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14.12.06

Três cafés

Depois de anos pesquisando o mercado brasileiro, a Starbucks finalmente aportou por aqui. Aqui em São Paulo, claro. Ainda de forma meio tímida para os padrões colonizadores americanos, abriu suas duas primeiras lojas no Morumbi Shopping. Pelo que a Luciana conta, parece que eles realmente pretendem mudar a maneira como “nos relacionamos” com nosso velho cafezinho e até com o pão de queijo.
Mas enquanto a gigante americana das cafeterias - não consigo me conformar com o fato de uma empresa de um país onde se bebe água suja dizendo que é café, tenha se tornado referência em cafeterias, mas enfim - enquanto eles não aparecem aqui no balneário, fiz eu mesmo uma pesquisa de mercado para descobrir qual o melhor café da região.
A região em questão é a quadra do Leblon entre as ruas Almirante Guilhem e Carlos Góis, onde, comprovando os anos de pesquisas de demanda feitas pela Starbucks, em menos de seis meses foram abertas três novas cafeterias: um Armazém do Café, um Expresso Brasil (colados um no outro) e do outro lado da rua o C'est un Café.
O Armazém já é uma instituição carioca. Serve diversos tipos de grãos brasileiros e conseguiu criar uma pequena cultura cafeeira. O Expresso Brasil, para dizer de forma elegante, é o seu clone. E o C’est un Café quer ser diferente dos outros, mas começa com esse nome infeliz. Nos três pedi a mesma coisa, um café da casa e um bolinho ou um torta.
No Expresso Brasil, o que eles chamam de muffin de chocolate é um bolo massudo na forma de um muffin anabolizado, mas que nem de longe faz jus ao nome. Para piorar vem com uma calda de chocolate dessas de sorvete fazendo um desenho “moderno” no prato. O blend da casa é comum, não é ruim, mas não entusiasma. O ambiente é confortável mas o serviço é confuso, parecendo amador.
Ao lado, no Armazém do Café, a loja é apertada, mas a varanda é confortável e o serviço é bem mais eficiente. Pedi uma sugestão de doce para comer e me trouxeram um bolinho de amêndoas que, se não tivesse sido requentado no microondas, estaria muito melhor. O café da casa está apenas um pouco acima do comum, saboroso mas com um queimado no final. Como conheço outros cafés vendidos lá, fiquei decepcionado com este blend. Acho que não representa bem o nosso café.
O C’est un Café – devem achar que no Leblon todo mundo fala francês – começa com um problema de personalidade: a proposta do café, baseando-me no nome e no menu, parece ser um daqueles de Paris com sopas, croissants e tal, mas a loja parece de Nova Iorque, com tudo em cinza e preto. Vai entender. É a única que não tem variedade de grãos pra escolher, oferece apenas o blend da Café Florença, que para meu paladar é muito suave. A cheesecake que provei também não era nada demais. O serviço é bom, mas as mesas e cadeiras da varanda são muito, mas muito desconfortáveis.
Apesar de não ter ficado entusiasmado por nenhum dos três cafés, acho que o Armazém ainda está na frente do outros. O serviço, o ambiente e a possibilidade de provar grãos mais encorpados ao lado do pioneirismo e da sua tradição, fazem alguma diferença. O C’est un vem logo depois. Vale voltar lá, pois o menu não é comum e parece que eles querem fazer as coisas bem feitas. O Expresso Brasil fica em terceiro porque talvez ainda lhe falte encontrar seu caminho próprio – começando pelo tal muffin - e corrigir o aspecto bagunçado da loja e do atendimento.
O ritual do cafezinho é uma instituição nacional que agora tem que se entender com as novas cafeterias nacionais e importadas com mil variedades de grãos e preparações. Acho que a gente ganhou muito com a expansão do café expresso, mas o que no meu ponto de vista não pode acontecer, é a transformação do ato trivial de tomar um cafezinho encostado no balcão, em um acontecimento ou experiência sensorial. Afinal, para nós que sempre tomamos café de verdade, um cafezinho é sempre um cafezinho, embora muita gente insista no contrário. Uma delas é o Ferran Adriá que, como se não bastasse ter metido o bedelho em absolutamente tudo que seja comestível, também acha que o cafezinho não evoluiu bastante e criou este aí da foto para ser tomado com colher. Na minha terra se chama mousse de café, mas ele diz que é o Espesso. Sem comentários.

