
Cheguei à conclusão que revistas femininas e de gastronomia têm algo em comum além de receitas. As capas de ambas claramente têm um mesmo objetivo: causar impacto – e sempre uma ponta de inveja - com o resultado de suas produções de mulheres e pratos maravilhosos. No primeiro caso é normal escutar as leitoras conversando na banca de jornais:
- Nossa, que cabelo lindo tem a Juliana. Queria um igual.
- Mas isso é tudo produção, fotochópi. Ou você acha que ela sai de casa assim todo dia?
- Você está dizendo que eu nunca vou poder ter um cabelo assim?
- Só quando você for capa de revista também, querida.
Com os homens e as revistas de gastronomia acontece mais ou menos a mesma coisa, só que a nível de pensamento:
- Que espetáculo esse mil folhas de morango. Será que dá para eu fazer em casa?- Pensa o cozinheiro amador olhando uma capa belissimamente produzida e fotografada com a sobremesa em questão.
- Claro que não!- surge a voz da razão – Aí tem muita produção e, além do mais, foi a Roberta que fez e o Sérgio que fotografou, não você.
Eu já tinha desistido. Capas de Gourmet, Gula ou de Prazeres da Mesa continuam me impressionando pela beleza e elaboração, mas já não me fazem querer reproduzi-las há muito tempo. Olho para elas como para um quadro. A única diferença é que fico imaginando o sabor e como foi feita. Mas não é que a voz da razão surgiu outro dia dizendo o contrário do que sempre me disse?
- Paco, se não der para fazer essa, nunca mais falo com você. – Ameaçou.
Como era de se esperar, ela tinha razão. Não só consegui reproduzir a imagem dentro das minhas limitações fotográficas, claro, como posso dizer sem falsa modéstia, que meu prato ficou melhor do que a receita da revista.
Era uma linda
capa da Gula com uma batata assada e um ovo por cima. "Ovos Parmentier por Rosalie Häfeli", dizia a legenda. Provavelmente você reconheceu o sobrenome do prato. Ele está em muito outros que a gente vê nos livros e cardápios por aí. Vem de um francês responsável por introduzir a batata na dieta francesa e européia, o que não quer dizer que ele tenha criado esses pratos todos que levam seu nome. São só homenagens merecidas.
Então, já que todo mundo pode homenagear o francês, eu também posso.
Batata Parmentier caipira
Pegue uma batata bem grande, enrole no papel alumínio e asse no forno até que esteja cozida mas firme. No meu forno elétrico demorou 1:15h.
Enquanto isso, tire a pele e pique meia lingüiça (eu usei a Fininha da Sadia). Frite para ficar crocante. Seque bem e reserve.
Corte uma tampa da batata assada na horizontal cuidando para que ela fique bem apoiada no prato. Não pode ficar tombada para um lado.
Esvazie a polpa deixando uma camada junto à casca.
Faça um purê com a polpa da batata, creme de leite, manteiga, sal, pimenta, noz moscada e um pouco de queijo parmesão. Acrescente a lingüiça e esquente bem na panela.
Encha a batata com o purê deixando um dedo até a borda.
Separe a gema de um ovo, misture parte da clara no purê dentro da batata e coloque o resto por cima.
Leve ao forno por cinco minutos até a clara começar a embranquecer. Retire do forno, coloque a gema sobre o purê e volte para dentro do forno por mais dois ou três minutos só para cozinhar um pouco a gema que deve ficar bem mole. Sirva fumegante.
Além de muito saborosa, simples e diferente, essa batata é ótima para acompanhar uma costelinha assada, por exemplo, que demora mais ou menos o mesmo tempo para preparar. Ela pode ser “desvirtuada” do jeito que você quiser colocando espinafre, bacon, queijo, etc.
Reconheço que minha batata não ficou nenhuma Juliana, seria muita pretensão. Mas pelo menos ainda não foi dessa vez que a voz da razão me abandonou.
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