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15.3.08

Sushi Kin, SP

Quando o PF e a Mia me disseram aonde iríamos, cariocamente achei que o nome do restaurante era Sushiquim – tem um com esse nome no Rio – e como os paulistas tiveram a mania de copiar os botequins cariocas, achei que o restaurante poderia ser uma versão nissei dos botecos daqui. Na minha cabeça fazia todo sentido. Mas o que encontrei no Kin não tem nenhum elemento que nem de longe lembre o mais paulista dos quins cariocas.
O Sushi Kin é considerado por alguns como um dos melhores japoneses de São Paulo, fica no final da Rua Amaury, a Dias Ferreira paulistana, e é chique. Um belo jardim externo e duas recepcionistas nos recebem ao lado do chef no grande hall com iluminação e tons suaves de materiais naturais como madeiras e pedra que também funciona como um lounge com cadeiras e sofás confortáveis. A casa tem mais dois ambientes, um sushi bar e o salão principal onde cabem umas 70 pessoas. Ambos com a mesma ambientação natural e suave da entrada.
O serviço é nível paulista, muito atencioso, simpático no ponto e principalmente conhecedor que está servindo. Carioca até estranha.
Começamos com harumakis de pato confit com gengibre, com pouco gengibre, mas bem bonzinhos. Acho que essa massa de harumaki é uma das mais versáteis invenções da cozinha. Combina muito bem com legumes, camarão e, dessa vez, pato confitado.
No cardápio chamam a atenção as “Pizzas do Gordo”, que eu preferi imaginar que foi um erro de impressão, pois pizza e gordo são palavras estranhas a qualquer menu japonês. Mas deixei a curiosidade para uma próxima visita.
Depois dos harumakis escolhemos pelo que não conhecíamos; Batterá de atum: são com um sushi de arroz prensado no formato de um dado retangular coberto com atum cru e cebolinha. Saboroso, leve e fresco. Apoiados nesse sucesso, pedimos também o batterá de salmão que foi amplamente reprovado pelo excesso de maionese e pelo sabor de atum em lata. Média dos batterás: quatro e meio.
Os uramakis – enrolados com o arroz por fora – de salmão skin e camarão estavam frescos, um pouco soltos demais para o meu gosto, mas saborosos. O fiasco foi o sushi de atum com foie, uma mania relativamente nova nos japas chics – combinação que acho que foi inventada aqui no Sushi Leblon pelo Felipe Bronze – que no caso do Kin usa patê de foie e não o verdadeiro gras. Verdadeira decepção. A Mia, por pura gula, ainda comeu um temaki de atum para finalizar.
Acompanhamos tudo com umas ótimas Baden-Baden servidas no balde de gelo, como sempre deveria ser servida uma boa cerveja, e arrematamos com cafés. A conta de R$ 240,00 para três pessoas não assustou. O que assustou foi na saída encontrar nada menos que quatro Porsches pretos novos estacionados na porta do restaurante. Foi ali que eu tive certeza que estava em São Paulo.
O Kin paulista me pareceu um bom japa, muito bem instalado, com alguma criatividade na cozinha, um pouco pretensioso como deve ser quem se instala na Rua Amaury, mas sem nada demais. A todo o momento comentávamos como o Shushi Leblon é melhor.
No final das contas, para quem pensava que ia num botequim nissei, o programa foi bom, mas o mistério sobre o que faz a tal Pizza do Gordo no menu de um japa chique da Amaury vai continuar.

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6 Comments:

Anonymous PF said...

Agora que voce escreveu, me lembro que também achei estranho a tal "Pizza do Gordo", mas na hora acabei não comentando nada.
Indiquei o restaurante indo na onda dos meus pais que foram com meu irmão e adoraram. Como meu pai é antigo conhecedor da cozinha japonesa desde os tempos do Miako e do Tokyo no centro do Rio, e meu irmão frequenta todos os bons restaurantes de São Paulo, fui na certeza de que não me arrependeria. Infelizmente, eles erraram feio ou nós demos muito azar em nossos pedidos.
Achei o lugar lindo porém um tanto escuro. Gosto de enxergar o que estou comendo.
Achei a comida, tirando o batterá de atum, pretensiosa e bem fraquinha. O disparate de colocar no cardápio atum com foie e servir atum com patê é o cúmulo. Para ser sincero, não me lembro se no cardápio estava escrito com todas as letras "foie gras". Talvez esteja somente "foie". Só que esta combinação já está virando quase um clássico e mesmo escrito somente foie, quem conhece já assume automaticamente que é o verdadeiro. Não é. Lamentável.
Já tem mais de um ano que não vou ao Sushi Leblon, mas na minha memória culinária ele continua imbatível. Apesar de achar o cara um chato, ainda pretendo ir na degustação do Sakamoto (só fui lá uma vez) para tirar a dúvida de qual é o melhor. Ainda aposto minhas fichas no Leblon.
Quanto à "pizza do gordo", vou ficar sem saber o que é... não pretendo voltar ao Sushi Kin.
Quanto aos Porsches, é de fato espantoso. Mas that's Sampa e vc acaba se acostumando depois de um tempo e deixa de notar.

Grande abraço,
PF

PS: na próxima eu acerto!
PS2: falando em Tokio e Miako... são minhas primeiras lembranças de ir comer fora. Praticamente todo sábado íamos no centro almoçar no Tokio. Devia ter uns 6 anos de idade. Talvez por isso seja meio critico ao extremo em relação à restaurantes japoneses. Em 74~75 eu já comia o que só iria entrar na moda lá prá 87~88. Aliás, acho que seria um tema interessante para um post: as primeiras lembranças que voce e seus leitores tem de restaurantes.

16/3/08 00:39  
Anonymous Luciana said...

Ei, Paco, obrigada por seu comentário lá no blog. Adoro o Bistrô Carioca. A propósito, conheço o Sushi Kin e gosto bastante. É um restô caro, mas honra o que cobra. Há itens que muitos consideram invencionices, como sushis e sashimis que utilizam foie gras, por exemplo, mas tudo ali é feito com maestria. Vale a pena conhecer esse lugar e experimentar as especialidades.
Grande abraço de São Paulo,

Luciana

17/3/08 09:37  
Blogger Paco Torras said...

Precoce esse PF, hein? :)

Foie GRAS com atum pode ser uma invencionice mas é uma excelente combinação, coisa que nao acontece com patê de foie, por melhor que seja!

17/3/08 09:43  
Anonymous michel said...

Quando comi no Sushi Kin ainda era no endereço antigo e era bem tradicional, com ingredientes de primeira e tal. Mas depois que mudou para a rua Amaury deve ter se inspirado no pedaço e cagado na receita. Paciência.

18/3/08 00:29  
Anonymous Cris Beltrão said...

Foi só eu viajar uns diazinhos e a sua produção aqui no blog aumentou! Isso não vale, hein?
bjs

23/3/08 13:11  
Anonymous Andre said...

Quem "inventou" o sushi com foie foi o Jun Sakamoto.

28/7/08 11:59  

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