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13 Comments:

Anonymous Roberta Malta said...

óbvio q é mousse de café! Espesso foi o nome q ele arranjou pra criar um conceito (ou parecer criar...).
Sem querer ser prosaica, café bom pra mim é aquele antigo de coador de pano. hummmmmm...posso até sentir o cheirinho. em épocas de privações então, como a q eu me encontro no momento...loucura! beijo.

15/12/06 03:48  
Anonymous Anônimo said...

olá
cheguei ao seu blog pelo kats...
bem, eu e um amigo, o Allan, fizemos uma coisa parecida com a sua aqui em Sampa..
Provamos alguns tipos de café..
se quiser ler nossa "aventura cafeeira", acesse o blog: www.cidadestrangeira.blogspot.com.

Parabéns pelo blog
Cláudia Ugolini

15/12/06 18:23  
Blogger Barista said...

infelizmente, é uma verdade. as cafeterias aqui do rio não representam nada bem o nosso café.
O armazém, maltrata demais o processo de se tirar um bom espresso. Não adianta ter bons grãos e não ter uma maquina de café e moinhos regulados. Sem falar que não existe a figura do barista (modiano deu uma entrevista no globo barra onde diz literalmente que é um funcionário que treina o outro...já viu né!!) que é responsável por tirar o bom espresso. Percorri algumas lojas (centro, barra, Leblon) e em nenhuma delas se usa o tamper, ferramenta imprescindível para um barista!! Detalhe bobo?? Seria o mesmo que um medico não usasse estetoscópio!!
A expresso Brasil, este nossa, deveria se chamar expresso Alemanha pois o grão usado ali chega a brilhar de tão torrado que é!! basta ver o display de acrílico no balcão. Os grãos ficam grudados nas paredes o tal display!
No C’est un Café, o café é coadjuvante pois usar máquina automática destas que se encontra em qualquer loja de posto de gasolina 24 horas é brincadeira de mau gosto com o café e com o francês!!
Mas nem tudo está perdido...Café Sorelle em Botafogo se destaca porém, esta fora do eixo digamos: editoriais da zona sul!!!! Temos também o Rubro Café que tem o Arminio Fraga como sócio que comprou fazendas de café em Minas que produzem grãos para o starbucks..meio doido esta sinergia não?

18/12/06 07:31  
Blogger Barista said...

fala paco!! hoje, quarta feira, terminou o primeiro campeonato de barista carioca!! (é voce nem sabia que tinha começado hem!!). teve flavia quaresma como jurada...chic!! porem o resultado nao foi nada animador...os tres primeiros lugares, foram ganhos por baristas digamos profissionais, isto é, nao trabalham em cafeterias propriamente ditas e sim, com cafe, seja dando consultoria e treinamento!! a saber:
1o léo moço- grao mestre treinamento e consultoria - nao tem loja!
2o léo - cafe florença consultoria, aluguel de máquinas - nao tem loja
3o sergio - grao mestre treinamento e consultoria - nao tem loja!

21/12/06 00:25  
Blogger Leo said...

Olá,
meu nome é Léo Moço, sou Barista e vencedor do I Campeonato Carioca De Baristas como o companheiro "Barista" citou em post acima. O artigo " TrÊs Cafés" é bem pertinente e muito bem realizado, meu comentário sobre o artigo é que realmente as 3 lojas deixam a desejar, primeiro, por não contarem com Baristas, profissional expert na extração de xícaras de Café Espresso perfeita. Em segundo lugar a qualidade dos grãos do Armazém e de Expresso Brasil deixam a desejar,enfim, gostei do artigo. Agora, sobre o comentário do amigo "Barista" sobre o resultado do Campeonato Carioca foi no mínimo desrespeitosa. Os profissionais citados na matéria, concorreram com outros que trabalham m cafeterias, o resultado reflete a situação criada pelos empresários Cariocas, ou seja, o que importa é vender, não é importante ter profissionais. Nós, Baristas profisisonais nao trabalhamos com café, trabalhamos para o café, para melhorar a situação atual, criada por empresários no mínimo sem compromisso com o que faz e totalmente amadores.
Att.

