Boteco B0h&m1@

Acho que todo mundo concorda que boteco é uma instituição carioca. O estereótipo do nosso boteco é do balcão com um português bigodudo atrás, poucos bancos, serragem no chão e a vitrine cheia de ovos coloridos, lingüiças e torresmos. Claro que não seria um verdadeiro carioca sem aquela cerveja gelada e um garçom esperto e simpático servindo as mesinhas na calçada. Mas parece que de repente o “mercado” evoluiu, os botecos cariocas, não, e ninguém por aqui percebeu. Foi preciso que os paulistas importassem nosso produto, fizessem benchmark, agregassem valor, diversificassem a oferta e nos devolvessem o Boteco 2.0.
Isto é um fato e um fenômeno que foi perfeitamente absorvido por nós. Os novos botecos paulistizados que do Rio estão sempre cheios e rapidamente se tornaram points na cidade, provando que estavam fazendo falta (ou havia demanda, em marquetês). Minha opinião é que apesar de importado de São Paulo, e daquela pontinha de inveja de não termos sido capazes de fazer este movimento nós mesmos, a cidade não perdeu nada com isso, pelo contrário, freqüento e gosto de alguns deles.
Mas difícil de engolir é que o maior fabricante de cervejas do país escolha uma marca que nasceu e se fez no Rio, muito por conta dos antigos botecos, para promover um grande concurso de petiscos de boteco. Em São Paulo.
O evento Boteco Bohemia movimentou a terra da garoa mês passado elegendo entre 31 botecos paulistanos os melhores petiscos, garçons e “a melhor forma de servir Bohemia”. Não entendi muito bem esta última categoria, mas vamos em frente. Apesar da minha indignação quanto à marca usada, tenho que reconhecer que os petiscos vencedores parecem bastante interessantes e dentro de uma filosofia moderna de boteco. Teve pastel de feijoada, tapioca de carne seca e até codorna.
O primeiro colocado conseguiu juntar a sofisticação e a miscigenação paulista com o conceito tradicional de um bom petisco. Meu colega Marcelo Katsuki, blogueiro paulistano de garfo e faca, provou todos e descreve o ganhador. Fala Kats!: "Surpresa da D. Idalina" do Bar do Luiz Fernandes. Duas fatias de berinjela à milanesa recheadas com carne, mussarela, tomate seco e manjericão são novamente empanadas e se transformam em algo semelhante a um croquete, mas que é uma verdadeira explosão de sabores na boca. Um salgadinho inédito e saboroso, perfeito para acompanhar uma cervejinha gelada!”
O motivo porque a Ambev não escolheu a Skol ou a Antártica para promover seu concurso paulistano eu não sei, mas depois que a nossa degustação cega de cervejas descobriu que a Bohemia anda muito, mas muito ruinzinha, ela deve estar mesmo precisando de uma força.

PS: O próximo post será sobre um restaurante que é outra instituição carioca, mas que anda completamente esquecido pela crítica.

Comentários

Kats disse…
Paco, tks pelo link! Agora, engraçado... enquanto aí a moda são os botecos paulistizados, por aqui (SP) pipocam barzinhos estilo "boteco carioca" e a Devassa é um sucesso. Vai entender...
Ah, e tem um leitor mineiro reclamando no blog que a origem dos botecos é mineira. E agora, José?
Paco Torras disse…
Kats, o problema é que aqui no Rio o Devassa é o típico bar paulistizado....vai entender.
Roberta Malta disse…
Engraçado é que esses botecos paulistas tem como conceito o estilo carioca. Mas, é óbvio, quem conhece o Rio minimamente sabe q esses lugares são extremamente paulistas!

Sinistro mesmo! Ainda sou do tempo do ovo colorido esfriando no balcão transparente. Queria fazer uma festa só com esse conceito.Acho lindo!

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