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9.10.09

Ói nóis aí tra veiz - Comer & Beber 2009/2010

Pois então aqui estamos outra vez para mais uma eleição dos melhores da cidade nos quesitos restaurantes, bares e comidinhas da Veja Rio. E como já está virando tradição, a Thedim mais uma vez pediu minha opinião no quesito comidinhas, talvez porque eu não tenha engordado nada desde a última edição. Ela deve achar que eu como pouco.

E eu acho que se a coisa continuar assim brevemente vou ser reprovado, vejam só: no primeiro ano concordei com quatro dos eleitos, no segundo apenas com dois e nesse terceiro ano quando deveria melhorar minha nota, mantive o alto padrão de contrariedade e continuei elegendo só dois dos vencedores.
Mas vamos deixar de lenga-lenga e comentar cada um dos eleitos da categoria comidinhas porque afinal é para isso que estamos aqui (clique na tabela abaixo para ampliar):



Mais um ano onde a eleição do melhor café não dá para aceitar. Depois do Nespresso ano passado, o Armazém nesse ano. Alguém já tomou um café decente, não precisa nem ser bom, no Armazém ultimamente?

A Escola do Pão também não dá. Por melhor que seja o café da manhã, ninguém aguenta a dona circulando pela mesa e enfiando pedaço de pão com queijo derretido na boca dos clientes (ela enfiou na minha dizendo: Isso se come assim, ó!) Os pães são ótimos, mas fiquei com medo de voltar lá.

Quem pode dizer "isso aqui se come assim, ó" é o dono do Le Blé Noir (sem enfiar crepe goela abaixo dos clientes). Trata-se da única creperia do Rio. Acho que criaram essa categoria só para dar o prêmio. Um amigo exagera dizendo que é o melhor restaurante do Rio.

Focaccia foi uma boa surpresa. Parabéns aos colegas que votaram na casa e parabéns à casa pela proposta e pelo prêmio. Mas ainda fico com o BB.

Arroz, feijão, soja e sorvete premium. Todos são commodities; compra-se a quilo pelo melhor preço (no caso desses sorvetes, alto preço). Nao há diferenciação. Para mim o melhor é o mais perto.

Achei que essa categoria Temaki não ia sobreviver para esse ano como algumas temakerias não sobreviveram. Modinha que para mim já perdeu a graça. Vou liderar um movimento pela volta da categoria de Empadinhas!

É isso. Parabéns para a turma da Veja Rio porque essa edição deve dar um trabalhão, e obrigado Fernanda por poder participar mais um ano dessa eleição tão bacana. Mas ano que vem, Empadinhas outra vez!!

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6 comments

28.2.09

Três anos do Bistrô

Ando tão enrolado que nem vi o tempo passar.
No último dia dezoito o bistrozinho completou três anos numa preguiça danada. Reconheço que não apareço mais com tanta frequência nem aqui nem nas casas dos amigos. Mas isso vai mudar, talvez.
Sempre disse aqui que quem faz o Bistrô são os comentários das nossas poucas mas fiéis leitoras e leitores. Como sou do tipo que corta a carne e mostra a faca, para comemorar o aniversário dessa copa-cozinha aqui, faço uma homenagem aos amigos e amigas que nesses anos têm aparecido com suas mais do que pertinentes, engraçadas, enfáticas, infames, esclarecedoras, sérias, simpáticas e carinhosas colaborações. Selecionei aqui, sem critério nenhum, quarenta comentários - só assim consigo tantos num post - feitos ao longo desses anos.

Então esse post é para vocês que estão sempre por aqui comigo, pois sem isso não vale à pena.

Mas vale à pena ler até o final pois tem de tudo aqui, até aquela promessa de subir na mesa e dançar rumba.

Obrigado e parabéns para vocês!

O primeiro, em Escondidinho

PF disse...
Paco,
Concordo em 100%. O Escondidinho da Acadamia é inimitável. Há umas 3 semanas atrás fomos ao Salve Jorge, um bar muito famoso aqui na Vila Madalena, conhecido pelas cervejas bem geladas e pelos quitutes considerados maravilhosos.
Pois bem, só quem não conhece o caldinho de feijão e o escondidinho da Academia pode achar que os daqui de São Paulo são maravilhosos. Não dá nem para começar a comparar!
Abraço,
PF

Amor em Calçotada

Anônimo disse...
eu Amooooooooooooooooo CALÇOTADA! gostaria de saber se existe algum lugar no Brasil, especialmente em Sao Paulo que eu possa comer essa deliciosa iguaria!
bjs Heloisa
Falta de rumo em A Redonda

brisa disse...
Nem lembro como parei akih, mas estou de pleno acordo: pizza de brigadeiro?? ECA!! Jamais comih e nunca vou experimentar:))

Abs e parabens pelo otimo blog..Brisa

Dois em Com quantos pratos se faz um cardápio

Anônimo disse...
Fala Paco! Sinto discordar... prá mim 50 pratos no cardápio é mais do que demais. Considero o ideal, ter umas 6, 7 opções para cada possibilidade: entrada, massa, carne, peixe e sobremesa.Daí não tem erro.
Abraço, PF
Michel disse...
Concordo com o cidadão do post ao lado. Muita opção é sinal de descontrole fácil de qualidadee de uma cozinha.Gostei daqui, voltarei sempre.
Abraços

Polemicazinha em Jovens e Chefs

Antonio Carlos Sá Peixoto disse...
Muito boa critica. Sem desmerecer nenhum talento promissor ,mas realmente as técnicas estão sobrepondo os pratos, que deveriam continuar sendo as estrelas. Esta necessidade de buscar o novo esbarra na falta de fundamentos, buscam uma renovação sem base, ainda acredito na maneira tradicional de confecção dos pratos,podemos ser ousados mas muita novidade sem propósito atrapalha.

nina flores disse...
trabalho com um "jovem chef" que faria vc reavaliar um pouquinho suas palavras...

Sensações em Dois Livros

Fugu F. disse...
Adorei o blog! E sou fã da Ruth Reichel. Sim ela romanceia um bocado a gastronomia mas justamente por isso descreve sensações como ninguém. Afinal, o despertar de sensações provocado por um prato está sempre ligado a emoções, afetos, associações amorosas. Para mim, comida boa é a que surpreende meus sentidos. E isso é impossível se tocar apenas minha boca.

Pedro Mello e Souza disse...
Há três anos que o Bulli e o Fat Duck se revezam na liderança desse ranking aí. Como eu adoro números e estatísticas, parei para ver quem está sempre ou ocasionalmente. No primeiro desses rankings, encontrei um restaurante argentino, que nunca mais foi relacionado. Depois, surgiu um "juri" para a América Latina, que se não me engano, tem o Josimar como chairman. Claro que o Atalla merece, mas, politicamente, a Latin América tinha vaga cativa - selecionaram a última.

Saudades do Pisando em Repórter Esso

eduardo lima disse...
Caro Paco,Só há uma maneira de conhecer/reconhecer o melhor dos bistrôs: boca-a-boca. Parabéns pelo elogio da Luciana. Os meus são suspeitos.

