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31.5.06

Moët

Talvez pela idade, pelo pé que tenho no velho mundo ou por viver numa época em que tudo muda muito rápido e novidade demais às vezes enche, tradição tem sido um assunto recorrente aqui nessas páginas. O fato é que atualmente dou mais valor a conceitos já estabelecidos do que ao que de mais novo esteja acontecendo em qualquer área, principalmente na área perto do meu prato e, no caso desse post, do meu copo.
Nessa minha recente viagem à França, visitando as caves da Moët & Chandon em Épernay, vi como uma empresa que possui e usa as mais avançadas tecnologias na produção de champanhes, prefere se apresentar aos seus visitantes não com esse lado hi-tech que qualquer empresa com dinheiro pode comprar, mas sim com toda a sua tradição e história de séculos nesse mercado cada vez mais concorrido.
Ao contrário dos produtores de vinhos e espumantes do novo mundo que mostram caras limpas, jovens, mas nem tanto, com as sedes das suas vinícolas em construções cheias de estilo, no alto de colinas verdes e bem tratadas, a sede da Moët fica na estreita rua principal da cidade de Epernay, a uma hora de trem de Paris. A bela construção é do início do século XlX, restaurada na medida para manter a história e elegância dos salões e oferecer conforto aos visitantes, que não são poucos.
Há visitas guiadas a cada vinte minutos em vários idiomas. A que nós acompanhamos foi em francês já que minha mulher muito sabiamente disse que, como estávamos visitando a casa de um dos maiores ícones da gastronomia francesa e nos viramos direitinho no idioma deles, seria até uma heresia fazer a visita em outro idioma.
Começamos com um pouco da história da Moët, sua criação, seu relacionamento com a nobreza e com Napoleão, suas fusões e aquisições até tornar-se a mega empresa multinacional onipresente que é hoje. Assistimos então um DVD mostrando os lindos vinhedos de onde vem a matéria prima do seu produto e as características do solo e clima da belíssima região de Champagne, pela qual havíamos acabado de passar de trem, que fazem esse produto único. Depois, nossa simpática guia holandesa nos convidou para descer uma longa escada que entrava terra adentro.
Lá embaixo estávamos a mais ou menos doze graus. O chão era de terra e as paredes de pedra e úmidas escavada há muito, muito tempo. Percorremos apenas algumas dezenas de metros das dezenas de quilômetros subterrâneos que formam estas mais antigas caves da Moët. Vimos cada etapa da produção do champanhe. Soubemos que o processo de girar as garrafas ali é feito por um único homem que trabalha na empresa há trinta e cinco anos e gira em média cinqüenta mil garrafas por dia. Vou repetir: cinqüenta mil garrafas por dia, uma pessoa só. Aprendemos também que o assemblage do champanhe é feito por uma equipe de apenas treze pessoas lideradas por um Chef de Cave que prova a cada ano mais de 100 vinhos para produzir o champanhe mais famoso do mundo. Aqui cabe um parêntese:
Chef de Cave é "o" cara responsável por definir as características do único produto desta multi mega empresa usando apenas seu paladar e sua memória gustativa. Ele prova até 150 vinhos ainda intragáveis para nós e tem que definir qual a quantidade de cada um vai compor o sabor final dos próximos champanhes produzidos que têm que manter a qualidade e conseqüentemente o sabor de um Moët & Chandon. Esse Chef e sua equipe, além de ganharem os tubos, nunca viajam juntos no mesmo avião quando vão provar vinhos fora da França. Por aí dá para imaginar a importância desses profissionais na manutenção do padrão de qualidade do produto e da tradição da empresa.
O final do parêntese serve bem para ilustrar o que vimos, ou melhor, o que não vimos lá embaixo. Não vimos sequer uma máquina para girar garrafas, um carrinho elétrico, uma esteira rolante, nada. A coisa mais moderna que vimos nas caves de Épernay foi a luz elétrica, mesmo assim num fio desencapado com uma lâmpada comum pendurada de quando em quando para iluminar o caminho. A Moët só nos mostrou o melhor de sua tradição, e eu descobri que era exatamente isso que eu queria. Queria ver garrafas empoeiradas em vários estágios de maturação, queria ver o mosto no fundo delas e como o líquido no interior se transforma em uma das minhas bebidas favoritas. Queria mesmo era ouvir, ver e sentir o cheiro de uma bebida que está presente em todas as celebrações importantes dos últimos séculos. Não imagino ninguém que queira visitar a suas caves para conhecer a última tecnologia em produção de champanhes. Acabamos nosso tour tomando duas taças de millésimes rosé esplêndidas e conversando com um casal de franceses do interior que visitavam a Moët pela primeira vez e estavam tão impressionados quanto nós com os valores que nos foram apresentados.
Talvez toda a história da Moët & Chandon não seja percebida na hora que tomamos uma taça da sua marca. Talvez ela só consiga manter sua qualidade e manter-se no topo porque usa toda tecnologia disponível para produzir seu champanhe. Mas tenho certeza que o prazer de tomar um Moët não seria o mesmo se eles não fizessem questão de manter algumas coisas como elas sempre foram, mudando só o necessário para sobreviver e crescer. Deve ser coisa da idade.

