Capricciosa

Quinta passada, enquanto eram divulgados os vencedores do prêmio Rio Show de Gastronomia, eu jantava exatamente em um deles, um dos dois únicos tetracampeões, a Capricciosa (o outro tetra é o Amir). A campeã na categoria melhor pizza, como era de se esperar está em plena forma.
Freqüento a casa do Jardim Botânico desde a abertura. Aliás, o local tem pedigree; lá funcionaram o primeiro Quadrifoglio, que hoje está na J.J. Seabra, e o Pantagruel, dois restaurantes clássicos na cidade. Sentar na Capricciosa naquela época sem enfrentar uma bela fila era tão difícil que eu, como morava na mesma rua, passava na porta voltando do trabalho, deixava meu nome na lista, ia em casa, tomava um banho e quando chegava de volta no restaurante estava exatamente na minha vez.
Acho que isso não acontece mais. Nas últimas vezes que comi lá não tive que esperar por mesa. Uma vez inclusive terminei o jantar com só mais uma mesa ocupada no salão. Imagino que isso seja ainda reflexo dos problemas enfrentados pelos donos da casa no ano passado. Problemas esses que, como o prêmio mostrou, não afetaram seu forno.
Apesar de ser famosa pela pizzas, e ganhar prêmios por elas, não me lembro a última vez que comi uma redonda lá. Vou na Capricciosa comer os antipasti, a burrata e os shitakes grelhados. Tudo acompanhado pela focaccia com sal, azeite e alecrim. Dos antipasti, o melhor para mim são as berinjelas e abobrinhas grelhadas, o atum marinado, a mortadela fatiada fininha e as lascas de grana padano. Mas no balcão onde você escolhe o que quer – fica providencialmente na entrada do restaurante - tem sempre alguma novidade como, nesta época, as alcachofras que estavam também nas pizzas que pedimos na mesa.
A burrata é uma grande bola de mussarela de búfala consistente por fora e cremosa no interior que chega na mesa fatiada e escoltada por uma saladinha de rúcula e tomate seco. Neste dia ela não estava fantasticamente cremosa mas deliciosa com um pouco de azeite, sal e pimenta. O shitakes grelhados são outra história. Não sei nem se são shitakes mesmo pois esse nome passou a denominar quase qualquer cogumelo que seja um pouquinho maior que o normal. Mas eles grelhados, quentinhos e mais uma vez temperados com azeite e sal são das melhores coisas que há para comer.
A Capricciosa é um daqueles lugares em que quem não conhece tem dificuldade em escolher o que comer porque tudo é bom. Tem gente que vai lá comer sempre a mesma pizza, tem outros como eu, que raramente trocam os beliscos italianos pela redonda e tem quem coma de tudo um pouco. O fato é que você se levanta da mesa com sentimento de dever cumprido, de ter desfrutado de uma ótima comida, num ambiente alegre e sem frescuras e na saída já dá uma olhada no balcão para escolher o que vai provar da próxima vez.

Comentários

Cris disse…
Nunca resisto àquele balcão, uma verdadeira tentação...é bem verdade que as confusões podem ter atrapalhado o negócio, mas eles mantiveram a qualidade com bravura.
Cristiana Beltrão disse…
Paco, foi ótimo estar com você na "Mesa Quadrada"!
eduardo lima disse…
Ué Paco, como é que eu nunca te vi lá? A Capricciosa do Jardim Botânico, conhecida aqui pelos de casa como sendo da Lagoa, sempre foi a preferida da família. Minhas filhas a elegeram como restaurante oficial de comemoração das boas notas no colégio. Não só pela pizza como também pelo petit gateau. Geralmente não concordo com as avaliações de Veja, mas esta edição, gorda do jeito que estava, mostrou que realmente andou comendo e bebendo fora.
Roberta Malta disse…
Eu tava no Circuito Rio Show do ano passado. A premiação foi horas depois de estourar aquela confusão, mas eles estavam lá. Foram premiados, subiram no palco e agradeceram. Enquanto isso a platéia quieta, tentava disfarçar a tensão...maior clima!

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