura de batata". Acabei comendo as normais mesmo, uns palitos meio murchinhos bem mais ou menos.
O clone copiou também a embalagem de delivery para comer no local do TT que é um desperdício monstruoso de papel de boa qualidade. O que o clone não copiou, mas que deveria ter copiado são os enormes guardanapos do TT. Aqui eles são bons mas de tamanho normal. Uma pena.
O Monster Burger - que a casa considera uma "obra de arte" criada por um "renomado chef" - tem 180g de carne, queijo, bacon, alface, tomate e maionese dentro de um pão que foi "cautelosamente"- palavra deles - desenvolvido pelo Talho Capixaba.
O resultado não supera nenhuma expectativa como pretendido pela casa. A carne tem até um temperinho, estava corretamente cozida mas não se destacava. O conjunto é apenas correto, comum.
Desconheço se os donos se consideram artistas culinários e estão felizes com sua obra de arte. O que eu sei é que pretender fazer um produto diferente é bem diferente de ter a pretensão de ter feito um produto diferente. Acho que o  Brothers Burgers se perdeu entre a pretensão do novo e a cópia da modinha e acabou sendo apenas mais um que nem sobrenome famoso tem.

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17.9.14

Sete dias, sete hamburgers - Dia 2 - BB Lanches

Instalado há décadas na esquina da Ataulfo de Paiva com Aristides Espínola, o BB Lanches é um ícone carioca. Frequento a lanchonete há mais de trinta anos, talvez quarenta e ela dispensa apresentações.  Não preciso dizer que os clientes chamam os atendentes pelo nome e vice-versa, que o cardápio não muda nunca, nem que o pastel de carne que eu comia de almoço quando era estagiário continua igualzinho. A única mudança retumbante foi que depois de anos pedindo e pagando, agora a gente tem que pagar e pedir. "Fichas no caixa", saca?
Não é a primeira vez que falo do BB aqui, já votei nele em algumas edições da Comer & Beber da Veja Rio entre 2006 e 2009 tanto como melhor sanduíche como melhor suco. Se tivesse uma categoria de melhor rissole ou melhor pastel, também ganharia meus votos.
Depois da frustração com o hamburguer Troisgros ontem, bastou atravessar a rua para resolver esse problema. O hamburguer do BB, o cheeseburguer com bacon para ser mais exato, é muito mais bem resolvido do que o do TT em absolutamente todos os aspectos com exceção talvez do marketing. Molho secreto? Pra quê molho secreto se você tem um bife de hamburguer saboroso, bem temperado e suculento? Pão de batata-doce, 200g, queijo meia cura, picles de chuchu, receita da família.....tudo parece um exagero de um mundo paralelo que existe do outro lado da rua. Less is more,é aqui, do lado par da Ataulfo.
É fato que hamburguer virou mainstream e a concorrência é grande, então a tentação por "melhorar", "diferenciar", "surpreender", "reler" passa a ser enorme quando se pensa no hamburguer como produto, como negócio. Aí eu imagino quantos chapeiros já passaram pela cozinha do BB fazendo exatamente o mesmo hamburguer enquanto a maioria das lojas ao redor mudavam de acordo com a moda. O BB deve estar fazendo alguma coisa certa mas que a concorrência não quer ou não sabe copiar.
Como fica evidente na foto abaixo, elegância não é o forte do cheesebacon com fritas do BB. Até dá para suspeitar de um certo desleixo. Ledo engano.
A primeira coisa que você prova são as batatinhas que cobrem o hamburguer e o prato. Elas são perfeitas, crocantes, salgadinhas e cabem na boca junto com o sanduíche que mesmo não sendo gigante, vem cortado ao meio, facilitando muito o trabalho de comê-lo. É ótimo ver que tem alguém pensando na interface do prato com o cliente. O nome moderno disso é usabilidade.
Antes da primeira mordida dá para ver que a carne está perfeitamente rosada e cozida por dentro, que a quantidade de queijo é justa e que o bacon ainda borbulha sua gordura.
Uma coisa típica de sanduíche de lanchonete é que depois de montado o conjunto volta para a chapa dupla e é levemente prensado enquanto o pão é aquecido. O resultado é um sanduíche que além de delicioso, é compacto, não desmonta, não pinga e onde os sucos da carne, queijo e bacon impregnam o pão quentinho. Tudo o que um sanduíche gostaria de ser.
Desconheço os temperos usados na carne e a origem do pão, do queijo e do bacon e não vejo razão para investigar. Nada me parece orgânico, gourmet ou com responsabilidade social mas estão lá, iguaizinhos, na mesma esquina - uma das mais caras da cidade -  alimentando gerações de cariocas que entre uma modinha e outra não dispensam sabor, personalidade e simplicidade no que comem. Não pode ser ruim, não podem estar todos errados, não pode não ser um bom negócio para os dois lados. 
Mesmo sem usar ingredientes e preparações mirabolantes, ou talvez por isso mesmo, o hamburguer do BB Lanches é desde sempre um dos melhores seja do lado impar ou do lado par da cidade. Vamos torcer para que continue assim por pelo menos mais trinta anos.