Eis que ela surge em A tampa certa

Roberta Malta disse...
Achei boa essa teoria. Sabe que em São Paulo é cheio desses japoneses de esteira metidos a chiques. Parecem querer agilizar o serviço pra uma clientela que nunca está lá.Fora que a esteira é lenta igual aquelas de aeroporto, onde todo mundo põe a mão nas malas procurando a sua.Você tem toda razão!
Estatísticas fundamentais em Recomendação de dieta
Roberta Malta disse...
Hummm, delícia. Dessa dieta eu tô dentro, pode me convidar na próxima vez!Cê leu isso?Deu no “Journal of Labour Research”: quem bebe ganha mais do que quem não bebe. Foi a conclusão de um estudo americano. Homens que bebem bebida alcoólica ganham 10% mais que os abstêmios. No caso das mulheres, elas ganham 14% mais que suas colegas comportadas.Também deve ser levado em consideração na dieta...

Histórias cariocas em Dois restaurantes

Gabriel disse...

O Gula Gula é uma verdadeira instituição carioca. E é uma maravilha ver o crescimento de uma marca sem que ela perca sua identidade. Sou fã de carteirinha. Sobre o Marco Polo, acho que o restaurante acabou porque o Alessandro era sócio de um chef francês, ex-Le Saint Honoré, que acabou falecendo ainda muito jovem. Diante disso, não tinha como continuar com o restaurante. O ponto passou para a Devassa e por isso o Alessandro é um dos sócios da casa. Desculpem, falei demais.

Cultura gastronômica em Terroir na cozinha

Pedro Mello e Souza disse...

Paco, desvendei: o baru é uma fruta de polpa alimentícia, mas de preparo difícil. Serve mais ao gado. Na cozinha, o que vale mais é a semente, que é torrada e fornece uma castanha de sabor suave e que proporciona petiscos, paçocas e pés-de-moleque. Daí o seu uso no pesto do beiju de tapioca, substituindo os pinoli, e no crocante do sorvete de umbu, em que faz o papel de uma castanha. Estou com a foto do baru - ou cumaru, ou ainda, como prefere o Houaiss, cumarurana.

Medo de espionagem em A voz da razão
Ane Brasil disse...
Ai ai... e eu que só sei fazer arroz, feijão e macarrão?!Acho que não vou mais ler você... vai que nego véio descobre esse blog no histórico e passa a cobrar maior variedade na cozinha! Aí, tô frita!hehehehehe(bom, pelo menos eu tenho o cabelo igualzinho ao da Juliana Paes... hehehehe)Sorte e saúde pra todos!
A velha disputa em Boteco B0h&m1@

Kats disse...

Paco, tks pelo link! Agora, engraçado... enquanto aí a moda são os botecos paulistizados, por aqui (SP) pipocam barzinhos estilo "boteco carioca" e a Devassa é um sucesso. Vai entender... Ah, e tem um leitor mineiro reclamando no blog que a origem dos botecos é mineira. E agora, José?

Mistérios em Não é mole, não

Jotabe disse...
Tenho boas lembranças do La Mole,faz muito tempo que não apareço por lá.Esses restaurantes que atravessam os tempos com o mesmo cardápio quilométrico são mesmo um mistério.Difícil de entender. Abraços
Muita polêmica em Três baristas
Anônimo disse...
penso, logo como bem!!!ja nao consigo sair de casa sem o telefone do meu advogado, sem saber onde o meu cardiologista anda..agora vejo que a proposta é nao sair sem um barista?!?! peralá...qdo vamos a um restaurante nao pergunto antes de pedir, o curriculum do chef, se estudou computaçao antes, se escolheu o emprego certo, se o arroz tem 129 erros...eu o julgo pelo prato que me serve...com café é a mesmissima coisa!!! nao me importa se é barista ou nao...mas sim, o cafe que ele tira e só!nao me venha com este bla-bla-bla corporativista...eu adoro espresso mas tambem, nao dispenso um cafe de coador bem feito e recomendo o da rua da quitanda, onde tem um cafe palheta na porta da drogaria venancio!
bjs,moça com + d'50
Barista falando de cerveja em Menos uma

Barista disse...
Estou chocado!!! Como falar de café dá trabalho :o), seguimos falando das loiras e das não tão loiras assim.Estive recentemente na fabrica em Campos do Jordão e comprei algumas garrafas que ficam descansando na adega ate serem consumidas. Agora, me ocorreu, será que isto passará a ser uma constante no mercado? Grandes marcas comprando novamente marcas regionais? No passado foi assim.Soube que o pessoal da Itaipava que comprou a Lokal de Teresópolis é quem fabrica a cerveja “artesanal” Devassa. Portanto, deixou de ser artesanal e virou comercial mesmo!!!Hoje pelas bandas do Estado do Rio, temos algumas boas cervejas artesanais agora sendo engarrafadas. A saber: mistura clássica de volta redonda; imperial de Itaipava e Terezópolis de terê mesmo!!

Abraços, Barista

Errata internacional em Primeira chef três estrelas

nopisto disse...
Esto no es completamente verdadero.La primera mujer con 3 estrellas Michelin fué Eugénie Brazier quien hace más de 60 años veía honrado con la tercera estrella su restaurante -una casita de madera- en las montañas, Le Col de la Luère, después de habérselas ganado ya en Lyon con su archifamoso La Mère Brazier, abierto en 1921. La mère Brazier mantuvo hasta 1968 su tercera estrella.En Italia Nadia Santini de Dal Pescatore, en Lombardía hace tiempo que consiguió las tres estrellas Michelin y en España Carma Ruscalleda las tiene desde el año pasado. Por no hablar de Elena Arzak que ha heredado la que su padre tenía. Siento no poder falar en portugues pero creo que se entiende.

Astrologia em Um ano de Bistrô

loris disse...
genial, o Bîstrô é peixe como eu, jesus, etc acho que os piscianos não são modestos.brincadeira.parabéns.visual novo ou velho eu adoro o seu blog.continue nos maravilhando e fazendo valer a pena viver

beijos loris
Roberta Malta disse...
É dubio se se pensar que a comida da infância ficou marcada na infância dele, não de outros tb. Pode ser q ele marque poucas pessoas, mas e quantas a mãe dele marcou? 2, 3? Acho ele inteligente, pode ser que marque poucos. Mas marque. E comida de infância tem a ver com repetição tb! Sempre aquela mesma comida, mais fácil de ficar na memória.Ih, tô viajando...beijo.
AnaWinTour disse...
Oi Paco, estava falando de vc pra uma amiga lá do blog da Luciana, e vim aqui pegar o seu link pra passar pra ela, e não resisti. Que delícia de blog! Olhando essas fotos, a do Risoto então...fiquei com água na boca. :)) Vou experimentar o sanduiche e o risoto de catupiry, que devem ser ótimos. E vc tem razão: risoto não tem erro! "O bonito" é garantidíssimo :))
Bjs, Ana


Com erro em Dois risotos
Roberta Malta disse...
Sabe q outro dia me surpreendi com o quanto as pessoas ainda acham q risoto é arroz misturado com alguma coisa. Uma pessoa me falou q tentou fazer um de funghi seco e não deu certo. Eu perguntei como ela tinha feito, e ela: passei o funghi seco na manteiga e misturei com arroz integral!!!Não deu nem pra dizer alguma palavra amiga pro ser humano. Orangotangos certamente fariam melhor! beijo.
Minhas colegas de auditório em Nori
Paco Torras disse...
A Cris tem razão, a vista do cinema é espetacular. A Roberta também, o Bazzar é por enquanto o único "concorrente" do Nori. A vista de lá é bem diferente, mas é tão bonita quanto. Bem-vinda Monica! Apareça sempre! Ana, obrigado pela divulgação. Uma RP assim é tudo o que o Bistrô precisa :-) Só dá mulher no Bistrô, que beleza!