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27.5.06

A redonda

Testar, criar e evoluir são inerentes ao ser humano e, apesar de alguns afirmarem o contrário, cozinheiros e chefs ainda fazem parte desse grupo. Mas às vezes eles abusam. E por aqui estão abusando com uma coisa tão simples, tradicional e deliciosa como a pizza.
Longe de mim ser taxado de careta, retrógrado, quadrado ou, pior, republicano. Mas quando acho que alguma coisa importante está passando dos limites não consigo ficar calado.
No meu tempo, quando se falava de pizza, falava-se da pizza da Guanabara, do Caravelle e de mais três ou quatro lugares onde a redonda era servida. Dizia-se também que só em São Paulo comia-se uma pizza decente. Mas nos últimos anos o assunto tornou-se tão sério que ao mesmo tempo em que a pizza se popularizava com a infinidade de serviços de entregas que apareceram, ela também deixava de ser aquela pizza como nós a conhecemos.
Estou falando que o que chamávamos de pizza 10 ou 15 anos atrás, quando além do tamanho quase só podíamos escolher entre mussarela, portuguesa ou calabresa e o máximo da vanguarda era atum ou frango, hoje é tudo menos pizza. Poucas coisas na gastronomia carioca tiveram uma mudança tão radical no seu conceito. Talvez em São Paulo, pela tradição italiana, isso não tenha acontecido de forma tão enfática, mas aqui no Rio isso é um fato.
Comparar as pizzas “novas” com as “antigas” é quase uma heresia. A evolução é inegável. Entre essas gerações que continuam co-existindo o pouco que sobrou foram o nome e o formato, que por enquanto ainda é redondo na maioria da vezes. Tanto no modo de preparar como nos ingredientes a mudança foi radical. E é nesse último ponto onde acredito estarem acontecendo os maiores abusos.
É certo que o disco de massa, fina ou grossa, permite uma infinidade de coberturas. Hoje ele é feito de uma farinha com uma moagem especial e água mineral. A mussarela agora é de búfala, os tomates quando não são cereja ou italianos, são secos, e a calabresa para ser boa deve ser defumada na lenha. Até aí, guardados os devidos exageros, tudo bem. A qualidade dos ingredientes é fundamental em qualquer prato. Mas por que precisam inventar pizzas com figo macerado, bacalhau fresco, mel ou gengibre? Será realmente que os clientes estão tão cansados de comer as tradicionais que salivam quando vêem no cardápio uma pizza de figo com vinho do porto? Será que as trocentas variedades tradicionais de pizzas salgadas e doces inventadas nos últimos séculos não são mais suficientes para o nosso refinado paladar? Ou será que esse excesso de criatividade é apenas um ajuste natural. A turma cria, testa e o que for aprovado segue adiante?
Se for assim, não sei porque a turma ainda perde tempo com essas invenções, pois o máximo da vanguarda de dez anos atrás que ainda vejo presente na maioria dos menus é a pizza de frango com catupiry. Os marqueteiros diriam que este exagero criativo é diferenciação, uma marca que o pizzaiolo deve criar. Mas qual deles quer ficar conhecido pela sua incrível pizza de - insisto nessa pizza esdrúxula porque ela existe mesmo em uma pizzaria do Rio - figos com vinho do porto? Se eu fosse pizzaiolo queria mesmo é fazer a melhor pizza de mussarela, assim em português mesmo, da cidade. Mas a boa notícia é que esse tipo de profissional da pizza ainda existe.
Aqui no Rio as pizzarias se dividem em três tipos: as que só tem um número de telefone uma frota de motos e um cardápio que aparece debaixo da porta da nossa casa de vez em quando. Se multiplicam às centenas e se diferenciam somente pela área de atendimento restrita.
As tradicionais: que não inventam, não evoluem e servem suas mesmas pizzas feitas da mesma forma, com os mesmos ingredientes – salvo raras exceções – há trinta ou quarenta anos. São freqüentadas muito mais pela tradição, pela certeza do que vai se encontrar lá e pelo ambiente do que pela pizza em si, embora sejam estas que as fizeram famosas e as sustentem até hoje. Aqui, as pizzarias Guanabara, Caravelle e suas seguidoras são os melhores exemplos dessas casas que estão sempre cheias apesar das redondas servidas lá passarem longe dos novos conceitos de pizza. Ainda bem.
E há as novas pizzarias que se auto-denominam D.O.C. com a origem dos produtos e formas de preparo controladas como os bons vinhos. São elas as responsáveis pela mudança de parâmetros que definem hoje o que sempre foi uma pizza. São então também responsáveis pela mudança no nosso paladar, mostrando a diferença que faz este controle. Algumas foram por uma linha tradicional oferecendo as margaritas e portuguesas de sempre mais alguns modelos que não fogem do que qualquer um imaginaria ver sobre uma pizza.
Outras valorizam mais o diferente das suas coberturas, como se sorvetes fossem as pizzas, e as colocam como se fossem grandes criações e o diferencial de suas casas. Tudo bem, é uma aposta válida em qualquer mercado, ainda mais num tão concorrido como este. Mas que me dá uma certa angústia, dá. É como aquele estrogonofe de tofu que vi em um restaurante, ou é de tofu ou é estrogonofe. Há ingredientes que não podem estar juntos no nome de um prato.
Vejo agora que tudo o que tenho escrito sobre tradição e criatividade na cozinha fica, no caso das pizzas, muito mais evidente. Um suporte limpo e que aceita praticamente qualquer intervenção é um prato cheio para o abuso.
Ainda bem que por mais conservadores, tradicionais, arrojados ou revolucionários que sejam os pizzaiolos, o que sempre chamamos de pizza continua aí firme e forte. Sejam D.O.C. ou com denominação de origem no Leblon ou Copacabana, elas não perderam a forma nem a personalidade democrática. Continuam se parecendo com aquela familias dos filmes italianos onde a receita da mamma é sempre motivo de discussões apaixonadas e sem fim como essa aqui.

