B, de Batata

http://www.faep.com.br/comissoes/frutas/cartilhas/hortalicas/batata.htm
atata talvez seja dos alimentos mais versáteis da cozinha. Poucos permitem tantas e tão variadas preparações: assada, cozida, amassada, frita, soufllée, conserva, quente, fria, salada e o que mais pudermos imaginar. Já deve ter até espuma de batata e batata esferificada. Mas esse amor todo não foi sempre assim .
O pobre tubérculo já foi até culpado por pestes que mataram milhares de pessoas exatamente quando chegou na Europa trazido da América do Sul, onde é cultivado desde 3.000 A.C., pelos descobridores espanhóis. O nome batata-inglesa é porque o grande responsável pela sua introdução na dieta européia foi o corsário britânico Francis Drake que levou daqui para lá outro produto típico inglês, o tabaco.
A batata, coitada, mesmo sendo assexuada é o quarto maior cultivo no mundo, perdendo apenas para o arroz, trigo e milho e se ela pudesse constituir família, seu sobrenome seria sem dúvida Parmentier.
Foi o já nosso conhecido francês Augustin Parmentier que, tendo recebido uma ordem real para dar de comer a uma população faminta, espalhou de forma muito pouco ortodoxa o novo alimento pela França no final do século XVIII. Diz a lenda que depois de convencer o Rei Luis XVI das qualidades da batata com um belo banquete, ele ganhou uma área para produzir experimentalmente a planta. Para criar curiosidade (hoje isso seria chamado de buzz marketing), ele cercou sua plantação de soldados que durante a noite se “descuidavam” da vigilância permitindo que a população pobre mas muito curiosa, roubasse mudas para plantar em casa. Não deu outra, a batatinha nasceu e se esparramou pelo solo francês. O cara era tão bom que se não deu seu sobrenome a um tipo de batata, deu a várias receitas, preparações e pratos que o homenageiam. Inclusive uma aqui no Bistrô.
Da mesma forma que o azeite, a batata mais nova é sempre mais saborosa, e, como o ser humano, quanto mais fina a pele, mais nova é. Acontece que é a sua casca que a protege no transporte, por isso, a batata é “curada” por algum tempo para que a casca engrosse antes de ser vendida.
Variedades de batatas há um monte, 9.000 dizem, as mais populares são: Atlantic, Asterix (deve ir muito bem com um javali), Bintje, a mais popular por aqui, Mondial, Mona Lisa e Elvira, além da Batata-doce. As três primeiras são as boas para fritar e as últimas para assar e cozinhar.

Fotps da FAEP


A gente aqui do Bistrô adora batata; purê, assada e chips são as campeãs de preferência, não sei se chegamos na impressionante marca de 33kg por ano da média mundial de consumo, mas tentamos. Recentemente fizemos uma que não se encaixa em nenhum desses tipos, foram as Batatas Gratinadas Madame Cartet do mais que famoso livro Cozinha de Bistrô da Patricia Wells:
Pré-aqueça o forno a 180º. Unte e esfregue um dente de alho num refratário, corte 1kg de batatas em fatias de meio centímetro e cozinhe em água com sal durante apenas cinco minutos. Faça uma camada com metade das batatas no refratário e cubra com meia xícara de Gruyère ralado e meia de creme de leite sem soro. Polvilhe com sal. Eu gosto de botar pimenta do reino também. Arrume camadas iguais até terminar os ingredientes. Coloque destampado no forno por 50 minutos ou até que estejam douradas e crocantes. Sirva imediatamente. Acompanha bem qualquer coisa.
Seja feita no microondas, de saquinho, do McDonald’s ou num simples purê caseiro, a batata é um sucesso em qualquer lugar a qualquer momento, escoltando bem qualquer carne, peixe e até massas (ravióli recheado de batata é um clássico) mas nem sempre é assim, quando alguém disser que sua batata está assando, seja em que prato for, é melhor abrir o olho para não deixar queimar.

Comentários

Marília disse…
Se a batata já é isso tudo sendo assexuada, imagina se ela gostasse da coisa! Adorei o post. O C vai ser o quê?
Elvira disse…
Caros amigos e amigas,

Como devem ter notado, os blogues de culinária em língua portuguesa estão tornando-se um fenómeno de sociedade. Já podemos até falar de uma verdadeira comunidade de blogueiros e blogueiras que partilham interesses comuns pela gastronomia, as boas mesas, o vinho... Em suma a arte de bem viver.

Todos esses factos incentivaram-me a criar o portal Cozinhas do Mundo: http://www.cozinhasdomundo.com/ que se encontra por enquanto em fase de teste.

Nesse portal vão aparecer diariamente todos os links para os posts publicados pelos autores dos blogues de culinária inscritos (cadastrados), permitindo que qualquer pessoa que tenha interesse pelo assunto possa seguir a actualidade dos seus blogues favoritos numa única vista de olhos. Já existem várias comunidades do mesmo tipo noutras línguas, como a Food Porn Watch(http://foodpornwatch.arrr.net/) em inglês e a *Blog Actu* (http://www.blog-appetit.com/web_appetit/food-blog-news.asp) francesa.

Obviamente, só aceitaremos blogues directamente relacionados com gastronomia (receitas, crítica gastronómica, vinho...) escritos principalmente em língua portuguesa.

Além de querer ser um ponto de encontro para os blogueiros e os apaixonados de comida, o site também contará num futuro próximo com entrevistas de chefes, iniciativas diversas, intercâmbios, etc.

Por enquanto, convido-vos a visitar o site http://www.cozinhasdomundo.com/ e a registar/cadastrar os vossos blogues.

Agradeço desde já a vossa colaboração e amizade.

Um abraço,

Elvira
Administradora
Roberta Malta disse…
Post delicioso como batatas!
Ana WinTour disse…
Sempre que algum me diz que é contra "cozinha fusion" e reclama, como o Fasano, que esta cozinha está acabando com 2000 anos de civilização e cultura gastronomica, eu lembro da batata e do chocolate (letra "C", né?).

Considerando que só foram conhecidos na Europa há apenas alguns séculos - depois dos descobrimentos -, o que foi aquilo?
Paco Torras disse…
É isso aí, Ana. Batata já foi fusion! Mas não discordo totalmente do Fasano, não. É só não abusar. Espere o próximo post para vc ver o que é inovação na cozinha....
Anônimo disse…
A batata é mesmo cheia de histórias, da viagem à Europa (por Pizarro? Drake? Hawking?) até a polêmica das batatas fritas, que belgas, franceses e ingleses reclamam a origem. Agora, foi na mão de um italiano - era chef do restaurante onde hoje é o Low Cal - que entendi a conexão da batata com Deus: um fio de azeite trufado. (PMS)
PF disse…
Paco,
a finalização com o comentário sobre a "batata está assando" foi sensacional. Parabéns!

Abraço,
PF
Sou louca por batata, seja assada, frita, cozida, etc, etc, etc. Adorei ler esse post e saber mais sobre este alimento saborosíssimo!!

Vivianne
Juliana disse…
poxa vida!
e eu aqui, na terra da batata, sem um comentario pra fazer. bummer! :(

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