Hoje vou na talvez mais nova hamburgueria da cidade. De que lado da rua ela estará?
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A foto da fachada eu roubei do Diogo Carvalho do Destemperados.

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16.9.14

Sete dias, sete hamburgers - Dia 1 - TT Burger, Leblon

Minha programação original era para começar os sete dias de hambuguer pela mais nova casa especializada da cidade, o PJ Clarke's no Leblon, mas a única mesa vaga ontem, 19:50 era junto à porta e tipo de bar, com banqueta alta. O térreo não é grande, estava cheio e o segundo andar não estava aberto. Sentar numa mesa muito ruim só porque ela está lá é quase como fazer fila para comer, que foi a outra opção oferecida pelo recepcionista. Não preciso disso. Decidi então abortar a missão PJ e partir para o seu vizinho TT Burger, a  pouco mais de um quarteirão de distância.
É fato que hamburger está na moda. Fato incontestável. Quem fazia, continua fazendo e quem não fazia, passou a fazer. Mas quando eu vejo o sobrenome de uma das mais tradicionais famílias da gastronomia mundial num letreiro de uma hamburgueria, tem algo passando do ponto, Qual seriam as razões para um Troisgros a dedicar uma casa exclusivamente a esse tipo de comida? Eu vejo duas: juntar o sobrenome com a modinha e capitalizar em cima disso ou então fazer um hamburguer que quem coma pense: Putaquiupariu, só mesmo um Troigros poderia fazer um hamburguer tão bom!
O ambiente do TT é bacana, iluminação no ponto, mesas para todos os gostos, varandinha, nada errado. Mas o mais legal é a pequena biblioteca comunitária que eles oferecem. Pegue um livro e leia durante a refeição - coisa difícil comendo um sanduíche - ou leve pra casa e devolva depois. Ótima iniciativa.
Ao lado da bibliotteca (sacaram a pegadinha no nome?) tem o caixa que anota seu nome no pedido e passa para a cozinha. Quando fica pronto gritam seu nome e você pega no balcão. Se quiser outra cerveja ou sobremesa tem que entrar na fila novamente. Quando gritaram meu nome me lembrou a vistoria do Detran. Tenho certeza que há outras soluções menos estridentes.
Só tem uma opção de sanduíche, o TT Burger, 200g de carne que vem num pão de batata doce com queijo, alface, tomate, cebolas, picles e molho. Custa R$ 28,00. Paguei mais R$ 4,00 pelo bacon. Para acompanhar pedi a batata chips do Thomas, com vinagre e sal, R$ 7,00, e uma cerveja, a ótima Colorado Cauim a caros R$ 12,00 num copo de plástico. O lanche todo custou R$ 51,00.
O hamburguer e as batatas são entregues dentro de um saco de papel, elas num saquinho menor e ele bem embrulhado num papel absorvente. A melhor surpresa foram os dois enormes guardanapos de papel que acompanham o pedido. Isso faz toda diferença na hora de comer um grande sanduíche como esse.
Grande mesmo. Embora venha bem arrumado, acho que 200g de carne mais queijo, molho, pão, etc. acabam fazendo um sanduíche grande e pesado demais, Ou você come rápido, sem curtir ou do meio para o fim ele já está frio, massudo e mais dificil ainda de comer. Acho que um bom hamburguer não deveria passar das 150g.
Se eu não soubesse que o pão era de batata doce, não faria a menor diferença. É um bom pão, o que não é pouco, mas nada além disso. O alface e o bacon eram responsáveis só pela crocãncia já que há muitos outros sabores fortes ao mesmo tempo: picles, queijo meia cura, cebola e molho secreto. O conjunto acaba ficando confuso. Quem me conhece sabe que sou partidário do less is more o que está longe de ser o caso aqui. Tudo isso parece ser usado para dar o sabor que a gente não encontra na carne. O bife de hamburguer tem 200g de uma tediosa e sem graça mistura de carnes, aparentemente sem temperos cuja receita, segundo eles, está há cinco gerações na família. Só lamento. Entendo que um sanduíche é um conjunto de sabores que deve ser harmonioso, mas num hamburguer, o mínimo que se espera é que a carne não seja apenas mais um suporte para os extras. Ela tem que ter participação ativa, senão predominante no sanduíche, coisa que não aconteceu no TT Burger que provei.

As batatas fritas do Thomas não valem o sobrenome que têm. No meu saquinho haviam claramente batatas recém feitas e outras mais antigas, Estavam bem crocantes e salgadas no ponto mas excessivamente fritas. Me arrependi de não ter pedido as palito normais.
Não fui de sobremesa ou café porque tinha que entrar novamente na fila, mas há brownies do Luiz e sorvetes Nuvem, dois clássicos recentes cariocas.