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22.5.06

Dezoito. Mas é rápido.

Em geral quando saímos para comer fora, gostamos de provar coisas novas, conhecer o que um ou outro restaurante está fazendo ou apenas comer aqueles pratos favoritos de sempre. Buscamos também um ambiente agradável, bom serviço e, de preferência, tudo isso com um preço justo.

Mas quanto sacrifício estamos dispostos a fazer para realizar esses desejos? Bom, dependendo da situação, quase qualquer um. Então vamos falar daquele mais básico, aquele que pode ser necessário fazer tanto em um McDonald’s como no melhor francês da cidade: enfrentar uma fila para comer.

Para mim, o efeito imediato de ver uma fila na porta de um restaurante é a diminuição instantânea, tendendo para zero, do meu desejo de entrar naquele lugar. Se for um local novo, daqueles em as filas se formam mais pela novidade do que por qualquer outro motivo, minha primeira reação é voltar em outro dia ou hora quando a porta de entrada estiver mais acessível. Fazer fila sem saber para quê, só criança ainda faz. Eu só entro em fila, e muito a contragosto, sabendo exatamente o que posso esperar. De bom ou de ruim.

Fujo de casas novas que já têm filas na porta sejam quais forem os motivos que as fizeram concorridas e por melhores que sejam as indicações. Para quê a pressa? Porque não esperar mais um pouquinho para provar a comida e o ambiente sem ter que tomar sereno? Se for boa mesmo, vai estar lá mês que vem e no outro também.Toda a paciência que tenho para esperar que a fila deixe de existir, não tenho para entrar nela. Não tenho paciência para esperar pouco.

Mas devo ser minoria já que alguns restaurantes preferiram se especializar em atender melhor quem está na fila do que a evitá-las, as filas, servindo bebidinhas e pasteizinhos para aqueles que se dispõem a esperar. Tô fora.

A coisa degringolou tanto que tamanho de fila quase se confunde com medida de qualidade:
- Menina, esperei uma hora na fila para comer naquele japonês do Leblon! Tava uma delícia.
- E nós que ficamos um tempão na calçada prá sentar no novo do Claude. Foi maravilhoso!