Léo Moço
www.flickr.com/photos/baristando

26/12/06 23:49  
Blogger Paco Torras said...

Entendo e respeito a posição dos profissionais do café, o que não entendo e não aceito é que agora, para se tomar um café decente, tenha que existir um profissional gabaritado e treinado nas nuances do velho cafezinho atrás do balcão. Tudo o que quero é um cafezinho decente. Por enquanto as cápsulas da Lavazza e a máquina automática estão dando de lavada...

27/12/06 10:24  
Blogger Barista said...

caro leo, a minha opinião não foi desrespeitosa de forma alguma. como meu velho avô dizia, “se a opinião de alguém lhe incomodar, é porque tem alguma verdade nela!!”.
critiquei o fato dos vencedores serem todos que como vc mesmo disse "trabalham para o café" e “não com o café”!! é como vejo a opinião do paco, que pede um café descente como ou sem barista!!
não tiro seu mérito porém, critico a forma...
quem sabe, sua visão dos fatos não mude no campeonato nacional...lá você vai enfrentar baristas tão preparados para campeonatos qto voce!!
abraços e boa sorte!

27/12/06 18:34  
Anonymous Baristete said...

Olá a todos

É a primeira vez que posto por aqui. Conheci o blog no evento Rio Show, que realizou um debate sobre blogs e gastronomia. Decedi expor minha opinião porque escrevo sobre gastronomia, sou apaixonada pelo tema e pela Nossa Comida. Em 2006, o café brasileiro (torrado e moído) começou a ganhar destaque lá fora. Nos Estados Unidos, o Café Marques (do grupo Bom Dia)liderou uma pesquisa feito nos EUA pela rede de TV ABC. Dentre 60 marcas, o café foi considerado ideal por agregar qualidade e bom preço. Aqui no Rio, estamos acompanhando um reflexo deste desenvolvimento do café, através de diversas cafeterias pela cidade, como é o caso do Leblon, que há cinco anos atrás não tinha espaços como esses e, agora, diputam clientes.

Somos os maiores produtores, o segundo maior consumidor (93%), mas a qualidade deste café ainda precisa de um investimento maior. Organizações, empresários e até mesmo o governo têm mobilizado esforços neste sentido. A questão é que o bom cafezinho, que pode ser coado ou espresso, não é feito com grãos de qualidade. E isso é que deve ser popularizado, daí a necessidade de formar consumidores capazes de exigir um bom café (torrado e moído). QQ turista que chega por aqui não tem o prazer de experimentar o sabor do nosso café. Se parar num boteco ou até mesmo na recepção de um hotel, o café servido é requentado, queimado. Imagina, nós somos os maiores produtores e o segundo maior consumidor. O mínimo que se poderia esperar de qq lugar (coado ou espresso) é um café a altura desses números. É um péssimo cartão de visita.

Quanto ao profissional capacitado para extrair cafés de qualidade, o barista, acho fundamental para as cafeterias, que deveriam investir para promover o café nacional e suas vendas. Se vc lança uma revista, não vai colocar um vendedor para escrever matérias. Se você vai passar por uma cirurgia, não vai contratar um advogado ao invés de anestesita. cada macaco no seu galho. Há cinco anos atrás não tínhamos sommeliers nos restaurantes. Agora como nas cafeterias, ainda é recente a contratação desse profissional.

