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31.1.07

Refogando egos

Talvez alguma leitora do Bistrô tenha, como eu, acompanhado a cobertura do evento gastronômico Madrid Fusión. Além do blog e da coluna do Josimar Melo que esteve lá, li sobre o evento em algumas outras publicações e fiquei impressionado pelo maniqueísmo que se estabeleceu. Todos só falavam do duelo entre as correntes do Ferran Adriá e do Santi Santamaría, dois chefs catalães e três estrelas. Além das picuinhas (em termos de egos e de cozinha) naturais entre grandes cozinheiros vizinhos, os dois apontam caminhos opostos para nossos pratos: o primeiro defende a alta cozinha do futuro, com técnicas, equipamentos e preparações ultra-avançadas e o segundo a alta gastronomia atualizada e evoluída naturalmente. Por isso o que mais me chamou a atenção nas coberturas que acompanhei é que pouco se falou de comida e muito se falou de chefs.
O culto à personalidade dos chefs é um das coisas mais chatas que a popularização da gastronomia trouxe. Enquanto antigamente a gente ia a um bom restaurante comer um determinado prato que o cara lá prepara como ninguém, hoje, quem procura gastronomia, em geral vai ter que comer o que o fulano ou a cicrana prepararam no restaurante deles, seja lá o que for. Um exemplo disso são os diversos “convites” para jantares de degustação com chefs famosos que recebo onde há a biografia e os prêmios que o chef ganhou e o preço do jantar, mas não há o menu a ser provado. Isso parece que passou a ser irrelevante.
Nada contra novas experiências e boas surpresas, mas sem exageros. A gente vai a restaurantes principalmente comer bem, e chefs sabem colocar na mesa sabores e texturas que nós jamais conseguiremos fazer. Evoluir é muito importante e há os profissionais que tomam para si esta função, mas não é necessário transformar uma refeição em um espetáculo, não precisa fazer da cozinha um púlpito de pregações para justificar o que se coloca ou não no prato, e, principalmente, é descabido pensar que qualquer corrente gastronômica sairá vencedora porque, pelo menos entre nós clientes, não há guerra nenhuma, muito pelo contrário, queremos mais é poder escolher.
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3 Comments:

Anonymous Roberta Malta said...

É isso aí, queremos mais é escolher! E deixemos que a comida fale por si, afinal é ela a estrela principal de um restaurante. Ou não?

1/2/07 00:27  
Blogger Juliana said...

paco,
adoro seu blog! cheguei nele atraves do moblog da clotilde ha um tempao atras e, desde entao, nao deixo de ler!
a banalizacao da gastronomia tambem me incomoda. e muito, ja que aprendi a apreciar boa comida desde pequena. sinto uma imensa repulsa por aquele cozinheio recem-formado numa escolinha de quinta categoria, que se auto entitula "chef" e oferece pao-de-queijo como entrada numa ceia de natal.
concordo com voce. vamos celebrar o que se come, independente do curriculo de quem fez. se fosse pra ficar falando de curriculo de chef, eu ter passado muito mal depois de ter comido num dos restaurantes do adria teria sido um bom post para um blog, nao acha? :)

4/2/07 12:02  
Blogger Paco Torras said...

Depois da Valentina, a Juliana é mais uma brasileira desgarrada na Inglaterra que aparece pelo Bistrô. Acho que vc vai gostar do post Jovens e chefs que fala um pouco desse garotos e garotas que vc diz. Bem vinda e volte sempre. Cheers!

5/2/07 11:09  

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