Mas às vezes é inevitável e vale a pena. Naquele restaurante super bem indicado por amigos, ou numa viagem para provar o prato pelo qual você saliva desde que entrou no avião, são situações em que a fila, por mais indesejada, não incomoda tanto. Torna-se apenas um pequeno empecilho.

Talvez você esteja pensando que isso tudo não existiria se a gente fizesse reservas antes de sair de casa, não é? Eu já fui ingênuo assim também. Brasileiros, clientes e restaurantes, não têm costume de fazer reservas, isso é um fato. Clientes acham que vão chegar lá e dar um jeitinho e restaurantes que não faz mal o cliente esperar um “pouquinho” lá fora. É como o overbooking de avião, eles acham que faz parte.

Já fiz muita fila para comer. Mais vezes em lugares que gosto e freqüento do que em restaurantes desconhecidos para provar alguma coisa nova, por isso me arrependo pouco de ter entrado nelas. Talvez chamar fila de sacrifício seja um pouco exagerado. Sacrifício não é chegar em um restaurante sabendo que vai ter que encarar uma espera, sacrifício mesmo é resistir ao bom humor de quem está organizando a fila:
- Quantas mesas têm na nossa frente?
- Dezoito. Mas é rápido.

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16.5.06

Calçotada!

Como diz claramente a descrição desse meu blog, acho que comer e cozinhar da maneira que eu vejo e pratico, deve ser acima de tudo uma grande diversão, se ficar muito sério estraga. Mas dessa vez eu abusei. Uma calçotada tem doses idênticas de diversão e boa comida.

Calçot é um bulbo como a cebola, típico de uma pequena região da Catalunya, plantado e consumido entre novembro e abril. Sua aparência é de uma cebolinha que cresceu até o tamanho de um alho-poró mas sem anabolizantes. O cultivo dá um certo trabalho, pois à medida que a planta vai crescendo, ela tem que ir sendo coberta com terra para evitar que pegue luz.O produto final é, portanto, uma cebolinha crescida com uma grande parte branca e carnuda e folhas verdes na parte de cima.
Esse calçot, depois de colhido e lavado, vai para uma grelha baixa de carvão em brasa e é deixado lá até que a parte de fora fique queimada, negra. São então amarrados em grupos de vinte ou trinta calçots e enrolados em folhas de jornal para que cozinhem no seu próprio calor até a hora de comer. Quando esses pacotes são abertos é que começa a calçotada.

É definitivamente um dos eventos mais simples, saborosos e divertidos que eu já fui. O mais incrível é que não usamos pratos, copos, nem talheres e comemos uma coisa só: calçots, muitos calçots. Para quem já gosta de pratos de uma panela só como eu, é o supra-sumo da simplicidade: nem prato, nem panela.

As mesas ao ar livre são forradas com toalhas de papel seguras por porrons - garrafas de vidro feitas para serem viradas diretamente na boca - cheias de vinho produzido pela cooperativa local. Ao lado do vinho ficam potinhos com o molho romesco que acompanha os calçots e pilhas de guardanapos de papel. Dividindo a mesa a espaços regulares, estão telhas de barro bem velhas. Cadeiras não há. O dia frio, com o sol de fim de inverno dá o tom do ambiente.

Babador amarrado no pescoço, peguei o primeiro calçot do pacote que foi aberto e colocado dentro de uma das telhas. Ainda bem quente, aprendi a tirar a camada negra de pele queimada até aparecer seu interior branco e macio. Para comê-lo é necessário se colocar na posição filhote-de-passarinho-sendo-alimentado-no-ninho-pela-mãe, com o rosto virado para cima e a boca aberta, daí a necessidade do babador. Dá para imaginar a cena: um bando de senhores e senhoras de babador verde com a boca aberta para o alto comendo com as mãos negras de fuligem um negócio parecido com um alho-poró que cozinhou demais. Fellini perde.


O sabor suave dos calçots lembra de longe o da cebola, mas acompanhado pelo gosto que sua pele queimada deixa e pelo molho levemente apimentado, se torna único e completamente diferente de qualquer outra coisa. Passamos quase uma hora nisso, sujando as mãos, abrindo a boca para o alto e engolindo telhas e telhas de calçots e muito vinho. Aliás, o babador verde tem também outra função: proteger a roupa do vinho tomado diretamente do porron, num fio de bebida que desenha um arco no ar, da garrafa levantada acima da cabeça até a sua boca. Exige alguma técnica e muito treinamento.