Quem disse que isso aqui é virtual em Vinhos de outono

AnaWinTour disse...
Aquela noite foi ótima mesmo, e os vinhos deliciosos.E enfim, conseguimos conversar melhor - só tinhamos nos visto no lançamento do livro da Luciana!A MónicaB é aquela amiga (ainda virtual)a quem indiquei o seu blog, lembra que comentei? Ela é um amor e também comenta na Luciana.Quem sabe ela vai na próxima degustação e podemos conheça-la pessoalmente?Falando nisso, será que a Cristiana vai encontrar esses vinhos "tão brasileiros"? Vai ser o máximo, né?Bjs em vc e na Cláudia! Ana Luiza

Impagável em As batatas do Dr. Jeckyll

Cris Beltrão disse...
Podemos dizer que ele "pirou na batatinha", definitivamente... Desculpe. Foi infame, mas irresistível!
Patrulhismo carioca em C, de luxo
Anônimo disse...
acho entao que se trata de um sitio para “entre amigos” e nao para leitores!!! nao confunda o leitor habitual com "leitores amigos ou amigos leitores"!!!imagino que a consoante “c”, para um dicionário denominado bistrô C-A-R-I-O-C-A deva ser conjugado em palavras como: churrasco...churros (sim churros!! Como bom carioca que freqüenta o centro de sua cidade, ha de encontrar!), cerveja ou sua variante...chope! casquinha de siri outra nobre iguaria. Pena que você tenha escolhido algo tão nobre porem tão Capitalista, digno de quem freqüenta CPIs ou deveria esta em uma delas.., Consumistas..Corporativista..merCantilista....tomara que em “D” não leiamos sobre Dólar, Delação premiada....Boa pesquisa!
Um convertido em A culpada é a rolha
glupt disse...
Paco, eu sou um convertido à tampa de rosca. Mas ressalto uma coisa, a resistência à mudança, no caso dos grandes vinhos de guarda, é por uma razão mais que o simples conservadorismo: não se sabe o que acontece com um vinho "enroscado" por uns 30 anos. E a rolha permite uma certa troca necessária com o exterior, coisa que a rosca não permite. Mas há controvérsias...Note que o grande vinho australiano, o Penfolds Grange, continua firme com suas rolhas enormes e íntegras. Isto dá pano para manga e acho ótimo que vc se meta na discussão. Abç, L
Vizinhança de primeira em Entrevistas do Bistrô: Roberta Sudbrack
Roberta disse...
Paco,
A honra é toda minha, você é um craque!
Adoro ser sua vizinha!!!
Vida longa ao Bistrô Carioca!
Grande beijo, Roberta Sudbrack
Paixões em F, de fondue
Julia "C" Roberts disse...
Acho que, assim como o Obelix, caí num caldeirão quando era pequena... só que o meu era cheio de queijo! Talvez isso explique a "abundância" de minhas proporções e minha absoluta fascinação por qualquer tipo, cor, textura e sabor de queijo. Obviamente fondue é uma paixão! Na Suíça é de matar. Há milhões de combinações possíveis pra mergulhar nosso pãozinho. Amei um que era uma mistura de Vacherin Fribourgeois e Gruyère.Por Tutatis! Não há coisa melhor!
Lombrigas e vizinhos em Defumando

Juliana disse...
oi paco! voce viu que tem a opcao com hickory tambem, ao inves de alder? c-l-a-r-o que eu sei disso porque minhas lombrigas ficaram atacadas depois que li o post e estou querendo defumar o que aparecer pela frente. ja achei o smoker bag aqui. antes do proximo movimento, so preciso ter certeza de que meus vizinhos sao tao compreensivos quanto os seus. :-)

Bailando em Circuito RioShow de Gastronomia 2007

Cris disse...
E se nos puser lá de novo, a gente abusa de fazer vergonha. Dependendo do tema, eu danço a Rumba.Sabe se a Roberta vem?
Lápide da rumbeira em Meu médico favorito

Cris Beltrão disse...
Os mandamentos de uma glutona em viagem...Pesquisar e estudar ingredientes tão profundamente quanto estuda a história do país que visita; ser intrépida e impávida com texturas, sabores e saliências obscuras; encarar um prato principal, uma entrada e uma sobremesa, sempre!, e sem pensar na balança; ter um marido que adore uma mulher rechonchuda; nunca deixar de provar especialidades locais, principalmente se recomendadas por pessoas simples e humildes; caso a morte lhe "acometa" durante a viagem, que seja por indigestão (!) e que em seu epitáfio, haja obrigatoriamente a inscrição: "aqui jaz Cristiana (ou fulana), a glutona, enterrada sem caixão, abraçada em cogumelos e trufas, por entre tubérculos e debaixo de uma horta".

Descriminação (sic) em J, de jaca
Anônimo disse...
Sou amante de jaca e sinto muitíssimo vê-la tão descriminada e rejeitada. Acabo de saborear um super-nutritivo suco de jaca com acerola. Conheço quem faça uma magnífica torta com essa mesma fruta tão desprezada neste blogger." É a ingnorânça que astravanca o pogreço". Isso é Brasil!

Elvira disse...

Acho esse tipo de comida totalmente idiota. E mais idiota ainda é quem paga tanto para a comer. Comida não é experiência de laboratório. Pffff... Snobismos! :-(

Beijos.

Alta voltagem em Roberta Sudbrack

Nunca treze à mesa. disse...
Como bem diz Nina Horta, cozinhar é uma forma de se ligar.Então, comer é uma forma de estar ligado.Desfrutar de uma refeição da Roberta é um choque de 220v. Não foi a toa o sucesso dela como chef no Planalto.
Assim eu coro em Dois anos do Bistrô

Roberta Malta disse...

Sinto falta, sim, da sua assiduidade nos posts, mas a saudade é maior e sempre acabo voltando. E amo quando tem novidade! Gosto do seu jeito de olhar as coisas e aprendo novos pontos de vista todas as vezes que leio, ou releio, um post do Bistrô. Pode ser melhor? Vida longa, Paco Torras!

Porcaria também se come em K, de ketchup

Claudia disse...
Catchup, bem, só no hamburguer e com mostarda. Sozinho não vale nada! Não tenho pote em casa apodrecendo na geladeira. As crianças gostam pois é doce, tem mais açúcar por grama do que bolo!Já vendem com 50% menos açúcar e ainda é muito doce!Uma bobagem essa ternurinha com o catchup. Um molho 'trash' que não vale nada sem mostarda e que é puro açúcar. Falando em chinês, o agridoce é bem melhor, mas de vez em quando também.A maionese sim é cheia de potencial, facil de fazer em casa e serve como base para um monte pratos.A mostarda, bem a mostarda é um luxo. O catchup lixo, tipo porcaria que a gente como porque porcaria também se come.Tchau.
Paco Torras disse...
Êta comentaristas bons tem esse Bistrô, hein? Constance, bemvinda, se prepara! Michel e Ernani, dizem que o Rubro está melhor que todos, já provaram? Roberta, sinceramente...