Acho que a moda do hamburguer é bem mais consistente do que a das temakerias e a dos sorvetes de iogurte e não tenho dúvidas que os Troisgros estão tendo enorme sucesso com ela. Só fico imaginando que com a tradição e o sobrenome que têm, eles não poderiam, além de criar um negócio rentável e ganhar dinheiro, contribuindo com algo mais para a gastronomia popular carioca do que apenas seguir uma moda. É um pensamento que me parece fazer algum sentido.

No final das contas o lanche foi bem médio mas não ao ponto de pensar se teria sido melhor ficar esperando por uma mesa decente no PJ. Fila jamais!

Amanhã tem mais! Vou só atravessar a esquina.

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19.5.14

Então, você sonha em abrir um restaurante?


É inevitável. Quem gosta de comer e/ou cozinhar já pensou em abrir um restaurante. Alguns vão adiante com a idéia e realizam seu sonho. Sonho ou pesadelo? 
A revista Forbes entrevistou alguns donos e consultores de restaurantes para uma reportagem que pode ser lida aqui em inglês e listou oito dicas para quem (ainda) pensa em abrir um restaurante depois de lê-la. Com ilustrações da Forbes.

Conheça o seu conceito: Encontre o seu nicho, desenvolva o seu conceito e prenda-se a ele. Certifique-se de que ele é claro para todos. O conceito deve ser algo do seu coração e alma e não o que você acha que vai ser a próxima modinha.

ALTEconomize: Tenha capital suficiente para manter o seu negócio por pelo menos um ano. Bill Stenehjem, um ex-conselheiro do ensino médio que abriu o Wine Bar Stonehome no Brooklyn, diz: "Os custos iniciais são sempre muito maiores do que você imaginou." Um estudo realizado por pesquisadores da Ohio State University mostrou que até 60% dos restaurantes fecham em três anos.
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Quem é quem? Se você tem investidores, esclareça o papel de cada um. São sócios silenciosos ou eles podem decidir o formato da pia do banheiro?



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Divulgue: Não espere até estar olhando para um salão cheio de mesas vazias antes de contratar a divulgação. "É muito mais fácil gerar buzz antes da abertura", diz Jennifer Baum, fundadora da empresa de relações públicas Bullfrog & Baum, que representa chefs como Joel Robuchon, que tem restaurantes de Paris a Hong Kong, e Marcus Samuelsson, o sueco por trás do Aquavit em Manhattan.
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Prepare-se: Esteja emocional e fisicamente preparado para trabalhar duro. Michela Larson, que abriu o Rocca Kitchen and Bar, em Boston, diz que "os restaurantes são como bebês. Eles levam seis meses antes que possam dormir a noite toda."
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Contrate certo: Contrate os funcionarios principais o mais cedo possível para já ir construindo um time unido. A veterana Jeanne Cretella, que tem operado restaurantes, incluindo The Boathouse no Central Park de Manhattan, diz que é fundamental a contratação de uma equipe alinhada com o conceito da casa - do chef até quem atende o telefone. Carlos Suarez, que recentemente abriu Bobo, restaurante temático em um triplex de Nova York, diz que levou quase um ano e inúmeras degustações antes de encontrar um chef que compartilhasse a sua visão.
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Incentive: Ofereça aos bons funcionários uma razão para ficar como pagamento de incentivos ou bônus. Você não quer que seu chef abandone a cozinha no meio de uma noite de sábado, certo?



Talvez você também queira ler outro post nosso sobre restaurantes: Com Quantos Pratos se Faz um Cardápio.







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25.3.13

A fome e a memória



Histórias de bons restaurantes que duraram pouco todo mundo conhece. Na maioria das vezes o problema é a gestão amadora, briga de sócios ou os dois. Dá dó você sair de casa para comer naquele italiano tão bom que abriu há poucos meses, procurar vaga, estacionar o carro, ver o letreiro de longe e dar de cara na porta. O flanelinha ainda informa que fechou semana passada e que vai abrir uma farmácia no lugar. Que pena.

O contrário é bem mais raro, um restaurante ruim ou apenas sem graça ou sem nenhum atrativo especial durar décadas numa cidade cada vez mais competitiva como a nossa, convenhamos, é bem mais difícil de encontrar. Mas nesse caso, quem não procura, quem foge, acaba sendo encontrado. Foi o meu caso.

A falta de empatia e a vaga lembrança de uma má experiência na Osteria Policarpo há mais de dez anos sempre me afastaram de lá. Isso durou até anteontem quando passando pelo Largo dos Leões, às 17:00hs sem ter almoçado, a fome embotou minha memória, dominou alguns músculos da face e fez minha boca faminta declarar:

- Vamos comer uma massa no Policarpo!

Eu mesmo achei que era outra pessoa falando e ia retrucar, mas quando vi já era tarde, a fome já tinha nos colocado sentados no restaurante. Éramos os únicos clientes.