O ambiente de comunhão é evidente. Amigos de pé ao redor de uma mesa pegando a comida do mesmo lugar e bebendo vinho de uma garrafa que passa pelas mãos sujas de todos, mostra que o prazer na mesa não depende de qualquer sofisticação, produção mais elaborada ou frescuras como pratos, copos e talheres.

Uma calçotada é mais que uma refeição, parece mesmo a um ritual onde a comida tem papel tão importante quanto o ambiente, as pessoas e a intenção indiferente de comer bem se divertindo muito ou se divertir comendo muito bem.

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8.5.06

51

Tenho falado muito dos clássicos, dos pratos que a gente encontra ou deveria encontrar pelas mesas e cardápios. Falei também de restaurantes que sobrevivem e prosperam servindo os mesmos bons e simples pratos de sempre.
Agora vou mudar radicalmente. Vou mostrar algumas boas idéias que tenho visto acontecer pelo mundo. Novidades que passam longe dos ares, espumas e vácuos que têm tomado os holofotes da cozinha chamada contemporânea. São iniciativas em restaurantes, cozinhas, bares e produtos inovadores que não se alinham com nada do que hoje chamamos de tendência. Ainda.

Chocolate – Duas casas, uma no Japão e outra em Nova York – apesar da globalização as coisas parecem que ainda acontecem primeiro sempre nesse dois lugares – se dedicam a colocar o chocolate no seu devido lugar. A, ou o Meiji 100% Chocolate Cafe, tem um balcão com mousses de diversos tipos de chocolates que você pode escolher para rechear bombas, tortinhas e macarrons. Além disso oferece um tipo de chocolate diferente por dia, sem repetir. São 365 sabores do mundo todo.
Em Nova York o Chocolate Bar - os trocadilhos em inglês são muito mais fáceis mas não menos infames - está mais para uma confeitaria de bairro especializada em cookies, brownies e pães para os amantes do chocolate. O recheio americano aparece em sabores como cheese cake, leite maltado e manteiga de amendoim.

Talvez vocês digam que na Europa confeitarias assim são comuns. É verdade. Mas o que faz dessas casas diferentes é que além de apostarem em posicionamentos longe da tradição dos seus similares do velho mundo, apostam também na vontade que nós, chocólatras, temos de vez em quando provar novos sabores. Fenômeno parecido com o que aconteceu com o café que hoje aparece das mais diversas maneiras, ainda que, nos dois casos, um Alpino e um cafezinho na padaria da esquina continuam sendo indispensáveis.

MSC – Movimento dos sem Cozinhas – é um fenômeno que está acontecendo mundialmente com a diminuição dos espaços nas casas modernas que se já deixam pouco para morar, imagine para cozinhar. Pensando nisso a americana DreamDinners espalhou cozinhas profissionais pelo país, já são mais de 50, e as aluga por horas com toda a infra de preparação, ingredientes e ajudantes para cozinharmos elevarmos para casa o que fizemos. O que ainda não está redondo na história é que há um menu de pratos por mês, quer dizer: você ainda não pode cozinhar o que quiser, mas do prático ponto de vista americano, dá para entender que assim fica muito mais simples. Além do mais os pratos do menu são bem variados. Não é um programa para pretendentes a chefs, mas deve ser muito divertido.

Se nossas casas têm cozinhas cada vez menores, o que pode acontecer com um restaurante? Ano passado em Amsterdam montaram um restaurante sem cozinha. No FoodFacility há cardápios de vários restaurantes da área para você pedir o que quiser. A vantagem, além do divertimento, é que você podia comer a entrada de um restaurante a sobremesa de outro. O local oferecia serviço de garçom, copos, pratos e bebidas, além do delivery, claro.
Apesar de ter durado só um mês - não, não faliu, era um evento temporário mesmo – é um conceito que tem muito a ver com a variedade de opções de escolha que existe nas grandes cidades. A idéia partiu de um artista plástico que quis fazer uma versão Google de um restaurante. Não é simples de entender para os não-iniciados, mas o artista tenta explicar tudo aqui.

Como vocês viram, boas idéias na cozinha podem passar longe dos pratos, ingredientes e técnicas e ainda assim surpreender quem gosta ou vive de/para comer e beber.

Essas dicas me chegam de várias fontes, mas a newsletter da Springwise é imbatível em matéria de tendências e inovações.

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1.5.06

Parafernália em Paris

Como até agora só contei o pedaço barcelonês e gastronômico da minha viagem, hoje vou mudar de cidade e de assunto: Paris e ferramentas de cozinha.