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29.9.08

Os Malfeitores

O Bistrozinho aqui não é conhecido exatamente por defender uma alimentação natural, equilibrada e sem excessos. Até diria que se tivesse que escolher algum lado, escolheria o oposto. Mas, ao mesmo tempo, a gente não é idiota e da mesma maneira que detesta ser enganado por empulhações gastronômicas, adora quando alguém usa seus dois neurônios para esculhambar com o que merece ser esculhambado. Principalmente quando isso acontece com um ícone da comida moderna.

Karen Hanrahan é uma professora de nutrição que ensina os pais a fazer seus filhos comerem melhor. Nessas aulas ela leva como exemplo - mau exemplo, claro - um hambúrger do Mc Donald`s para mostrar que ali não há nada nutritivo, que é pura química, que não acrescenta nada à saúde de ninguém e aquele blá-blá-blá que todos nós conhecemos. Até aí, vocês dirão, nada de novo. O ponto interessante é que o hambúrguer que ela leva para suas aulas foi comprado em 1996 e é um desses dois aí da foto. O outro é fresquinho. Alguém sabe dizer qual deles tem 12 anos?
Pois é, contra fatos não há argumentos.

Embora pareça presunçoso querer juntar num mesmo post, boa alimentação e Anthony Bourdain (quem acompanha a carreira dele sabe do que estou falando) reproduzo aqui um parágrafo do seu último livro, Maus Bocados, de onde tirei o título desse post:

Da próxima vez que se encontrar parado, de queixo caído e faminto diante de um balcão de fast-food - e se houver um palhaço por perto -, simplesmente gire os calcanhares e se dirija para o operador independente, o lobo solitário mais adiante na mesma rua: uma casa de tortas, de fritas, de kebab, ou, em Nova York, um "carrinho de cachorro quente" em qualquer lugar que o proprietário tenha um nome. Mesmo essa amada instituição britânica, a chippie, é preferível ao negócio do palhaço; pelo menos você está estimulando o negócio local, individual, um empresário sensível às necessidades de vizinhança, em vez de um sistema ditatorial em que algum grupo de discussão num parque industrial em Iowa decide por você o que você vai ou deveria querer comer. Bacalhau frito ou linguado com vinagre, haggis com molho de curry; eles podem não ser o ápice da alimentação saudável, mas ao menos são nativos de algum lugar - e, se engolidos com bastante cerveja ou Irn-Bru, são bastante saborosos. A casa de kebab faz comida que é, ao menos, fresca, e um shawarma de carne bovina não requer adição de aroma de carne para ter gosto de comida.
Sempre que possível, tente comer comidas que vêm de algum lugar, de alguém. e pare de comer demais.

Anthony Bourdain não é exatamente o exemplo de alimentação saudável, ele até faz questão de se apresentar assim e nem acredito que ele faça tudo o que diz, mas que ele escreve e come bem, isso ele faz.

PS: O hamburger mais velho que do que o meu sobrinho é o da esquerda. Parece até mais apetitoso que o da direita, não?


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24.2.08

Estômago 2.0

Enquanto chefs estrelados e outros nem tanto investem seu tempo criando, inventando e copiando na tentativa de encontrar a próxima modinha da gastronomia, mortais que gostam de comer e beber bem andam por caminhos muito diferentes.
O título desse post foi inspirado no termo WEB 2.0 criado para diferenciar este novo momento da internet onde a colaboração e a personalização tomaram o lugar da pasteurização reinante até então. Os blogs e redes sociais como o Orkut e o LinkedIn são os exemplos mais próximos da 2.0.
Ao contrário dos seus primórdios, onde a internet se espelhava no mundo real para ser construída, hoje é esse mundo que usa conceitos típicos da web para criar negócios e serviços. Até com comida, vejam só:
Minha pizza primeiro: A Domino's americana criou um serviço onde você pode montar sua pizza personalizada de acordo com os componentes e tipos de massas oferecidos no site ou por telefone. Até aí nada de mais. O bacana é que o cliente pode dar um nome à sua criação e deixá-la disponível no site da pizzaria para qualquer outro cliente mais preguiçoso, mas também em busca de novidades, pedir. Mais bacana ainda é que a empresa cria um ranking das invençoões mais pedidas confirmando o sucesso de algumas combinações inesperadas. Colaboração, personalização e socialização, tudo acabou em pizza.

Chocolate com feedback: Imagine ter o poder de interferir na composição de um chocolate de primeira linha fazendo-o cada vez melhor? Essa é a idéia da TCHO que produz chocolates premium - produz mesmo, não apenas derrete e molda chocolates feitos por outros - em São Francisco.
A TCHO traz a web no seu DNA, foi criada por um dos fundadores da revista Wired, a bíblia de quem gosta de tecnologia e inovação (não é a primeira vez que cito a revista aqui), e além de convidar seus clientes a opinar sobre seus chocolates, é capaz de usar essas opiniões para lançar novas composições e blends a cada 36 horas. Colaboração, personalização e velocidade de atualização numa empresa que produz chocolates. Quem teria imaginado isso antes da internet?

Sai prá lá, Michel Rolland: Dizem que o enólogo francês Michel Rolland é o culpado pela padronização dos vinhos no mundo. Parece que por ele um mesmo bom vinho pode ser produzido em qualquer lugar - terroir para quê? - desde que se possua o conhecimento e a tecnologia necessária (que provavelmente são vendidos por ele). Dizem que por isso os vinhos em geral hoje são mais encorpados, alcoólicos e com mais tanino do que antes. Seu melhor amigo é o Robert Parker.
A empresa Crushpad pensa diametralmente oposto e sua missão é transformar consumidores em criadores de vinhos. Para isso criou um kit com meias-garrafas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Malbec and Cabernet Franc produzidas em Napa, pipetas, cartões de aromas e fichas de controle para que qualquer entusiasta possa criar seu próprio vinho. Até aí nada de mais. O bacana é que depois de você criar seu próprio vinho, a empresa pode criar uma marca e um rótulo e produzi-lo em pequenas quantidades para que você tenha em casa, ofereça em seu restaurante ou venda pela internet com a Crushpad cuidando de toda a logística de cobrança e entrega. Não é barato, o pedido mínimo é de 25 caixas e custa de $4.500 a $9.900, por isso muitas vezes grupos de pessoas se unem para criar e ter o seu vinho em casa. Algumas marcas criadas por clientes da Crushpad fizeram bonito em degustações profissionais provando que nem só o Rolland é capaz de fazer bons vinhos :) Personalização, colaboração e viabilização de um negócio real, de vinhos, pela internet. É ou não é muito bacana?

Imagine só: criar sua pizza, seu vinho e sua sobremesa, tudo on-line, mas tudo real. Isso também tem um nome muito ligado à web 2.0: Convergência. Nesse caso convergindo para o nosso estômago, nada mal.


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16.12.07

Sorvete de ovos com bacon!?!

O restaurante Fat Duck briga todo ano cabeça a cabeça com o El Bulli pelo título de melhor do mundo. Seu chef, o inglês Heston Blumenthal, leva ao extremo esse novo conceito que uma refeição contemporânea num restaurante estrelado deve ser mais que uma refeição, deve ser uma experiênca que mexe com todos os sentidos. Ele chega a mandar para a casa ou hotel dos seus clientes saquinhos com aromas para serem cheirados antes de comer no seu restaurante. Em termos mercadológicos, Blumenthal está um pouco abaixo - ou acima, depende de se isso é bom ou ruim - do seu colega catalão que não perde uma oportunidade de colocar seu nome em produtos menos gastronômicos como batatas fritas, cafés e hambúrgueres. Mas no quesito invencionices-extremas-que-são-levadas-a-público (se o cara serve um sorvete desses como sendo algo bacana, imagine o que ele já inventou e escondeu), o inglês se supera.