O ambiente do Policarpo é simples, limpo e impessoal. Fora as gravuras fazendo referências à Itália e suas massas, poderia ser um restaurante de qualquer especialidade.O cardápio, ao contrário, deixa bem clara a proposta da casa. Os pratos são todos típicos italianos descritos naquele idioma próprio dos restaurantes desse tipo por aqui.
O que de cara chama a atenção no menu é a relativamente pequena quantidade de opções, o que de jeito nenhum me incomoda, acho até bom e inclusive já tratamos desse assunto num post em 2006. Outra coisa que chamou minha atenção foram os preços de gente grande num restaurante tão simples.
O prato que escolhi, Fettuccini ao Ragu com pimenta, custa R$ 44,00. A Monica pediu um Espaguete com Alcachofras que custa R$ 46,00. A fome era tanta que nem pensei em perguntar se os pratos davam para dividir. Depois pensei que na verdade deve ter sido um lampejo de memória evitando uma gargalhada interior da simpática garçonete. De entrada pedimos um Antepasto e uma torradinhas. Nada de vinho, só água mineral. 
O tal do Antepasto era aquilo mesmo: abobrinha, alho, tomate, cebola, pimentão etc. assados sem nada mais, nenhum tempero destacado, nada. Fraquinho fora as torradinhas que eram medíocres. Minha memória começava a voltar.
Já os pratos principais não seguiram a mesma linha, eram ainda mais sem graça. 
Para começar são porções mínimas, muito diferente do que se vê nas osterias italianas nas quais os Policarpo diz se espelhar. Meu fettuccini ao ragu era de uma pobreza ímpar. O macarrão mal cozido (muito diferente de al dente) misturado num molho de tomate ralo com pedaços de carne sem nenhum sabor. Tudo jogado num prato sem charme ou cuidado maior na apresentação. Vou te falar que é difícil fazer um macarrão com molho de tomate e carne ficar sem graça, mas eles conseguiram. 
O prato da Monica seguia a mesma proposta de quantidade, sabores e apresentação.
A essa altura minha memória já havia sido restaurada límpida e clara e me vi sentado naquele salão mais de uma década atrás. A única diferença entre os dois momentos é que antes pensei que aquilo, daquele jeito, não poderia durar muito. Sábado pensei como aquilo, daquele jeito sobrevive há tantos anos.
Naquele cenário de preços, quantidades, mediocridade e sem graciçe, nem sobremesa pedimos. A conta de R$ 140,00 foi das mais caras que paguei na vida. Sério, doeu. Me senti enganado por um prato de macarrão com tomate. Posso listar dez italianos mais baratos e muito, muito melhores do que a Osteria Policarpo de onde, mesmo pagando mais, nunca comendo menos, não saio com essa sensação.
Mas deve haver pouca gente que compartilhe desse sentimento, pois o Policarpo está vivo há mais tempo do que a maioria dos restaurantes da cidade, oferecendo a mesma coisa, feita da mesma maneira no mesmo lugar, que só posso imaginar que o errado sou eu, que o ragu que faço em casa não vale nada e que eu só posso é torcer para que da próxima vez que a fome assumir o controle eu esteja passando longe do Humaitá. Vai que....

Osteria Policarpo
Largo dos Leões, 3
Humaitá, Rio de Janeiro - RJ, 22260-210
(21) 2286-7698

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15.10.09

Brasserie Rosário

Reunião de trabalho no centro do Rio deve ser programada meticulosamente para fazer valer a viagem de 25km até lá. E meticulosamente quer dizer se organizar para antes poder almoçar tarde fora dos horários do Centro e para depois conseguir visitar alguma exposição bacana que eu deixo sempre para outro dia.
O centro do rio não é exatamente o bairro mais aparazível da cidade, longe disso. Mas tem alguns recantos que não ficam a dever a nenhuma cidade civilizada nem a nenhum centro histórico do velho mundo. Por isso, quando soube que minha reunião seria perto da Candelária, perto de uma dessas áreas, fechei imediatamente o circuito Brasserie Rosário>Reunião>CCBB. Tudo à pé, como deve ser.

O ambiente é muito bacana, um pé direito altíssimo, a padaria logo na entrada, mesas com espaço folagado e cozinha à vista num conjunto elegante mas ao mesmo tempo sem afetações. Por volta das 14:30 a casa estava sem muito movimento com algumas mesas fechando a conta e outras começando o serviço com grupos de senhoras que chegavam para o chá da tarde mostrando que a Rosário não é só um daqueles restaurantes de almoço no centro.

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9.10.09

Ói nóis aí tra veiz - Comer & Beber 2009/2010

Pois então aqui estamos outra vez para mais uma eleição dos melhores da cidade nos quesitos restaurantes, bares e comidinhas da Veja Rio. E como já está virando tradição, a Thedim mais uma vez pediu minha opinião no quesito comidinhas, talvez porque eu não tenha engordado nada desde a última edição. Ela deve achar que eu como pouco.