Fazia muito tempo que eu não ia a Paris. Mais de dez anos. Nesses anos, até onde pude notar nas áreas por onde andei, a cidade mudou pouco, continua lindíssima, principalmente à noite. Os parisienses na sua maioria, há sempre exceções, claro, continuam com aquele humor difícil de entender. Bebe-se melhor, mas, sabendo pedir, a comida em geral é boa em qualquer lugar. A única coisa que achei que mudou muitíssimo foi a quantidade de turistas nas ruas em qualquer parte da cidade a qualquer hora. Raramente parei em uma esquina ou entrei em um café onde não escutasse pelo menos duas outras línguas além do francês. De Montmartre a Montparnasse, Paris é uma Babel. Acho que a Internet tem papel fundamental nisso, em colocar turistas em lugares onde eles não iam, mas isso é um outro assunto. Quero falar de ferramentas de cozinha.

Ao contrário de Barcelona, onde passei quase mais tempo em função da comida do que qualquer outra coisa, em Paris meu objetivo era passear pela cidade e comprar coisinhas para a minha cozinha. Consultando o blog da Clotilde, peguei alguns endereços de lojas. Fui a todas e a mais algumas. Voltei com duas panelas, formas e mantas de silicone, moedores de pimenta, sais marinhos e temperos suficientes para me divertir bastante. Vamos às compras:

A loja mais profissional que entrei foi a E. Dehillerin que, dizem, fornece equipamentos para todos os restaurantes de Paris. A loja é um grande depósito com tudo o que você pode imaginar de equipamentos para cozinha. Mas é uma loja para quem sabe o que quer comprar, pois os preços estão em tabelas com códigos nas mãos dos vendedores que, daquele jeito parisiense, fazem o favor de te atender. Tem muita variedade, mas eu só recomendo se: primeiro você falar um francês decente e conhecer termos de cozinha e segundo se souber exatamente o que está procurando. Mas se você é como eu, fala um francês macarrônico e quer conhecer as outras lojas, ver novidades e experimentar sem estresse, a E. Dehillerin não é o lugar.O lugar são na verdade dois:

A. Simon na Rue Montmartre: Uma loja com cara de loja, preços nas mercadorias e enorme variedade de itens além de simpáticos vendedores. Saí de lá com formas e mantas de silicone, um batedor de ovos e uma frigideira de inox com teflon de verdade. Há duas lojas idênticas uma ao lado da outra. A de baixo vende coisas para casa e a de cima, para cozinha. Só um detalhe, aos preços mostrados, que são bons, você deve somar uma taxa de quase 20% que será cobrada na nota.

Galleries Lafayette Maison: Desnecessário apresentar as GF, mas o subsolo da GF Maison, que fica do outro lado da loja principal no Boulevard Haussmann é um espetáculo. Um mundo de produtos profissionais para amadores como eu, livros e mais livros sobre gastronomia e culinária, os últimos lançamentos em eletrodomésticos para a cozinha além de bom desconto para turistas. A seção de facas é ótima e a variedade de panelas e pequenos acessórios é enorme. Lá comprei além de livros, uma caçarola de inox, pinças de silicone e moedores de sal e pimenta. Lá tem também um balcão de sais e especiarias ótimo onde comprei sal marinho temperado e natural.

Outras lojas interessantes onde estive foram a Genevieve Lethu e a La Vaisselerie na Rue de Rennes e a Bovida na Rue Montmartre, um pouco abaixo da A. Simon. A primeira tem uma ótima variedade de louças e no fundo uma área de equipamentos selecionados e com bons preços. Pertinho dela, a La Vaisselerie é um pequeno depósito de louças onde garimpando você pode encontrar alguma coisa com ótimos preços. A última é uma loja com boa variedade mas, para mim, sem grandes atrativos. Ao lado dela, na própria Montmarte, há uma loja de conservas e especiarias imperdível. Só perdi o nome.

Livros

Para quem gosta de ler e ver livros sobre gastronomia, culinária e receitas, sugiro uma visita a Librairie Gourmande na Rue Dante, 4, Quartier Latin.

Endereços:

E. Dehillerin – 18 et 20, Rue Coquilliere 75001

A. Simon – 48 et 52, Rue Montmartre

Galleries Lafayette Maison – 35, boulevard Haussmann

Genevieve Lethu – 95, Rue de Rennes 75006

La Vaisselerie - 85, Rue de Rennes 75006

Bovida – 36, Rue Montmartre 75001

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