Há algum tempo escrevi um post aqui perguntando se esse tipo de invenção é mesmo necessária para se consagrar como um chef criativo ou se isso é muito mais uma ação de marketing para se promover na mídia. Fica parecendo aquelas pseudo-celebridades que saem na rua sem calcinha - e fazem questão de mostrar isso - para que a mídia não se esqueça que elas existem.
No caso do Fat Duck, apesar de estar sempre nas listas de melhores do mundo, parece que esse exagero de marketing está atrapalhando o resultado do que chega à mesa de quem come lá. Veja o que Rogério Fasano, numa das melhores críticas que já li sobre um restaurante (no melhor estilo Bárbara Heliodora), disse sobre sua visita ao Pato Gordo no começo desse ano e publicada no caderno Paladar do Estadão em maio:

Desde criança, sou daqueles conhecidos como "do contra". Basta inventarem uma nova tendência ou modismo que procuro uma ponte - para passar por cima. Esse jeito de ser me faz invariavelmente adepto doditado "não fui, não vi e não gostei". Por isso, demorei tanto tempo para tomar conhecimento da chamada "atual modernidade gastronômica". Resolvi começar pelo que os aficionados desse tipo de cozinha consideram o mais ousado do mundo, o Fat Duck, a uma hora de Londres.

A cidade é Bray; o lugar, um antigo cottage, arquitetonicamente charmoso, mas destruído por cinco quadros supostamente modernos, que fariam Picasso franzir a testa. Vamos ao que interessa: Antipasto 1: nitro chá verde e mousse de limão. Uma espuma de limão extraída de um sifão é jogada dentro de um pote com nitrogênio a 150 graus negativos, tornando-se imediatamente sólida, a comida vapt-vupt. O efeito? Quase nulo. Apenas amortece um pouco a língua; se soubesse o que viria pela frente, teria comido estas bolinhas como pipoca, para amortecer de vez o palato. Antipasto 2: Ostra com molho de maracujá em mousse de gelatina. Gostaria de deixar aqui uma pergunta: existirá no universo algum tipo de molho que melhore uma ostra? Duvido. O nosso era um desses molhos que a nova cozinha tanto adora. Fico imaginando quem foi o sujeito que inventou que a comida gourmand tem que ser agridoce. Guilhotina nele. Antipasto 3: Sorvete de mostarda com gaspacho de beterraba. Desfrutamos o gaspacho de beterraba, com um insípido pãozinho servido frio. Quanto ao sorvete de mostarda, é exatamente o que se pode imaginar de um sorvete de mostarda. Estranhíssimo. Antipasto 4: Pequenas geléias de sabores variados, que não consigo descrever, e cuja matéria-prima ninguém conseguiu identificar. Antipasto 5: Pequenas torradas com trufas pretas. Excepcionalmente, são sólidas e normais na aparência. Chegaram a ser negociadas a peso de ouro, mas ninguém vendeu as suas. Mesmo sabendo, nós e o Sr. Blumenthal, que as trufas encontradas nesta época do ano são as piores que existem. Gostaria de fazer aqui um aparte: trufa é algo sublime que costuma mudar para melhor quase tudo aquilo que toca. Não confundir com óleo de trufa, que costuma ter o efeito contrário: destrói tudo e parece feito pela Esso, pois tem gosto de gasolina.

1º prato: Escargots com presunto espanhol e erva doce "barbeadas". Muito saboroso. 2 º prato: A quantidade de açúcar que acompanha o foie gras com cereja e camomila nos trouxe de volta à realidade. 3 º prato: Chamado sound of the sea; um espuma branca de textura estranhíssima, com uma espécie de areia-farofa servida ao lado. E acompanhada de quê? De um iPod. Sério! Todos nós recebemos o aparelho, que fomos obrigados a usar, e que reproduzia barulhos do mar. Detalhe: o meu tinha uma camada extra de cera no fone de ouvido, deixada pelo último comensal. Fingi que não percebi e coloquei o meu, afinal de contas as pessoas vão ao Fat Duck para aplaudir, não para reclamar. Fica aqui uma sugestão, seria muito mais higiênico e faria o mesmo efeito, uma concha marinha. Após retirarmos o iPod, Regina comentou: "Estive mês passado no que é considerado o restaurante mais antigo do mundo, que serve assados em Madri". A mesa quase veio abaixo. A curiosidade voltou-se toda para oque Regina havia comido. Isay, eu e Ana comentávamos o excepcional jantar que tivemos no Harry's Bar de Londres, um clube privado, que serve cozinha italiana, na síntese da modernidade: rústica, porém delicadíssima. 4 º prato: Já estava perdendo a paciência com nosso amigo Pato Gordo quando chegou um salmão pochê com aspargos, alcaçuz e grapefruit. Sem exageros, considero o pior salmão que comi na vida. Último prato: Excepcional costeleta de carneiro, porque estávamos na terra do melhor carneiro do mundo, mas era servida com um molho doce, muito doce.O Fat Duck é quase uma confeitaria, que serve alguns salgados.

Meu jantar aqui chegou ao fim. Pulei os doces, pois já tinha comido açúcar demais. Assim fez também Drauzio, que não come açúcar e já tinha ingerido sua dose pelos próximos 20 anos. A sobremesa mais famosa do lugar é um sorvete assim descrito: "nitro-ovos mexidos e sorvete de bacon". Se o sorvete de mostarda já tinha sido duro, o que fazer então com a versão em bacon? Os outros à mesa receberam o sorvete, mas apenas o tocaram, o que deixou os maîtres um pouco indignados. Não nos importamos muito, pois sabemos que nesses restaurantes, na grande maioria das vezes, o serviço é insuportável. Desde que alguns chefs foram elevados à categoria de diretores de cinema, seu staff age como coadjuvante degrandes estrelas. Eles se sentem contracenando com Marlon Brando ou como assistentes de câmera de Stanley Kubrick. Exceção feita a um simpático irlandês, ruivo, que a cada esquisitice servida à mesa, com muita ironia, após dez minutos de explicação de cada prato, nos dizia: enjoy it! Como os recepcionistas da casa dos horrores. Olhei para Isay - arquiteto moderno, antenado, culto, contemporâneo, enfim, entre os grandes - e entendi o que ele sente quando esta arquitetura feita com formas esdrúxulas é considerada moderna.

The end: a conta, 1.300 libras ou R$ 5.600, incluindo uma minúscula taça dos seguintes vinhos e saquê: Iphofer Kronsberg Silvaner SpatleseTrocken 2005; Vin de Pays des Côtes Catalanes, Le Soula, Roussillon;Vinoptima Gewürztraminer Reserve Gisborne; Rashiku Ginjo-SakeYamatogawa; Quinta da Falorca Reserva Dão; Barolo, Nei Cannubi Luigi Einaudi. Voltamos ao nosso motorista, mais inglês impossível, e acostumado a levar pessoas ao Fat Duck, que com muito sarcasmo pergunta: "Any good?" Isay de bate pronto: "No". Motorista: "Lots of people say that". Penso: nem tudo está perdido.(PS: Se você quiser passar pelo mesmo tipo de refeição, a espera é de aproximadamente dois meses.)