E eu acho que se a coisa continuar assim brevemente vou ser reprovado, vejam só: no primeiro ano concordei com quatro dos eleitos, no segundo apenas com dois e nesse terceiro ano quando deveria melhorar minha nota, mantive o alto padrão de contrariedade e continuei elegendo só dois dos vencedores.
Mas vamos deixar de lenga-lenga e comentar cada um dos eleitos da categoria comidinhas porque afinal é para isso que estamos aqui (clique na tabela abaixo para ampliar):



Mais um ano onde a eleição do melhor café não dá para aceitar. Depois do Nespresso ano passado, o Armazém nesse ano. Alguém já tomou um café decente, não precisa nem ser bom, no Armazém ultimamente?

A Escola do Pão também não dá. Por melhor que seja o café da manhã, ninguém aguenta a dona circulando pela mesa e enfiando pedaço de pão com queijo derretido na boca dos clientes (ela enfiou na minha dizendo: Isso se come assim, ó!) Os pães são ótimos, mas fiquei com medo de voltar lá.

Quem pode dizer "isso aqui se come assim, ó" é o dono do Le Blé Noir (sem enfiar crepe goela abaixo dos clientes). Trata-se da única creperia do Rio. Acho que criaram essa categoria só para dar o prêmio. Um amigo exagera dizendo que é o melhor restaurante do Rio.

Focaccia foi uma boa surpresa. Parabéns aos colegas que votaram na casa e parabéns à casa pela proposta e pelo prêmio. Mas ainda fico com o BB.

Arroz, feijão, soja e sorvete premium. Todos são commodities; compra-se a quilo pelo melhor preço (no caso desses sorvetes, alto preço). Nao há diferenciação. Para mim o melhor é o mais perto.

Achei que essa categoria Temaki não ia sobreviver para esse ano como algumas temakerias não sobreviveram. Modinha que para mim já perdeu a graça. Vou liderar um movimento pela volta da categoria de Empadinhas!

É isso. Parabéns para a turma da Veja Rio porque essa edição deve dar um trabalhão, e obrigado Fernanda por poder participar mais um ano dessa eleição tão bacana. Mas ano que vem, Empadinhas outra vez!!

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13.7.09

Ñ, uma letra que faltava ao Rio

Antes de falar de comida, um pouco de ortografia latina: o som que em português é produzido pelo dígrafo "nh", em espanhol usa uma letra só. Mas, diferente do "ç", que seria o nosso equivalente, o ñ deles (pronuncia-se enhe) é realmente uma letra que consta do alfabeto logo depois do n, não é apenas uma acentuação. Mas agora os cariocas aqui têm também o seu Eñe, no caso um restaurante (coisa muito mais útil do que uma letra, convenhamos).
Um pouco atrasado em relação à São Paulo onde o Eñe já fez dois anos, o Rio ganhou na semana passada um restaurante da nova cozinha espanhola. Antes que vocês reclamem do termo "nova cozinha espanhola" que nem eu aguento mais, esclareço: trata-se da nova nova cozinha espanhola que passa longe de sifões, espumas, canudos e sacolés. É comida mesmo, com prato e garfo, e espanhola mesmo.

Fica num lugar que eu nem sabia que existia, dentro do Hotel Intercontinental mas com acesso pela praia de São Conrado, o que imediatamente tira do Eñe carioca a pecha de restaurante de hotel e dá uma cara de balneário que pouquíssimos restaurantes da cidade têm. A entrada é por um deck de madeira no meio dos jardins do hotel onde já há mesas sob um toldo para comer vendo e ouvindo o mar. Mas se você é do tipo que prefere um ambiente mais, por assim dizer, civilizado, com ar condicionado, ou se quer sentar vendo o que acontece dentro da cozinha, a casa tem um dos mais elegantes e despretensiosos salões que conheço na cidade. Piso de madeira rústico, instalações aparentes, iluminação suave e uma grande vidraça que dá para a cozinha onde a turma trabalha sob o comando sereno do chef Sergio Torres que chama um parêntese (quem acompanha o Bistrô há algum tempo talvez ainda se lembre que ele foi entrevistado aqui ao lado do seu irmão gêmeo e sócio quando abriram o Eñe em SP num dos poucos posts em que a gente aqui não chegou atrasado).

A competência dos irmãos Torres, que descobri serem catalães de Barcelona e do bairro de Gracia, onde nasceu meu pai e onde morei, já era conhecida, mas a simpatia do Sergio, não. Atendeu a todos que o procuravam na cozinha e sempre com uma taça de cava na mão mostrava o que estava fazendo e até dava provinhas dos pratos que iria servir.

Logo ao chegar, também com uma cava na mão, provamos uma linguiçinha temperada com páprica, batatas bravas ao estilio da casa (na foto, sensacionais), croquetes de presunto cru e um mini tomate confit recheado de ostra que foi só o primeiro sabor inédito da noite. Se tivéssemos ficado naquele deck só com isso e a lua cheia, já estava bom. Mas entramos e sentamos.

