
Quando falam de vinho, em geral eu calo a boca. Por enquanto, e espero que seja sempre assim, ainda prefiro abri-la para beber vinho do que para falar dele. O que entendo do assunto daria para pouco mais do que uma onomatopéia. Tarefa mais difícil que falar, mas pré-requisito para isso, é conseguir perceber com o olfato, visão e paladar as palavras que o vinho pede que sejam ditas sobre si. É aí que a coisa pega. Quase impossível é tornar uma degustação algo simples, fácil e sem afetações para enoignorantes como eu. Mas isso aconteceu.
Semana passada fui convidado pela Cristiana Beltrão para participar de uma degustação de vinhos de outono, conduzida pelo Célio Alzer, no restaurante Bazzar em Ipanema. A idéia era provar quatro tintos europeus que, de acordo com o Célio, seriam vinhos para um estação mais fresca e seca como o outono. Aqui já posso fazer minha primeira observação: os vinhos eram tão bons que não me incomodaria em bebê-los o ano todo. Mas enfim, os vinhos de outono foram os seguintes:
. Dão Touriga Nacional 2000, Quinta dos Roques (Dão, Portugal)
. Gran Feudo Viñas Viejas 2000, Julián Chivite (Navarra, Espanha)
. Château de Maucaillou 97 (Bordeaux, França)
. Amarone Classico 'I Castei' 99, Michele Castellani (Veneto, Itália)
Uma das coisas que já aprendi é que, para esse nível raso em que me encontro no terreno dos vinhos, é importantíssimo que a degustação aconteça em um ambiente o mais relaxado possível e a degustação no Bazzar foi daquelas harmonizações perfeitas entre a simpática acolhida dos anfitriões e o extenso conhecimento do Célio. Como é que ele consegue guardar na cabeça tanta informação sobre aromas, sabores, uvas, terroirs, donos de vinícolas, madeiras de barricas, etc., e ainda passar para nós tudo isso de forma tão simples, simpática e sem nenhuma complicação? O cara é definitivamente um craque. Algumas vezes quase consegui perceber os aromas que ele citava o que para mim é uma grande evolução. Quem sabe um dia ainda faço isso sem ter ninguém soprando no meu ouvido?
Foi muito bacana poder comparar os aromas e sabores de vinhos tão bons e aprender um pouco sobre suas histórias e porque eles têm as características que o Célio magicamente nos faz perceber. Terminamos a noite se não mais entendidos em vinhos, pelo menos com a boca cheia de novos sabores – frutas secas, terra molhada e couro, por exemplo – e provando dois pratos deliciosos que a Cristiana preparou de surpresa.
Na modesta opinião da nossa mesa, o Gran Feudo foi o vinho que melhor se harmonizou com o bom papo reinante. Não se sabe se foram os aromas, o sabor ou a quantidade nem se o Célio concorda com nossa escolha, mas o espanhol e seus colegas de taça fizeram com que pessoas que mal se conheciam saíssem de lá quase como velhos amigos. Coisas do vinho.
Dia 19 de abril o Bazzar promove outra degustação, dessa vez somente com vinhos top nacionais, mas também com o Célio. Programa imperdível.
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