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31.10.07

Circuito RioShow de Gastronomia 2007

Começa dia 13 e vai até dia 18 de novembro um dos eventos mais bacanas, senão o único, da gastronomia carioca, a alta e a baixa.
Como nos últimos dois anos, essa terceira edição do circuito vai juntar o que há de melhor na comida carioca numa mistura prá lá de interessante. Entre as tradicionais aulas com vários chefs renomados e o concurso Novos Chefs, a Luciana Fróes programou duas mesas redondas super interessantes: No dia 14 acontece a "Invasão Paulista" - Mesa redonda com degustação e representantes dos restaurantes Braz, Fiametta, Nakombi, Sushi Leblon e Fasano que vão discutir o sucesso dos restaurantes paulistas que aportaram por aqui. No dia seguinte outra mesa bacana: "Arquitetura na Gastronomia" onde os arquitetos Bel Lobo, Ivan Rezende, Chicô Gouveia, Ricardo Campos, Antonio Paulo Cordeiro e Suzette Aché vão mostrar que nem só com comida se faz um restaurante.
A terceira edição do Circuito Rio Show de Gastronomia acontece no MAM e as inscrições para as aulas, mesas e degustações começam na próxima segunda feira. Para ver a programação completa clique aqui.

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21.10.07

Defumando

Até ontem, defumar era um processo inédito para mim. Sabia, por alto, que consiste em usar lascas de madeira para dar sabor durante um lento cozimento da comida. Lento e trabalhoso eram os adjetivos que melhor acompanhavam um defumado. Até ontem.
Hoje a coisa mudou radicalmente. Em meia hora e sem trabalho nenhum fiz um salmão defumado em casa que surpreendeu a todos, inclusive os vizinhos.
Com minha suposta fama de cozinheiro, de vez em quando ganho dos amigos algumas curiosidades – nesse caso disfarçada de “faz aí e depois me diz se é bom” – para comer/testar/provar. Dessa vez ganhei de presente um saco de alumínio que promete defumar qualquer coisa em no máximo uma hora no forno de casa mesmo.
A embalagem fechada já cheira a madeira recém cortada e do lado de fora estão instruções tão simples que fazem você duvidar ainda mais que aquilo funcione. O saco de alumínio é grande o suficiente para caber uma costela de porco inteira com folga e tem dois compartimentos; o da comida a ser defumada e outro, selado, onde está o defumante que ainda não sei o que é. As folhas de alumínio são bem mais espessas do que o tradicional e não parece haver nenhuma ligação ou porosidade entre os dois compartimentos. Mais uma vez penso que esse troço não pode funcionar.
As sugestões que vêm dentro da embalagem dizem que posso defumar praticamente qualquer coisa: carne, peixe, frango, costelas, salsichas, etc. Fui no básico: filé de salmão fresco sem pele temperado com sal grosso, pimenta do reino, azeite e alecrim da horta. Segui rigorosamente as instruções:
1- Pré-aqueça o forno
2- Tempere o salmão
3- Coloque o salmão no saco e feche bem
4- Meia hora no forno 220°C.
Nessa meia hora o ambiente da cozinha e adjacências, incluindo o hall e o elevador do edifício, foi tomado por um desconhecido, inesperado e perfumado aroma do defumado. O troço parecia que até poderia funcionar.
Aberto o saco de alumínio, o salmão tinha ótimo aspecto e aroma. Ficou firme e nada seco. Montei o prato com vagens francesas e o delicioso molho teriyaki do Bazzar ao lado.O troço funcionou. O sabor era ótimo, nada a ver com aqueles salmões defumados de free-shop. Parecia que tinha sido suavemente temperado com madeira mantendo plenamente o sabor do peixe. A vagem temperei com flor de sal da Guérande, muito chique.
Bebemos um alvarinho branco, com muita fruta no aroma, mas seco no paladar. Não entendo nada de harmonizações, mas achei que casou bem.
Obviamente, depois do almoço abri a parte selada do saco de alumínio onde encontrei pequenas lascas de madeira – do tipo Alder, conhecida por ser ótima para fabricar guitarras e violões - muito pequenas e muito cheirosas, mostrando que o processo de defumação parece ser razoavelmente natural.
Continuo sem saber muita coisa sobre defumar, mas isso não importa. O importante é que agora posso dizer que já defumei meu primeiro salmão e foi bom. Não deu trabalho nenhum, demorou meia hora e a madame adorou. O que mais eu posso pedir para uma primeira vez?
Para saber mais sobre o saco de defumar, clique aqui.

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30.9.07

Bistrô na Vejinha

A Vejinha publica hoje seu já famoso suplemento Comer & Beber onde além de listar 380 restaurantes, 250 bares e 165 lugares de comidinhas, elege os melhores em cada categoria. Esse ano a Fernanda Thedim me convidou para fazer parte do grupo de jurados da seção Comidinhas que escolheu o melhor café, sorvete, empadinha e mais oito categorias de lugares desse tipo no Rio. Os eleitos e o meu voto estão aqui abaixo. Se vc quiser ver a reportagem completa, visite o site da Vejinha clicando aqui.

Eleito/Meu voto

Café Expresso - Armazém do Café / Due café
Café-da-Manhã - Escola do Pão / Café Severino
Chocolate - Envidia / Cacau Noir
Doce - Colher de Pau / Colher de pau
Empada - O Caranguejo / Talho Capixaba
Hambúrguer - Joe & Leo’s / Bazzar Café
Pão - Talho Capixaba / Garcia e Rodrigues
Salgado - Deli 43 - Pavelka / Deli 43 - Pavelka
Sanduíche - Cervantes / BB Lanches
Sorvete - Mil Frutas / Mil Frutas
Suco - Universo Orgânico / BB Lanches
Torta - Kurt / Kurt

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24.8.07

Menos outra

Seguindo os passos da Baden-Baden, faleceu este mês do mesmo mal a carioca Devassa. Também foi comprada pela Schincariol....
Como o outro, o diretor da Devassa disse que a formulação da atual linha de produtos e o modelo de produção artesanal da sua cerveja, que não é pasteurizada, não serão alterados.
A recomendação do Bistrô é que, de novo, você corra ao mercado mais próximo e compre quantas caixas de Devassa puder beber nessa primavera. Só para garantir.