Éramos umas sessenta pessoas que quase enchiam o salão. Trocamos a cava por um branco espanhol para acompanhar primeiro um ravoli de castanha portuguesa com foie-gras que se não impressionou foi porque era realmente um sabor inesperado. Mas eu comeria mais uns três ou quatro. Depois o aroma da cozinha trouxe uma vieira na chapa coberta com uma emulsão de salsinha num sabor muito espanhol. Subindo um pouquinho o tom, provamos um filé de peixe que no menu diz que é corvina mas eu duvido, numa cama de sal com um purê de barôa e um refogadinho de tomates, azeitonas e outros temperos bem picadinhos delicioso. Desse eu comeria mais uns cinco se me servissem. Mas serviram, agora já com um tempranillo no copo, uma vitela lentamente braseada acompanhada de um sensacional mil-folhas de batata que para alguns foi o melhor prato da noite. Encerramos com uma mousse de crema catalana que tem tudo o que a original tem só que com uma leveza que permite perceber muito mais as sutilezas do seu sabor.

Apesar de um monte de novidades, todos os pratos eram na sua essência, posso dizer sem exagerar, tipicamente espanhóis. Sem abuso da técnica, ingredientes facilmente identificáveis, misturas de sabores que sempre existiram, estava tudo lá. Já comi muita coisa em matéria de comida espanhola, desde a caseira do interior até a sofisticada de Barcelona e garanto que o Eñe é um restaurante espanhol até a raiz dos cabelos. Exatamente como a letra ñ. Bem vindos ao Rio.


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Eñe
Av. Prefeito Mendes de Moraes, 222 São Conrado (em frente ao posto 13)
www.enerestaurante.com.br


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3.7.09

Atoa! com A Banda

Recomendo a leitura desse post com o acompanhamento do Chico Buarque cantando A Banda porque a associação com a letra foi irresistível.



Estava à toa na vida
A fome então apertou
E quando olhei ao redor
O Atoa! se apresentou

Gostei de cara da casa
Clara e cheia de cor
Gostei também do menu
Com quase tudo a favor

Pedi a tortilha que foi onde meu dedo parou
Até que enfim um chef esperto no prato apostou
Pra garçonete que atendia na mesa pedi
Para vir também uma gasosa

O que chegou na nossa mesa nem eu nunca vi
Tortilha nem de longe aquela cozinha já viu
E a mesa inteira logo se assanhou
Pra ver o Paco provar
O que o Atoa! aprontou

Não consegui nem comer
O prato a moça levou
Com tanto sal na tortilha
Minha pressão disparou

Então, cliente sofrido
Vi a conta chegar
Senhor, então não precisa
Pelo prato pagar

O restaurante não esqueceu do ocorrido e acertou
E por um prato que não soube fazer, não cobrou
Fiquei com aquela fome de matar
Pensando que ao Atoa! eu não devo voltar

Mas como sou cabeça dura voltei a insistir
Entrei, sentei pensando no que eu ia pedir
Contra filé com bernaise e um malbec
Assim pelo menos o copo garantir

Mas para meu desencanto
O molho não agradou
Contra filé duro e seco
O vinho ainda salvou

Então, cliente sofrido
Vi a conta chegar
De novo então só precisa
Pelo vinho pagar
Agora sim ao Atoa!
Eu nunca mais vou voltar
Agora sim ao Atoa!
Eu nunca mais vou voltar


ATOA! Café
Avenida das Américas, 500, Bloco 21,Lj 123, Shopping Downtown
Telefones 21 3433.8828


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14.6.09

Dois restaurantes com vinho nos nomes

O Luiz Horta sempre diz do alto de sua sabedoria que é a comida que deve harmonizar com o vinho, não o contrário. Pelo menos aqui no Rio tem dono de restaurante que concorda tanto com ele que acaba colocando vinho no nome da sua casa. É o caso do Intervinos em São Conrado e do Le Vin em Ipanema que têm muito mais em comum do que apenas vinho no nome. Mas têm grandes diferenças também.

Além do vinho nos seus nomes, os dois restaurantes têm cardápios muito parecidos. Ambos oferecem o que se pode chamar de cozinha de bistrô, com aqueles pratos típicos dos restaurantes tradicionais franceses. Nos dois você encontra moule et frites, cassoulet, steak tartar, entrecôte com bernaise, confit e magret de canard além de outros pratos, onde cada casa busca se diferenciar, dentro dessa linha de simplicidade e qualidade que o bistrôzinho aqui preza tanto.

No Intervinos, o nome infeliz – para mim parece nome de importadora, não de bistrô francês – esconde um restaurante que foi a melhor surpresa dos último tempos. Apesar da localização ingrata, funciona onde por muito anos foi o Take, um dos japoneses pioneiros da cidade, a visita ao “outro lado” de São Conrado foi prá lá de compensadora. Sob um edifício residencial e ao lado de uma verdadeira autopista, de fora a casa até parece modesta, mas a pequena fachada se abre num ambiente sóbrio, com pé direito duplo e nenhuma referência a um bistrô como o do cardápio que descobrimos depois. Logo na porta há uma boa exposição de vinhos para o cliente escolher e levar para a mesa. Curiosamente todos têm uma etiqueta com seu preço, bons preços, para você não precisar ficar perguntando quanto custam. Então, para deleite dos que pensam como o Luiz, nós escolhemos um Torres Gran Coronas Cabernet Sauvignon para acompanhar os pratos que ainda nem conhecíamos.

