Estômago 2.0

Enquanto chefs estrelados e outros nem tanto investem seu tempo criando, inventando e copiando na tentativa de encontrar a próxima modinha da gastronomia, mortais que gostam de comer e beber bem andam por caminhos muito diferentes.
O título desse post foi inspirado no termo WEB 2.0 criado para diferenciar este novo momento da internet onde a colaboração e a personalização tomaram o lugar da pasteurização reinante até então. Os blogs e redes sociais como o Orkut e o LinkedIn são os exemplos mais próximos da 2.0.
Ao contrário dos seus primórdios, onde a internet se espelhava no mundo real para ser construída, hoje é esse mundo que usa conceitos típicos da web para criar negócios e serviços. Até com comida, vejam só:
Minha pizza primeiro: A Domino's americana criou um serviço onde você pode montar sua pizza personalizada de acordo com os componentes e tipos de massas oferecidos no site ou por telefone. Até aí nada de mais. O bacana é que o cliente pode dar um nome à sua criação e deixá-la disponível no site da pizzaria para qualquer outro cliente mais preguiçoso, mas também em busca de novidades, pedir. Mais bacana ainda é que a empresa cria um ranking das invençoões mais pedidas confirmando o sucesso de algumas combinações inesperadas. Colaboração, personalização e socialização, tudo acabou em pizza.

Chocolate com feedback: Imagine ter o poder de interferir na composição de um chocolate de primeira linha fazendo-o cada vez melhor? Essa é a idéia da TCHO que produz chocolates premium - produz mesmo, não apenas derrete e molda chocolates feitos por outros - em São Francisco.
A TCHO traz a web no seu DNA, foi criada por um dos fundadores da revista Wired, a bíblia de quem gosta de tecnologia e inovação (não é a primeira vez que cito a revista aqui), e além de convidar seus clientes a opinar sobre seus chocolates, é capaz de usar essas opiniões para lançar novas composições e blends a cada 36 horas. Colaboração, personalização e velocidade de atualização numa empresa que produz chocolates. Quem teria imaginado isso antes da internet?

Sai prá lá, Michel Rolland: Dizem que o enólogo francês Michel Rolland é o culpado pela padronização dos vinhos no mundo. Parece que por ele um mesmo bom vinho pode ser produzido em qualquer lugar - terroir para quê? - desde que se possua o conhecimento e a tecnologia necessária (que provavelmente são vendidos por ele). Dizem que por isso os vinhos em geral hoje são mais encorpados, alcoólicos e com mais tanino do que antes. Seu melhor amigo é o Robert Parker.
A empresa Crushpad pensa diametralmente oposto e sua missão é transformar consumidores em criadores de vinhos. Para isso criou um kit com meias-garrafas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Malbec and Cabernet Franc produzidas em Napa, pipetas, cartões de aromas e fichas de controle para que qualquer entusiasta possa criar seu próprio vinho. Até aí nada de mais. O bacana é que depois de você criar seu próprio vinho, a empresa pode criar uma marca e um rótulo e produzi-lo em pequenas quantidades para que você tenha em casa, ofereça em seu restaurante ou venda pela internet com a Crushpad cuidando de toda a logística de cobrança e entrega. Não é barato, o pedido mínimo é de 25 caixas e custa de $4.500 a $9.900, por isso muitas vezes grupos de pessoas se unem para criar e ter o seu vinho em casa. Algumas marcas criadas por clientes da Crushpad fizeram bonito em degustações profissionais provando que nem só o Rolland é capaz de fazer bons vinhos :) Personalização, colaboração e viabilização de um negócio real, de vinhos, pela internet. É ou não é muito bacana?

Imagine só: criar sua pizza, seu vinho e sua sobremesa, tudo on-line, mas tudo real. Isso também tem um nome muito ligado à web 2.0: Convergência. Nesse caso convergindo para o nosso estômago, nada mal.


Comentários

Helo disse…
Paco adorei as modernidades, se bem que acho que não tenho tempo para essas coisas mas muita gente tem.
Parabens, cada vez melhor!!!
Helo

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