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11.4.07

Moto

Para quem ficou curioso com o papel que o Luiz Horta comentou que comeu no restaurante Moto em Chicago, eu explico.
Foto do www.firstscience.comO Moto é o concorrente direto do Achatz em matéria de cozinha inovadora. Seu chef é Homaru Cantu, tem 29 anos e é considerado um dos mais arrojados chefs da gastronomia mundial. Ele faz por merecer esse título já que seus “pratos” passam muito longe do que entendemos como pratos em grande parte do mundo conhecido.
No seu restaurante, o chef americano além de criar apresentações e combinações de sabores e texturas inusitados, experimenta coisas como cozinhar com raio laser e adaptar uma impressora ink-jet para imprimir sabores de verdade em papéis comestíveis. Na impressora da sua cozinha ele substitui a tinta dos cartuchos por suco de cenoura ou tomate e o chamequinho por papéis de soja e batata. Outros sabores são impressos com pó de soja, peixe, abóbora, açúcar ou creme de leite e depois fritos ou congelados dependendo do prato. Um dos resultados é esse da foto, um maki de papel impresso com imagens e sabores de shoyo e nori e depois recheado.
O desdobramento natural dessa invenção, já previsto pelo chef, são anúncios em revistas que o leitor poderá comer. Imagine você folheando uma Gula onde num anúncio da Nestlé há grudado um envelope com uma foto de um pudim de leite condensado dentro. Você abre e come a foto que terá gosto do pudim com caramelo, tudo feito com ingredientes naturais, nada de sabores artificiais! Claro que a experiência de provar o verdadeiro pudim será sempre muito mais rica, Cantu ainda não tem essa pretensão, mas se você não gostar do sabor impresso no papel, nem precisa provar o verdadeiro.
No Moto o menu já é comestível, rasgando e comendo o desenho da vaquinha que está lá você vai sentir sabor de filé mignon. Pratos de papel com sabores também já estão no menu do restaurante sempre ao lado de comida tradicional, como uma curiosidade, mas os anúncios comestíveis ainda vão demorar um pouquinho para serem veiculados.
Enquanto isso, inovação por aqui ainda é fazer pizza de filé com fritas ou imprimir o cardápio em papel reciclado, tsc, tsc, tsc.

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22.3.07

As batatas do Dr. Jekyll

Fui extremamente injusto com o Grant Achatz quando o chamei de Jeckyll and Hyde. Ele é apenas um esforçado aprendiz comparado com o master-über-ultra Dr. Jekyll da gastronomia.
Todo mundo que lê o Bistrô sabe que implico por prazer com um certo chef famoso e onipresente, mas dessa vez o cara passou dos limites e fez por merecer toda e qualquer crítica exagerada que eu e muitos outros porventura tenhamos feito. Claro que estou falando do catalão Ferran Adriá.
Seu restaurante, o El Bullí, é o mais badalado do momento, um longo momento. Funciona só de abril a outubro ou novembro quando o doutor se recolhe ao laboratório que tem em Barcelona para criar os pratos, se é que podem ser chamados assim, da próxima temporada*. Pois sim.
O Dr. Ferran Jekyll é defensor da comida de terroir, dos produtos e produtores da região, e principalmente da alta gastronomia.
Já o Sr. Hyde Adriá, como era de se esperar, vai na direção oposta. Sua última contribuição para a gastronomia espanhola, a mesma que o Dr. FJ revolucionou, foi criar uma receita para uma nova linha de batatas fritas em pacote para a marca Lay's da Pepsi, a mesma empresa que fabrica o Cheetos, Doritos e outros Porcaritos famosos.

Clique para ampliar

Não vou entrar no mérito de se alguma vez na história da humanidade já existiram batatas fritas de pacote tão boas como essas, nem tenho nada contra o cara ganhar dinheiro honestamente. Mas será que ele serve essas batatas harmonizadas com uma espuma de Pepsi Diet no seu restaurante ou pelo menos fala delas como um exemplo do seu trabalho nas palestras que faz mundo a fora sobre suas mirabolantes criações e sua alta filosofia gastronômica?

Depois ainda dizem que eu exagero. Tsc, tsc, tsc.

* Em 2007 nem isso ele vai fazer, abre o El Bulli dia 28/03 com o mesmo menu do ano passado. Essas batatas fritas devem ter dado um trabalhão.

Dica do excelente Serious Eats com fotos do Yankeefog.

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3.3.07

Badulaques

Homem e parafernálias de cozinha devem ter uma relação parecida com mulher e sapatos: se deixar, em pouco tempo não há mais espaço para guardar nem umas nem outros. A diferença talvez seja que, ao contrário das mulheres, os homens às vezes pensam se algum dia vão realmente usar o que estão comprando.
Eu mesmo, que não me considero um gadget-maníaco, tenho na cozinha gavetas cheias de badulaques tão fantásticos quanto inúteis, enquanto continuo usando a mesma meia dúzia de facas, panelas, pegadores e colheres de bambu. Mas se o perigo já morava ao lado, com a facilidade de compras pela internet a coisa piorou muito. Vejam a seguir alguns exemplos de curiosas ferramentas de cozinha que descobri nos últimos meses e tentem resistir ;)
Primeiro, uma indispensável Pritt de manteiga, uma máquina para assar alho que não tem no Shoptime e um par de ohashis suiços para quem tem problemas no japonês.











Agora um conjunto de facas que descascam, ralam, medem e raspam, mas não sei se cortam bem. Uma chapa para fritar feita de silicone e teflon que pode ser enrolada para guardar, um saleiro para preguiçosos que sacode sozinho, basta puxar a cordinha e um timer de areia digital que não tenho na minha coleção.










De sobremesa, uma sugestão para o que fazer quando as gavetas não forem mais suficientes para guardar seus brinquedos.

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9.2.07

Antes tarde

O suplemento Rio Show do O Globo demorou mas finalmente percebeu uma tendência que as leitoras do Bistrô já conheciam há muito tempo.
Precisou um restaurante do Leblon lançar uma pizza de bife com batata frita para os jornalistas daquele periódico descobrirem as atrocidades que andam fazendo com as redondas nas boas e más casas do Rio, e publicarem hoje uma matéria de capa sobre o assunto.
O texto do Lula Branco Martins é ótimo e mostra que a situação é muito pior do que se imagina. Não perca, clique aqui.
PS: Tenho uma amiga que há pelo menos vinte anos me ensinou a comer pizza com bife e batata frita. Só que a gente pedia um medalhão com fritas e uma marguerita. Muito mais honesto que colocar tudo em cima da pobre redonda.

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8.2.07

Obelix gourmet

Quem disse que o Obelix só entende de javali? A receita do Caius Obtus inclui ingredientes que nem o Adriá imaginou, ainda. Clique na imagem para ampliar.

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27.1.07

Chinesa original

Ainda bem que os chineses daqui sabem o que nós ocidentais entendemos por "comida chinesa". Para os chineses de lá, essa expressão se aplica a uma cozinha completamente diferente. Essas fotos que recebi de um amigo são de um mercado de rua em Pequim. Não tem pato laqueado nem camarões empanados e os espetinhos com certeza não dão vontade de abrir um restaurante chinês no Rio para poder comê-los todos os dias. Clique nas imagens se quiser ver os detalhes e bom apetite.

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19.1.07

Primeira chef 3 estrelas

Parece até implicância com as mulheres vinda de um fábrica de pneus, mas fiquei impressionado quando descobri que só agora na edição de 2007, pela primeira vez, a Guide Michelin concedeu três estrelas para um restaurante conduzido por uma mulher.
A honra mais do que atrasada coube à chef Anne-Sophie Pic de 33 anos, do Maison Pic em Valence, França. Confesso que nunca tinha ouvido falar nem dela nem do restaurante mas, pelo que li, na França há poucas mulheres merecedoras dessa tão almejada terceira estrela. Dizem que ela muda a vida de todo chef, para o bem e para o mal.
Parabéns para a Anne-Sophie já que não deve ser fácil aparecer em um mercado tão masculino, mas, pelo menos por aqui, as mulheres têm se destacado mais do que nunca e merecem estrelas há muito tempo. Ano passado a Roberta Sudbrack ganhou todos os prêmios possíveis com aquele jeitinho mineiro e uma simplicidade na cozinha que só os grandes conseguem ter. A Flávia Quaresma com aquela simpatia toda há anos renova seu Carême que fica cada vez melhor, e a Silvana Bianchi faz uma cozinha italiana moderna e criativa como poucos. Isso só para citar três mulheres três estrelas - na minha modesta opinião - no eixo Jardim Botânico/Botafogo.
Não ligo muito para essas classificações de guias, acho que elas acabam criando uma expectativa que é fácil de não ser alcançada. Prefiro entrar num restaurante completamente desconhecido e ser bem surpreendido. Ao contário dos franceses, comer bem e encontrar uma grande chef na cozinha não é nenhuma surpresa para mim.
PS: O amigo Nopisto me corrige: A primeira e até então única chef 3 estrelas francesa ganhou esta classificação em 1933. Veja lá nos comentários outras chefs com 3 estrelas na Espanha e na Itália.