No Le Vin o ambiente é bastante diferente. Instalado numa casa no coração de Ipanema, a filial carioca do original paulistano chama a atenção pela simplicidade, quase descuido, com a ambientação externa. Mesinhas de bar ocupam a calçada sob um toldo que cobre também a varanda onde nos sentamos. Na entrada pelo que seria a garagem da casa, há uma vitrine com ostras frescas o que já dá uma dica do perfil do Le Vin. Ao fundo uma grande e bem iluminada adega faz jus ao nome que está no letreiro. Lá dentro o ambiente é mais arrumado mas ainda com um ar caseiro que não acrescenta nada, inclusive a toalha quadriculada usada em todas as mesas remete muito mais a uma cantina do que a um bistrô.

Então, além de totalmente diferentes, os ambientes das duas casas pouco ou nada têm a ver com suas propostas culinárias, muito curioso.

Depois de abrirmos o Torres, chegou na nossa mesa do Intervinos um couvert delicioso com croquetes de cordeiro, queijo de cabra no azeite, caponata, patê e ótimos pães. Ficamos sem reclamar nesse couvert com Torres por quase uma hora esperando uns amigos atrasados. E se eles tivessem se atrasado mais, eu até agradeceria. Mas na hora de escolher os pratos, aconteceu aquela dificuldade típica de bons menus que já abordei aqui. Dá vontade de provar todos, desde a salada mais simples ao tournedor com foie gras do dia. Mas quando tem cassoulet como opção, a concorrência fica prejudicada.

Em Ipanema também escolhemos o vinho antes, duas taças de um Luigi Bosca Pinot Noir muito aromático que chegou junto com um couvert bastante simples: bom pão fresco, patê e boa manteiga. A ressalva que faço quanto ao couvert é que éramos duas pessoas e nos cobraram dois couverts embora se fossemos uma ou quatro pessoas, como vi em outras mesas, o couvert seria o mesmo. Acho correto cobrar por mais quando repõem o que comemos, o que não aconteceu. Mas vamos em frente porque a comida estava boa. Como havia comido cassoulet alguns dias antes, optei por um entrecôte com bernaise e batatas fritas que estava delicioso, no ponto, macio, molho muito bom e bem apresentado. Confesso que não esperava por tanto. A madame pediu um ravióli de camarão com molho de tomates e gengibre muito bom também.

A mesa no Intervinos era maior e os pratos mais variados mas com a mesma boa surpresa. Da pissaladière e do penne com abobrinha das meninas à paleta de cordeiro com legumes grelhados do Gus, todos sorriram da primeira à última garfada. Inclusive eu com meu cassoulet servido perfeitamente numa caçarola de barro e o Paolo com seu tournedor com foie gras.

Nas duas casas há diversas opções de massa, carnes, peixes e até sanduíches para harmonizar com suas extensas cartas de vinhos. No Intervinos, heresia, há também uma carta de cervejas bacana para aqueles que não estiverem a fim de um bom vinho com um bom preço para acompanhar bons pratos num bom ambiente. Já o Le Vin tem seu próprio vinho, um Cabernet Sauvignon produzido na Argentina.

Nos dois restaurantes com vinho no nome as sobremesas mantiveram o nível dos pratos. Os crème brûlée estavam ótimos e os ovos nevados que a madame comeu no Le Vin também. Não provei nenhum vinho de sobremesa embora, claro, estivessem nas cartas. O serviço foi atento nas duas casas com alguma vantagem para a de São Conrado pela qualidade das mesas, toalhas e guardanapos. A conta foi parecida nas duas também, R$ 120,00 por pessoa.

Apesar de parecidas em muitos pontos, minha avaliação dá uma vantagem importante para o Intervinos pelo conjunto da obra que é bem mais redondo do que no Le Vin. O ambiente em São Conrado é muito melhor, de mais qualidade do que em Ipanema. A carta de vinhos mais rica em opções que a gente pode comprar num jantar despretensioso. Afinal, com vinho no nome, os dois restaurantes devem querer que seu clientes tomem vinho sempre. Os cardápios se equivalem mas, segundo a madame que é mais exigente do que eu, com vantagem para o Intervinos. Concordo com ela.

Em resumo, para quem se dispõe a atravessar um túnel para comer e beber bem com um preço justo e não faz questão de ver e ser visto, o Intervinos é hoje sem dúvida uma das melhores opções da cidade. Dá até para desculpar seu nome.


