Eleições 2006 (calma que não é nada disso!)

Semana passada, duas importantes revistas cariocas, a Veja Rio e a Rio Show, apresentaram quase ao mesmo tempo seus eleitos como os melhores restaurantes, bares, chefs, e tudo o mais que se refira a comer fora de casa no Rio. Não sei se é de propósito ou pura coincidência que sejam divulgados na mesma semana, por isso fica ainda mais difícil não comparar as duas listas.
Ambas são muito tradicionais por aqui. Há sempre uma expectativa, saudável e incentivada pelos próprios veículos, sobre os resultados. As duas foram divulgadas em eventos badalados e em dez das dezesseis categorias em comum, tinham os mesmos vencedores. Mas apesar disso, as propostas das duas listas são bem diferentes.
A da Rio Show, com vinte categorias, tem claramente um perfil mais gourmet. A da Veja Rio, com incríveis trinta e cinco categorias é mais voltada para o entretenimento. A diferença das propostas fica evidente na escolha dos jurados. Enquanto a Veja preferiu um grupo grande e eclético, a revista do O Globo optou por chamar gourmets e profissionais da área para fazer o julgamento. O mais curioso é que mesmo com julgadores tão diferentes, o resultado tenha sido tão parecido.
A inovação na Rio Show esse ano foi dar a nós mortais a chance de eleger o melhor na categoria de comida à quilo. O que por um lado é uma atitude simpática, por outro pode ser entendida como um pouco popularesca. Porque comida à quilo e não o italiano? Mas acho que dentro da proposta mais gourmet da revista, esta é uma opção coerente. Senti falta da categoria comida brasileira. Talvez o pessoal do jornal considere o Yorubá e o Siri Mole hors-concours. Eu considero. O bacana da Rio Show é que cada jurado elegeu seus três favoritos em cada categoria o que permitiu ver que algumas vitórias foram por apenas um voto.
A Veja Rio foi menos focada e acabou criando um panorama do entretenimento gastronômico da cidade. Além das tradicionais categorias como melhor italiano, francês e chef, incluiu outras como saideira, happy-hour e bar para paquerar. O perfil dos jurados, que também são muitos, é sem dúvida mais próximo do carioca leitor da revista do que o júri da Rio Show. O que, pelos resultados apresentado pelos dois grupos, não quer dizer absolutamente nada. Além da eleição formal, a edição da revista traz também uma lista enorme com mais de oitocentos bares, restaurantes, padarias, lojinhas de doces, delicatessens, sorveterias, etc., o que faz dela uma referência indispensável na casa de quem come fora.
Duas curiosidades: a primeira, que tem um dedo do além, é que dos vinte e três jurados das duas listas só um não votou no Antiquarius como melhor restaurante português. O Nelson Rodrigues deve ter soprado alguma coisa no ouvido desse indivíduo. A outra é que a Veja não elege “o” melhor restaurante, mas apenas o melhor de cada categoria. Não deixa de ser um anti-climax depois de tanto trabalho.
Quem comeu quietinha e pelas beiradas foi a Roberta Sudbrack que faturou no photochart os prêmios de melhor chef nas duas listas e de melhor restaurante contemporâneo na Veja.
Eu digo sempre que a melhor pizza é aquela que chega mais quente aqui em casa, mas é muito bacana ver duas revistas tendo um trabalhão para trazer a opinião de tanta gente boa sobre o que há de bom para comer e beber na nossa cidade. Mas melhor ainda, é não tomar essas eleições muito à serio e continuar aproveitando aqueles lugares que para nós poderiam estar em qualquer dessas listas, mas só a gente sabe onde eles estão.
Os eleitos da Veja Rio estão aqui e os da Rio Show (para cadastrados) aqui.

Comentários

PF disse…
Fala Paco!
A edição da Veja São Paulo saiu há 2 semanas. Como sou razoavelmente novo na cidade, estou usando a revista para ir aos lugares que ainda não conheço, fora os mais famosos que já frequento há algum tempo.
Através desta edição descobri que existem alguns bons restaurantes portugueses aqui, fora o Antiquarius e o Bela Sintra. Domingo passado fomos ao Ora Pois! e comi um "bacalhau com natas" muito bom, tanto pelo sabor quanto pelo preço! Também fui ao tradicional Sujinho (uma espécie de Filé de Ouro paulista) e comi uma bisteca excelente.
E tem também o caderno semanal do Estadão com dicas de restaurantes feitas pelo Saul Galvão. Gosto muito dele. Escreve direto, sem afetação quando fala sobre vinhos, e suas dicas são preciosas.

Abraço,
PF
Andrea Braga disse…
Paco,
Não sei o que ocorre, mas me cadastrei p/ receber os seus posts e... necas, sem direito ao cafezinho. Bom, sobre a slow food e as delícias do cerrad: tem umas coisas muito boas mesmo! Só sei te dizer que as tangerinas motenegrinas sào aqui do sul (de Montegnegro) e, realmente muito orgânicas, etcetal. Me divirto com as suas receitas e histórias. Vê se aparece aqui pra curtir um terroir em Bento(parece que esta foi a melhor safra dos vinhos nacionais). Bom pretexto pra um fim de semana alcoolico sem enochatia.Bjos, Andrea

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