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18.1.07

Menos uma

Faleceu ontem a melhor cerveja do Brasil. A cervejaria Baden Baden, considerada pelos entendidos e nem tão entendidos assim a melhor cerveja do Brasil, foi comprada ontem pela Schincariol....
O diretor da Schin disse que a formulação da atual linha de produtos e o modelo de produção artesanal da Baden Baden não serão alterados.
A recomendação do Bistrô é que você corra ao mercado mais próximo e compre quantas caixas de Baden Baden puder beber nesse verão. Só para garantir.

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11.1.07

Duas lá do Norte

Thomas Keller, que é o único chef americano com dois restaurantes 3 estrelas no Michelin, o French Laundry e o Per Se, abriu em Setembro uma nova casa com uma proposta que só um cara com esse pedigree pode fazer.
Segundo ele mesmo diz, o Ad Hoc já nasce com seus dias contados, só que nem ele sabe quantos dias são. Pode ser que feche amanhã ou que na páscoa ainda esteja aberto. Tudo depende. Mas isso não é o mais importante, o bacana da proposta é que enquanto o restaurante existir, qualquer um pode ir lá quantas vezes puder sem nunca repetir um prato. Além disso, Keller sabe exatamente o que cada cliente vai comer e quantos vão entrar no Ad Hoc, um sonho para qualquer dono de restaurante. Como ele faz isso? O restaurante só aceita clientes com reserva - embora digam o contrário - e oferece só um menu fixo de quatro pratos diferentes por dia. A comida é aquela tradicional americana, com carnes, assados e batatas, elevada ao nível de gastronomia. Outra característica da casa, que confirma seu DNA, é dar preferência aos produtos e produtores da região, como fazem tantos bons restaurantes da Califórnia.
Se por um lado pode parecer desperdício comer um simples assado preparado por um chef estrelado, por outro, a marca Keller é quase garantia de que, seja qual for o menu do dia, por mais simples e caseiro que possa parecer, tem grandes chances de ser daqueles para lembrar por muito tempo. O menu prix fixe custa módicos US$ 45,00 mais bebida, preço de um bom jantar tupiniquim. O menu da foto é de 06/01 e foi tirada pelo Michael Chu do ótimo Cooking for Engineers que esteve lá.

Mais para o norte, em Toronto, tem uma turma que inventou um programa semanal incrível. A idéia deles é jantar em todos os restaurantes da cidade na ordem alfabética em que aparecem nas Páginas Amarelas da cidade. São os Serial Diners. Desde 1989 eles já foram a mais de 400 restaurantes e pretendem chegar na letra Z por volta do ano 2035. O grupo tem em geral 30 pessoas, mas qualquer um pode participar sem nem mesmo fazer inscrição ou reserva, é só olhar a agenda e chegar. Seguindo o alfabeto, algumas palavras como café levaram quase seis meses para serem cobertas e em Janeiro eles estão na letra I onde abundam japoneses e italianos. Até hoje o grupo não perdeu nenhuma sexta-feira, nem quando é Natal, e só deixam de comer em um lugar previsto quando encontram o restaurante fechado ou muito cheio. Decepções devem fazer parte do programa embora o fundador do grupo (na foto com seus instrumentos de trabalho) diz que em geral os restaurantes são no mínimo decentes.
É sem dúvida uma ótima oportunidade de conhecer novos lugares e pessoas, que precisa de um grupo comprometido para ir a diante, mas que parece impossível em uma cidade do tamanho do Rio ou São Paulo. Se por acaso você visitar Toronto em qualquer sexta-feira dos próximos 28 anos, não perca a chance. A programação dos Serial Diners está aqui.
Ad Hoc (enquanto existir)
6476 Washington St., Yountville, CA.
Tel: 707.944.2487.
Serial Diners
http://www.probability.ca/diners/
Jason Taniguchi - Tel: (416) 516-0743

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11.12.06

Vida de blogueiro

A pergunta que mais escuto quando digo que edito um blog é sobre como eu divulgo o Bistrô e de onde vêm os visitantes.
A primeira parte é fácil: a divulgação é no boca-a-boca mesmo - a minha, da família e dos amigos. Já a segunda pergunta não tem uma resposta tão simples e faz jus a um post como este.
Na verdade não são só os amigos e a família que duvulgam o Bistrô, o pessoal chega aqui também por indicações em outros blogs como os do Jotabê, da Valentina da Fugu, da Roberta, do Encantadisimo em Barcelona e do Pingus em Portugal. É uma rede formada por afinidades que leva e traz visitantes como em uma ponte aérea virtual.
Mas a parte mais interessante, mas nem de longe a mais eficiente, são as visitas geradas por resultados de buscas em ferramentas como o Google, Cadê e MSN. Raras as vezes que o visitante procura pelo bistrocarioca propriamente dito. A turma acaba dando de costados aqui procurando, além de restaurantes e receitas, as coisas mais estranhas. Começemos pelo óbvio.
Os restaurantes mais buscados são de longe a Capricciosa e a Stravaganza, duas pizzarias Cariocas.
O prato que todo mundo parace querer comer é o Escondidinho. Também deve ter muita gente querendo abrir um restaurante já que sempre tem alguém buscando por informações sobre como criar um cardápio, equipamentos para cozinhas e mobiliário. Não sei se mudam de idéia depois de ler os dois livros que indico aqui.
O visitante mais pitoresco procurava no Google por "coisas para comer". No resultado aparecia em primeiro lugar o Carlota em segundo o Bistrô Carioca e em terceiro a Juliana Paes...fiquei lisonjeado por estar na frente da Juliana :-)
Outras buscas curiosas que acabaram rendendo visitantes aqui foram:

> "quanto de imposto a gente paga por cada alimento comestivel estilo arroz feijão batata...";
> "diferença da mulher negra para a mulher branca" !!!!????;
> "inventos quase inúteis";
> "o que pode acontecer com a mulher que usa anabolizante";
> "a sagrada familia e o cordeirinho";
> "sobremesas com sorvete de novelas";
> "foto de pessoas antigas e famosas que saem dos seus países para vir morar aqui no Brasil"

E por aí vai. Por mais incrível que pareça, todos eles visitaram o Bistrô.
Mais que divertido, o bacana é ver que algumas dessas pessoas que estavam buscando informações aparentemente muito distantes das que o Bistrô pode dar, passaram algum tempo lendo as bobagens que escrevo aqui sobre comida e, espero, se divertindo tanto quanto eu.

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