Intervinos
Estrada da Gávea, 698,
São Conrado
21 3322.6962
www.intervinos.com.br

Le Vin
Rua Barão da Torre, 490
Ipanema
21 3502.1002
www.levin.com.br

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18.1.09

Italiano e Japonês no JB

As poucas amigas que ainda acompanham o Bistrô conhecem bem uma das nossas máximas: quanto mais perto de casa, mais demoramos a visitar. Aconteceu de novo e provavelmente não será a última vez.
Ocorre que estou bem servido de bares e restaurantes por aqui. Aliás acho que só a Dias Ferreira pode ser comparada ao que se está se tornando os arredores da Lopes Quintas. Vejam bem: Quadrifoglio, Mil Frutas, Caroline e Italia: Bibi, Fazendola, Nankin e Belmonte, Roberta Sudbrack, Saturnino, Informal, Filé de Ouro, Escola do Pão e Lorenzo. Tudo isso a no máximo duas quadras da minha casa (os pontos vermelhos na imagem aí ao lado mostram esses lugares todos). Então, não é à toa que dois pequenos, mínimos, restaurantes sejam difíceis de se destacar e ainda mais aparecer aqui no Bistrô. Mas aqui estão eles.
Um é japonês e já ganhou uma filial no Leblon, o outro, italiano, ganhou boa crítica da Luciana Fróes na Rio Show. Para vocês sentirem como eu estou atrasado, deu tempo de construir um restaurante e da Lu atravessar o Jardim Botânico.
O japa é o Ymaki que se coloca no letreiro mesmo como fast-food japonês. Se eu tivesse um restaurante japonês, pensaria dez mil vezes em associá-lo a fast-food, mas nos tempos atuais, quando velocidade é medida de tudo, pode até ser um atributo positivo. Mas não foi esse atributo que nos levou lá a primeira vez. Foi a fome mesmo.
O Ymaki é um dos restaurantes mais bonitinhos que fui ultimamente. Modernino no ponto, varandinha, elegante, enfim, tudo certinho. Na varanda há duas mesinhas de bar para esperar ou para comer por lá mesmo se você entrar no clima fast. Ao lado da porta há um grande aquário com peixes coloridos que durante o dia traz luz para dentro e à noite ganha um belo destaque.
Lá dentro, em talvez cinquenta metros quadrados, há um pequeno balcão, uma boa mesa redonda, quatro mesinhas e um reservado para oito ou dez pessoas. Quer dizer, comem no máximo pouco mais de vinte.
Menor ainda é o Espresso Italia, uma quadra dalí. No balcão comem seis pessoas e nas mesas mais seis. Instalado há sete meses na entrada de uma galeria meio decadente, o restaurante da Ana Luiza e do Alessio tem pouco charme mas sobra em simpatia. Um quadro negro na calçada mostra os os dois ou três pratos e saladas do dia que são servidos além dos sanduíches e comidinhas permantente no cardápio. No dia que fui lá o proprio chef estava no salão recebendo os clientes - quase todos pareciam já conhecidos dele - e servindo as mesas. Ambiente caseiro e relaxado.
No Ymaki o serviço não é o forte, as meninas têm boa vontade mas pouca atenção. No cardápio dominam os onipresentes temakis em dezenas de versões mais ou menos criativas. Mas há também combindos, yakisobas e duplas como em qualquer japonês. Nas vezes em que visitei a casa sempre esteva correto, nada exuberante nem decepcionante. Na única vez que reclamei de um sashimi de atum, imediatamente me trouxeram outro sem pestanejar. Um defeito é só servirem caipirinha de saquê. Enfraquece.
Já no Espresso a comida surpreende pela qualidade e simplicidade. Nenhuma grande invenção, nenhum produto ou preparação mudernos, apenas bons pratos italianos como a gente tem guardados na memória. Na minha visita comi um espagueti ao alho e óleo com pimenta muito bom. A madame tomou um gazpacho acompanhado de torradinhas delicioso. Bebemos duas taças de um tinto italiano que desceu muito bem.
Um casal no Ymaki janta direito, com entradinha, combinado e sobremesa por pouco menos de R$ 100,00. Padrão japonês. Já no Espresso, com vinho, dois pratos, sobremesa e café gastamos R$ 50,00. Concordo que é uma comida menos elaborada, em menor quantidade e em teoria com a mesma qualidade. Mas é uma disparidade grande que mostra a força e o valor percebido nos restaurantes japoneses, mesmo quando se posicionam como fast-food.
O italiano e o japonês têm vários pontos em comum - pequenos, pertos de casa e sem grandes invenções - mas um diferença básica. Enquanto o primeiro vai pela estrada da tradição, o segundo segue pela da moda. Nada contra nenhum dos dois caminhos, o Jardim Botânico só ganha com isso. Mas minha torcida é que a próxima filial de um dos dois seja do Espresso, a cidade ganha mais com ela.
Ymaki
Rua Saturnino de Brito, 52 
Tel: 249.7237 
Espresso Italia
Rua Jardim Botânico, 728

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