O café da máquina, feito sem intervenção e calor humano,jamais vai se comparar com um café extraído por um barista ou feito no coador. Afinal, o café é mais complexo do que o vinho e valorizar a bebida, divulgar essa cultura não é frescura. É questão de identidade culinária. Assim como a mandioca e tantos outros produtos Nossos. Na comensalidade contemporânea, os meios de comunicação têm papel fundamental na formação dos hábitos alimentares. E seria interessante que os formadores de opinião se preocupassem em promover a Nossa Gastronomia. Aliás, que seja construída uma marca forte para elevarmos a auto estima do brasileiro e se destacar no cenário internacial. Segundo Ferran Adriá, a gastronomia do século XXI passa pela Amazônia. Eu não duvido.

Bem, é isso.

Abs

28/12/06 18:27  
Anonymous Anônimo said...

mostre-me um barista carioca que seja responsavel desde a escolha dos graos, passando pelo processo de torra do grao ate a xicara do cliente?
em sao paulo tem no santo grao;
em curitiba tem no lucca;
em porto alegre tem no cafe do mercado e
no rio....não!

29/12/06 15:01  
Blogger Leo said...

Paco,
você deveria respeitar mais a opinião de profissionais do que censurá-las e aprovar comentários anônimos, enfim, vou te dar uma dica sobre lugar no Rio de Janeiro onde tem Barista reconhecido, Escola do Café em Itaipava...Ana Paula atual 4 colocada no campeonato brasileiro de 2005 e Maria Torta em Teresópolis, a dona da cafeteria Aline Raposo atual 6 colocada no campeonato brasileiro de 2005. Ao caro anônimo, não existe Barista no Brasil capaz de montar 100% um Blend de café então seu comentário pra mim é de uma pessoa que desconhece a área, aliás, isso é um grande problema ao crescimento do setor de café no Brasil, como a amiga " Baristete" citou ... quem tem o poder de formar opiniçao deveria no mpinimo estudar o que fala. Quem for do Rio e quiser aprender mais sobre cafés, estou a disposição pelo e-mail leomoco@gmail.com, aliás, vou ministrar um curso nos dias 5 e 6 de janeiro, para formação de apreciadores de cafés especiais, no mais, torçam por nós cariocas no Campeonato Brasileiro de 2006, já que no de 2005 tivemos 2 finalistas cariocas, 2 curitibanos, uma gaúcha e uma paulista, para uma cidade bem atrasada ter a maioria dos finalistas em campeonato brasileiro é uma grande força!!!

Bons Cafés a todos...

www.flickr.com/photos/baristando

30/12/06 01:08  
Anonymous Anônimo said...

léo, que coisa feia, aproveitar o espaço para fazer propaganda de si proprio!!! assim, perde toda a credibilidade moço!!!
uma pequena observaçao: os baristas estao sofrendo do mesmo mal dos enologos e se transformando em barischatos! deveriam aprender com os erros dos enologos e deixarem desde já, de serem prepotentes.

2/1/07 13:24  
Blogger Leo said...

Caro "Anônimo",
faço propaganda do que tenho certeza que presta, como por exemplo, a Escola do Café do Paulo Tassinari em Itaipava e o Maria Torta em Teresópolis da Aline, como citados acima. Não acho que falando de meus cursos perco a credibilidade, pelo contrário, estou mostrando meus trabalhos a todos. Acredito que credibilidade quem não tem é você, ao menos sabemos seu nome, o que faz, o que sabe sobre café ou mesmo sobre vinhos. Caro, sou profissional, estudioso e apaixonado pelo que faço, "barischato" pra mim é quem faz curso de barista e diz que sabe tudo de café, como um enochato, pq existem grandes e sérios enólogos.
Acredito que este blog pode acrescentar algo a quem realmente está interessado mas é como já foi dito antes, cada um no seu galho. Minha credibilidade é ser o Campeão do meu Estado. Sem mais.

Léo Moço

2/1/07 17:01  
Blogger Paco Torras said...

Agradeço a participação de todos mas, em vista do tom exaltado dos comentários, não mais publicarei comentários neste post. Voltarei a falar de vinhos que dá menos trabalho.

2/1/07 17:31  

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